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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO

INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO

DOMINGOS DE GOUVEIA RODRIGUES





                          Antoine Augustin Cournot (1801-1877)

SUMÁRIO

1 – Introdução
2 – Evolução do Pensamento Econômico
3 – Grandes Fases do Pensamento Econômico
4 – Cronologia dos Grandes Marcos da Ciência Econômica
5 – Cronologia de Fatos Históricos Importantes
6 – Fase Pré-Científica do Pensamento Econômico
7 – Surgimento da Economia Como Ciência: 1750-1870
8 – Revolução Keynesiana:1936
9 – Pensamento Econômico Pós-Keynes: A Torre de Babel do Pensamento Econômico
10 – Reflexões Sobre o Futuro

Apêndice 1: Cientistas
 



 






1 – INTRODUÇÃO


Do surgimento do Homem em nosso planeta até os dias de hoje, tem sido notável o progresso da Humanidade. Todavia, esse progresso não tem sido uniforme em todas as regiões do planeta, nem tem ocorrido a taxas constantes no tempo. Períodos históricos que apresentam grande desenvolvimento são seguidos de períodos de maior ou menor estagnação e, até mesmo, retrocesso no grau de desenvolvimento econômico e social.

O objetivo deste trabalho é dar uma visão geral dos diversos períodos históricos em termos do pensamento econômico que os caracterizam.

2 – EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO


2.1. Surgimento do Homem

·         Hominídios: 4-5 milhões de anos.
·         Homo Erectus: 1.500.000 (revolução anatômica: o homem fica de pé).
·         Homo Sapiens: 100.000
·         Homo Sapiens Sapiens: 50.000
·         Homem de Neanderthal: 25.000 (descoberto na Alemanha em 1856, no vale de Neandher).
·         Metalurgia: 9000 – 2000 a.C.
·         Agricultura: 8000 – 2000 a.C.
·         Assentamentos Urbanos: 4000 – 1000 a.C.

2.2.              Civilização Egípcia: 6000 – 31 a.C.
·         As Grandes Obras
2.3.             Civilização Grega: 6000 – 31 a.C.
·         Os Grandes Filósofos
2.4.             Império Romano: 753 a.C. – 476 d.C.
·         31 a.C.: Batalha de Ácio
·         Fase do Império: 31 a.C. – 212 d.C.
·         Fase da Decadência: 212 d.C. – 476 d.C.
·         A formação de um grande império.
2.5.             O Cristianismo: 100 – 1050
·         A formação de uma civilização cristã.
·         A Patrística.
·         Pensamento cristão no período do séc. I ao séc. VIII.
·         Santo Agostinho (354-430)
2.6.       Idade Média: 476 d.C – 1453 d.C.
·         A Idade das Trevas
·         Deus é o centro de tudo (teocentrismo)
2.7.       Feudalismo: 476 d.C – 1453 d.C.
·         O Regime da Servidão
·         A Magna Carta (1215)
2.8.       Reinos Bárbaros: 476 d.C. – 900 d.C.
·         A Destruição do Grande Império Romano
2.9.       Califado Árabe na Península Ibérica: 711-1492
2.10.    Escolástica
·         Pensamento cristão no período Séc. IX– Séc. XVI
·         São Tomás de Aquino (1225 – 1274)
2.11.    Renascimento: Séc. XIV – Séc. XVII
·         As Artes e as Ciências
·         Geometria Analítica e Cálculo Infinitesimal (Descartes, Newton e Leibnitz)
2.12.    Mercantilismo: 1450 – 1750
·         Acumulação Primitiva.
·         Formação dos Estados Nacionais.
2.13.    Iluminismo: 1688 – 1789
·         O Século das Luzes
·         Revolução Inglesa
·         Revolução Americana
·         Revolução Francesa
·         Parlamentarismo
·         República
·         Democracia Representativa
2.14.    Revolução Inglesa: 1688
·         Implantação do Parlamentarismo
2.15.    Racionalismo: Séc. XVII
·         A Idade da Razão
2.16.    Empirismo: Sécs. XVII e XVIII
2.17.    Despotismo Esclarecido: Séc. XVIII
2.18.    Revolução Francesa: 1789
·         Declaração Universal dos Direitos do Homem
2.19.    Surgimento da Economia Como Ciência: 1750 – 1870
·         A Ascensão do Liberalismo
2.20.    Escola Fisiocrata: Séc. XVIII
·         François Quesnay (1694 – 1774)
2.21.    Revolução Industrial: Séc. XVIII
·         Surgimento do Capitalismo
2.22.    Escola Clássica: Sécs. XVIII – XIX
·         Adam Smith (1723 – 1790)
·         Thomas Malthus (1766 – 1834)
·         Jean Baptiste Say (1768 – 1832)
·         David Ricardo (1772 – 1832)
·         John Stuart Mill (1806 – 1873: Homem econômico, a busca por riqueza)

2.23.    Marxismo: Séc. XIX
·         A crítica ao Liberalismo e ao Capitalismo.
·         A luta de classes e o colapso do Capitalismo
·         Karl Marx (1818 – 1883)
·         Friedrich Engels (1820 – 1895)

2.24.    Escola Neoclássica ou Marginalista: 1870 – 1929
·         Utilitarismo
·         Stanley Jevons (1835 – 1882) )
·         Karl Menger (1840-1921)
·         Leon Walras (1834 – 1910)
·         Alfred Marshall (1842 – 1924)
·         Vilfredo Pareto (1848-1923)
2.25.    Revolução Keynesiana: 1936 – 1973
·         John Maynard Keynes (1883 – 1946)
2.26.    Pensamento Econômico Pós-Keynes

·         Análise do imperialismo e do capitalismo monopolista pré-Primeira Guerra Mundial e Revolução Russa: Rudolf Hilferding (1877-1941), Rosa Luxemburgo (1871-1919), Lênin (1870-1924) e Nikolai Bukharin (1888-1938);
·         Teoria do monopólio e concorrência monopolística pré-Segunda Guerra Mundial: Edward Chamberlin (1899-1967) e Joan Robinson (1903-1983.
·         As Teorias dos Ciclos Econômicos (Joseph Schumpeter (1883-1950), Michael Kalecki (1899-1970), Nikolai Kondratief (1892-1938));
·         Os Modelos de Crescimento Econômico (Roy F. Harrod (1900-1978), Evsey Domar (1914-1997), Robert Solow (1924- );
·         As Teorias do Desenvolvimento Econômico (Frish (1895-1973), Raúl Prebish (1901-1985), Roseinstein-Rodan (1902-1985), Celso Furtado (1920 - 2004):CEPAL, Dois Hiatos, Estágios de Desenvolvimento, Industrialização Retardatária;
·         A Teoria Pós-Keynesiana (Nicholas Kaldor (1908-1986), Luigi Pasinetti (1930-), Joan Robinson (1903-1983), Piero Sraffa (1898-1983), Roy F. Harrod (1900-1978), Paul Davidson (1930 -  ), Hyman P. Minsky (1919-1996));
  • A Economia Neoclássica, a Nova Escola Austríaca e a Contra-revolução Monetarista (F. von Hayek (1899-1992), Milton Friedman (1912-2006));
  • A Síntese Neoclássica e a Controvérsia de Cambridge (Samuelson (1915- ), Solow (1924- ));
  • “Economia Intitucional”, Institucionalismo e Institucionalismo Americano
  • Análise do Equilíbrio Geral
  • A Teoria das Expectativas Racionais e a Nova Economia Clássica (Lucas (1937- ), Sargent (1943-  );
  • A Análise do Crescimento Ótimo
  • Teoria dos Jogos (John Nash (1928- ), John Von Neumman (1903-1957), Oskar Morgersten (1902-1976))
  • Economia Experimental: Pensamento Estratégico.
  • A Nova Teoria do Crescimento Econômico (Paul Romer (1955-));
  • A Nova Economia do Desenvolvimento Econômico (Manmohan Singh (1932)); Subrata Ghatak (1953); Maitreesh Ghatak (1968- );
  • Os Novos Keynesianos (Informação Assimétrica, “Moral Hazard”, etc);
  • A “Nova Economia” ou Economia da Informação e do Conhecimento;
  • Globalização.


3 – GRANDES FASES DO PENSAMENTO ECONÔMICO


1.    Fase Pré-Científica até a Escola Fisiocrata (1750)
2.    1750 até a Revolução marginalista (1870)
3.    1870 até a Revolução Keynesiana (1936)
4.    1936 até os Anos 1970’s
5.    Anos 1970’s até Hoje

4 –CRONOLOGIA DOS GRANDES MARCOS DA CIÊNCIA ECONÔMICA


1.    Século IV a. C. - Aristóteles (384 a.C-322 a.C.): escreve sua obra “Política”, em que desenvolve e sistematiza, pela primeira vez, um conjunto importante de ideias e conceitos econômicos, tais como a defesa da propriedade privada, a superioridade da produção vis-à-vis o comércio, a defesa da escravidão, a definição de economia, a análise do papel da moeda, a distinção entre valor de uso e valor de troca e a condenação da usura. Aristóteles utiliza-se de seu método científico. Podemos dizer que essa é a primeira grande obra econômica, o que daria a Aristóteles, a par de ser um grande filósofo, o título de o primeiro economista da História.
2.    1758 – François Quesnay (1694-1774) publica “Tableau Économique”, considerado o primeiro trabalho produzido com rigor científico em Economia.
3.    1776 – Adam Smith (1723-1790) publica “A Riqueza das Nações”: consolida o princípio do liberalismo desenvolvido pelos fisiocratas como ideologia do Capitalismo. Revolução Industrial em formação. Ambiente: grande otimismo com o progresso da Humanidade. É o grande marco do pensamento econômico liberal.
4.    1798 – Thomas Malthus (1766-1834) publica “Primeiro Ensaio Sobre o Princípio da População”, em que afirma que os meios de subsistência para o homem cresceriam de acordo com uma taxa aritmética, ao passo que a população cresceria a taxas geométricas.
5.    1803 – Jean Baptiste Say (1768-1832) publica “Tratado de Economia Política”, trabalho que viria a gerar o que se convencionou chamar de “Lei de Say”.
6.    1817 – David Ricardo (1772-1832) publica “Princípios de Economia Política”, a obra que mais influenciou a metodologia da economia clássica.
7.    1820 – Thomas Malthus publica “Princípios de Economia Política”.
8.    1848 – John Stuart Mill (1806-1873) publica “Princípios de Economia Política”, em que sintetiza toda a teoria econômica.
  1. 1854 – Herman Heinrich Gossen (1810-1858) publica “Desenvolvimento das Leis do Intercâmbio Humano e Regras Decorrentes Para a Atuação do Homem”, em que apresenta, pela primeira vez, a teoria da utilidade marginal decrescente.
10. 1867 – Karl Marx (1818-1883) publica “O Capital”: crítica contundente ao liberalismo econômico e ao Capitalismo. Revolução Industrial em expansão. Ambiente: otimismo com o progresso e pessimismo com as desigualdades sociais criadas pelo Capitalismo.
11. 1871 – Stanley Jevons (1835-1882) publica “Teoria da Economia Política”: reestruturação do liberalismo em novas bases teóricas. Desenvolve, de forma independente de outros autores, o princípio da utilidade marginal decrescente.
12. 1871 – Karl Menger (1840-1921) publica (“Grundsatze der Volkswirtschatslche” ou Princípios de Economia Política): reestruturação do capitalismo em novas bases teóricas. Desenvolve, de forma independente de outros autores, o princípio da utilidade marginal decrescente.
13. 1874 – Léon Walras (1834-1910) publica “Elementos de Economia Política Pura”: introduz um modelo matemática de equilíbrio geral em economia. Desenvolve, de forma independente de outros autores, o princípio da utilidade marginal decrescente.
14. 1890 – Alfred Marshall (1842-1924) publica “Princípios de Economia”, em que reorganiza os princípios marginalistas e que servirá de base para a construção da futura microeconomia.
15. 1893 – Vilfredo Pareto (1848-1923) publica “Considerações Sobre os Princípios Fundamentais da Economia Política Pura”.
16. 1936 – John Maynard Keynes (1883-1946) publica “Teoria Geral”: critica a Lei de Say e o liberalismo; reintroduz o papel do Estado na economia como uma espécie de salvador do capitalismo. Cenário: Grande Depressão. Ambiente: Pessimismo e insegurança.
17. 1944 – Friedrich von Hayek (1899-1992) publica “O Caminho da Servidão”, em que aponta as contradições das economias centralmente planificadas e que se transformou numa referência para os liberais.

IV.1. Cronologia de Outras Obras Importantes:

  1. Século III a. C. - Euclides (330 a.C. – 275 a.C. descreve os fundamentos da geometria no livro “Elementos”, por volta do século III a.C., obra fundamental para o estudo da geometria. Euclides descobriu a misteriosa razão áurea ou divina (f).
  2. século II a. C. – Marco Aurélio (121 – 180 a.C), Imperador filósofo de Roma, escreve, entre 170 e 180 a.C., “Meditações”, uma das principais obras filosóficas da Antiguidade.
  3. 397-398 – Santo Agostinho (354-430) escreve “Confissões”, sua primeira autobiografia.
  4. 413-426 – Santo Agostinho (354-430) escreve “A Cidade de Deus”, em que apresenta a síntese de seu pensamento filosófico.
  5. 1265 – Santo Tomás de Aquino (1225-1274) começa a escrever “Summa Theologica”, a qual termina em 1273, obra fundamental do pensamento escolástico, em que sistematiza o conhecimento teológico e filosófico de sua época e em que são discutidas questões como a usura, preço justo e comércio justo, dentre outras.
  6. 1336 – Nicolau d’ Orèsme (1325-1382), bispo de Lisieux, França, publica “Breve tratado da primeira função das moedas e das suas causas e espécies”, primeira obra sobre questões puramente monetárias, em que enuncia o que veio a ser chamado de Lei de Gresham (“A moeda má expulsa a moeda boa.”).
  7. 1509 – Erasmo de Roterdão (1465-1536) publica sua obra clássica “O Elogio da Loucura”. Erasmo escreveu também “Manual do Príncipe Cristão”, modelo ideal de bom governo de uma sociedade justa.
  8. 1513 – Maquiavel (1469-1527), escritor e estadista florentino, começa a escrever “O Príncipe”.
  9. 1516 – Thomas Morus (1478-1535) publica “Utopia”.  Essa obra retrata um país imaginário, um Estado ideal, onde toda a propriedade seria coletiva e não existiriam classes sociais, onde um governo organizado cria condições de vida excelentes para um povo que vive em equilíbrio e felicidade, uma espécie de sociedade comunitária.
  10. 1532 – É publicada a primeira edição de “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel (1469-1527), autorizada pelo Papa Clemente VII. Maquiavelismo é o sistema político desenvolvido por Maquiavel nessa obra, cujo traço principal é o princípio de que os fins justificam os meios.
  11. 1536 – João Calvino (1509-1564), um dos maiores nomes da Reforma Protestante, publica “A Instituição da Religião Cristã”. Calvino defendeu uma ampla reforma social, política e religiosa. Defendia, também, a cobrança de juros (moderados) e os lucros do comércio (moderados), vistos como um sucesso no trabalho e como uma graça divina.
  12. 1543 – Nicolau Copérnico (1473-1543) escreveu “De Revolutionibus orbitum coelestium” (Das Revoluções dos Corpos Celestes); Andreas Vesalius (1514-1564), pai da anatomia moderna, publica, em Basiléia, Suíça, “De Humanis Corpora Fabrica” (A Formação do Corpo Humano). Vesalius cria a ciência médica a partir da observação e da dissecção. Tanto Vesalius quanto Galileu defendem a autonomia da razão humana na busca da verdade na ciência. Assim, a religião perde autoridade na revelação do conhecimento, alcançado através do raciocínio aplicado à experiência.
  13. 1556 – Martin de Azpilcueta (Doutor Navarrus) (1493-1586), pensador da Escola de Salamanca, publica “Comentário Resolutório de Usuras”. Azpicuelta, um dos precursores da chamada Teoria Quantitativa da Moeda, estudou os efeitos do acúmulo de metais preciosos vindos da América e suas implicações monetárias. Foi professor da Universidade de Salamanca.
  14. 1558 – Giovanni Botero (1540-1617), mercantilista e industrialista italiano, publica “Sobre as Causas da Grandeza e da Magnifiência das Cidades”, em que defende ideias populacionistas na linha do pensamento futuro de Malthus.
  15. 1568 - Jean Bodin (1530-1596) publica “Réponseaux Paradoxes de Sire de Malestroit” (Respostas aos Paradoxos do Senhor de Malestroit), em que estuda os fenômenos monetários e estabelece uma relação entre inflação e o afluxo de dos metais preciosos oriundos da América, sendo um dos precursores da Teoria Quantitativa da Moeda.
  16. 1569 – Tomás de Mercado (1530-1576), pensador da Escola de Salamanca e teólogo dominicano espanhol, publica “Suma de Tratos y Contratos de Mercaderes”, em que descreve a teoria quantitativa da moeda ao analisar os impactos do acúmulo de metais preciosos vindos da América sobre os preços na Espanha e na Europa. Mercado criticava os banqueiros por estes negociarem com os depósitos de seus clientes, faltando-lhes, a seu ver, prudência.
  17. 1576 – Jean Bodin (1530-1596) publica “La République”, em que estabelece a doutrina da soberania do Estado como poder central independente das corporações, do Parlamento e do poder papal.
  18. 1592 – Juan de Mariana (1536-1624), jesuíta da escola de Salamanca, publica “Historiae de Rebus Hispaniae”.
  19. 1597 – Johannes Kepler (1571-1630) escreve “Primeiras Dissertações Matemáticas Sobre os Mistérios do Cosmo”, em que apresenta seu modelo de universo, onde os planetas orbitavam sobre esferas cujo centro era o Sol. Em sua obra, os planetas giravam em torno do sol em órbitas elípticas, fato que ele não conseguiu explicar.
  20. 1600 – William Gilbert (1544-1603), médico e físico inglês, publica seus estudos sobre o funcionamento da bússula e do magnetismo.
  21. 1605 – Juan de Mariana (1536-1624) publica “De Monetae Mutatione”, em que defende a não intervenção do soberano nas questões econômicas privadas, através, por exemplo, de impostos opressivos e inflação deliberadamente provocada.
  22. 1606 – Galileu Galilei (1564-1642) publica “The Operations of the Geometrical and Military Compass”.
  23. 1608 – Johannes Kepler publica “Astronomia Nova” (Nova Astronomia), no qual enuncia suas leis do movimento planetário e afirma que os planetas se movem em torno do sol.
  24. 1610 – Galileu Galilei publica “Siderius Nuncius” (O Mensageiro das Estrelas).
  25. 1612  - Galileu Galilei publica “Discourse on Bodies in Water”.
  26. 1616 – Johannes Kepler (1571-1630) publica “Harmoniae mundi” (Harmonias do Mundo), no qual enuncia sua terceira lei do movimento planetário; Antoine de Montchrestien (1575-1621), mercantilista francês, publica “Traité de l’ Économie Politique”, a quem é atribuída a utilização, pela primeira vez, da expressão “Economia Política”, muitos séculos após sua criação pelos gregos.
  27. 1620 – Francis Bacon (1561-1626), criador do empirismo científico, publica “Novum Organum”  (“Novo Sistema de Investigação Científica”), em que indica o processo que atualmente se denomina método científico.
  28. 1621 – Thomas Mun (1571-1641), mercantilista inglês, publica “A Discourse of Trade from England Unto the East Indies”.
  29. 1623 – Tommaso Campanella (1568-1639) publica “La Città del Sole” ( A Cidade do Sol), sendo influenciado por Platão, em que apresenta sua visão de uma sociedade ideal, caracterizada pela comunhão dos bens e das mulheres.
  30. 1628 – William Harvey, médico inglês, publica “Sobre os Movimentos do Coração e do Sangue”, em que descobre o funcionamento do sistema circulatório e que dá início à fisiologia moderna. Esse trabalho teria inspirado o fisiocrata François Quesnay (1694-1774) a desenvolver seu “Quadro Econômico”.
  31. 1630 – Galileu Galilei publica “Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo ptolomaico e copernicano”, em que trata de problemas relativos à mecânica celeste (movimento dos planetas).
  32. 1637 – René Descartes (1596-1650), filósofo e matemático francês, publica “Discurso do Método”. Descartes cria a geometria analítica e demonstra que a única certeza verdadeiramente duradoura é a de que é o pensamento a única garantia de nossa existência.
  33. 1638 – Galileu publica “Discurso e demonstração matemática sobre as duas novas ciências), em que estuda o movimento dos corpos e a resistência dos materiais.
  34. 1640 – Thomas Hobbes (1588-1679) publica “The Elements of Law”.
  35. 1651 – Thomas Hobbes publica “O Leviatã”, sua mais importante obra, em que reafirma sua máxima “O homem é o lobo do homem” e em que defende a criação de um contrato social que levaria à formação de um Estado forte e a um soberano absoluto que colocaria os interesses do Estado acima dos interesses dos indivíduos.
  36. 1653 – Blaise Pascal (1623-1662) publica “Teoria da Probabilidade”.
  37. 1661 – Robert Boyle (1627-1691) publica “Sceptical Chymist”.
  38. 1662 – William Petty (1623-1687) publica “Tratado Sobre Impostos e Contribuições”.
  39. 1663 – Jean Baptiste Colbert (1619-1683), mercantilista francês que ocupou os principais cargos de Estado durante o reinado de Luís XIV, escreve “Memórias Sobre os Assuntos de Finanças da França”. Colbert considerava o comércio internacional um jogo de soma zero, em que os países somente enriquecerão empobrecendo seus vizinhos através de guerras comerciais. Colbert estimulou a criação de grandes empresas e de Companhias das Índias. Sob sua direção a economia da França alcançou um período de grande progresso e desenvolvimento. Suas ideias e políticas constituem o que se chama de “Colbertismo”.
  40. 1664 – É publicada a principal obra de Thomas Mun (1571-1641), mercantilista inglês, escrita em 1630, “O Tesouro da Inglaterra Pelo Comércio Exterior”, em que aborda princípios da teoria quantitativa da moeda.
  41. 1665 – Bento de Spinoza (1632-1677) publica “Ethics” (Ética).
  42. 1668 - Josiah Child (1630-1699), mercantilista inglês, publica “Brief Observations Concerning Trade and the Interest of Money”. Child defendeu a ideia de que para melhorar a competitividade internacional de uma nação, tanto os salários quanto a taxa de juros deveriam ser mantidos baixos.
  43. 1670 – Primeira edição dos “Pensamentos de Pascal”. Blaise Pascal (1623-1662).
  44. 1682 – William Petty (1623-1687) publica “Political Arithmetic”.
  45. 1687 – Isaac Newton (1642-1727) escreve “Philosophiae naturalis principia mathematica” (“Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”), em que estuda o movimento dos corpos celestes e terrestres, utilizando uma abordagem experimental científica e matemática. Neste livro, Newton apresenta a base da mecânica clássica. Newton cria um modelo matemático para o tempo e o espaço. O tempo é distinto de espaço, sendo visto como uma linha infinita. Copérnico (1473-1543) e Galileu (1564-1642) descobriram que os planetas orbitam o sol e não a Terra e Newton descobriu as leis que governam seus movimentos.
  46. 1688 – Gregory King (1648-1712) publica “Observations upon the State of England” (estimativas detalhadas da renda nacional).
  47. 1690 – John Locke (1632-1704) publica “Two Treaties on Government”, em que defende a ideia de contrato social e propõe uma monarquia constitucional. Locke foi um seguidor de William Petty e defendeu a propriedade privada como um direito natural fruto do trabalho do indivíduo.
  48. 1692 – John Locke publica “Considerações Sobre as Consequências da Diminuição do Juro e o Aumento do valor do Dinheiro”, em que formula a teoria quantitativa da moeda, atribuindo grande importância à velocidade de circulação da moeda.
  49. 1693 – Josiah Child (1630-1699)  publica “A New Discourse of Trade”.
  50. 1695 – John Locke publica “Ensaio Sobre o Governo Civil”, obra que exerceu grande influência sobre a independência dos Estados Unidos e sobre a Revolução Francesa.
  51. 1697 – Pierre le Boisguillebert (1646-1714), precursor dos fisiocratas, escreve “Le Détail de la France”, em que critica a política econômica mercantilista de Colbert.
  52. 1698 – Charles Davenant (1656-1714) publica “Discourses on the Trade of England”.
  53. 1704 – Isaac Newton (1642-1727) publica “Óptica”, em que estuda os fenômenos ópticos da luz.
  54. 1705 – John Law (1671-1729), seguidor da Teoria Quantitativa da Moeda como um fator de desenvolvimento, publica “Considerações Sobre a Moeda e o Comércio, com uma Proposta para Suprir a Nação de Dinheiro”.
  55. 1706 – John Law (1671-1729) publica “Treatise on Money and Commerce”, em que elabora uma teoria subjetiva do valor do dinheiro utilizando uma formulação pioneira das leis da oferta e demanda, atribuindo à oferta de moeda um efeito multiplicador.
  56. 1707 – Pierre Le Pesant de Boisguilbert (1646-1714) publica “Dissertation de la nature des richesses, de l’argent et des tributs, ou l’on découvre la fausse idée qui régne dans le monde à l’égard de ces trois articles”. Boisguilbert se opôs ao mercantilismo dominante em sua época, defendendo os princípios da liberdade de comércio e da existência de leis naturais na economia.
  57. 1710 – George Berkeley (1685-1753) publica “ Principles of Human Knowledge”.
  58. 1712 – Edmond Halley (1656-1742) publica o primeiro mapa estelar da Era Telescópica.
  59. 1714 – Bernard de Mandeville (1670-1733) publica “Fábula das Abelhas”, em que afirma ser o egoísmo humano e não as virtudes humanas o fundamento de toda sociedade.
  60. 1733 – François Marie Arouet, Voltaire (1694-1778) publica “Letters sur les  Anglais”.
  61. 1734 – Richard Cantillon (1680-1734) publica “Essay sur la nature du commerce em general”, em que ressalta o papel da classe empresarial.
  62. 1738 – François Marie Arouet, Voltaire (1694-1778) publica “Elementos da Filosofia de Newton”, em que defendeu que a metafísica e a física newtonianas eram a fonte da verdade.
  63. 1742 – D’Alembert ( 1717-1783) redige o “Tratado de Dinâmica”.
  64. 1748 – David Hume (1711-1776) publica “Enquiry Concerning Human Understanding”.
  65. 1749 – Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) redige “Discurso Sobre as Ciências e as Artes”, em que desenvolve a antítese fundamental entre a natureza do homem e os acréscimos de civilização. O pressuposto básico de Rousseau é a crença na bondade natural do homem.
  66. 1751-1764 - A Enciclopédia das Ciências, Artes e Ofícios, publicada entre 1751 e 1764 na França, organizada por Diderot (1713-1784) e D’ Alembert (1717-1783) com a colaboração dos mais diferentes profissionais (matemáticos, médicos, professores, sacerdotes e técnicos) foi de fundamental importância para a disseminação dos princípios iluministas pela Europa e pelo mundo, sob a ótica racionalista.
  67. 1752 – David Hume (1711-1776) publica “Political Discourses”, em que ataca o mercantilismo.
  68. 1754 – Étienne Bonnot de Condillac (1715-1780) publica o “Tratado Sobre as Sensações”. David Humen (1711-1776) publica “On Money”.
  69. 1755 – Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) publica os discursos “Sobre a Origem das Desigualdades e Sobre a Economia Política”. A civilização é vista por Rousseau como responsável pela degeneração das exigências morais profundas da natureza humana e sua substituição pela cultura intelectual. Nesse mesmo ano, é publicada a obra “Essai Sur la nature du Commerce em General”, trabalho atribuído a Richard Cantillon (1680-1734) pelo Marquês de Mirabeau (1715-1789), vinte anos após a morte de Cantillon. A expressão “velocidade de circulação da moeda” é atribuída a Cantillon, precursor dos fisiocratas e dos clássicos, para quem o aumento da velocidade da moeda provocaria inflação, conceito de cunho monetarista. Essa obra, tornada pública em 1730, apresenta as contradições mercantilistas.
  70. 1757 – Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) escreve o “Emílio” e o “Contrato Social”. Para Rousseau, a liberdade é entendida como direito e dever, ao mesmo tempo.
  71. 1759 – Adam Smith (1723-1790) publica “Theory of Moral Sentiments”.
  72. 1760 - O Marquês de Mirabeau (1715-1789), fisiocrata, publica “Tableau Économique avec ses Explications”.
  73. 1762 - Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) publica “Du Contrat Social”, em que desenvolve a base de sua filosofia liberal e sua conceituação de ordem natural da sociedade.
  74. 1763 – Immanuel Kant (1724-1804) publica “O Único Argumento Possível Para Uma Demonstração da Existência de Deus”; O Marquês de Mirabeau (1715-1789) publica “Économie Générale et Politique d’ Agriculture”.
  75. 1764 – Cesare Bonesane, Marquês de Beccaria (1738-1769) publica “Dos Delitos e das Penas”, em que condena o sistema penal da época.
  76. 1766 – Anne Robert Jacques Turgot (1727-1781) publica “Réflexions sur la Formation et la Distribution des Richesses” (Reflexões Sobre a Formação e a Distribuição das Riquezas);
  77. 1767 – James Denham Steuart (1712-1780) publica “An Inquiry into the Principles of Political Economy”. Du Pont de Nemours (1739-1817), economista e empresário francês, um dos mais destacados fisiocratas, fundador da DuPont, publica “Physiocratie”, em que é usada a palavra fisiocracia pela primeira vez.
  78. 1776 – Étienne Bonnot de Condillac (1715-1780) publica “Le Commerce et le Gouvernment considerées relativament l’un à l’autre”, que contém os esboços da teoria psicológica do valor sustentado no conceito de utilidade.
  79. 1781 – Immanuel Kant (1724-1804) publica “Crítica da Razão Pura”.
  80. 1788 - Immanuel Kant (1724-1804) publica “Crítica da Razão Prática”.
  81. 1789 – Jeremy Bentham (1748-1832) publica “An Introduction to the Principles of Morals and Legislation”, em que apresenta a doutrina utilitarista. Nesse mesmo ano, Antoine Lavoisier (1743-1794) publica “Tratado Elementar de Química”. Lavoisier desenvolveu a ideia de que “na natureza nada se perde, tudo se transforma”.
  82. 1790 - Immanuel Kant (1724-1804) publica “Crítica do Juízo”.
  83. 1792 – William Godwin (1756-1836) publica “Inquiry Concerning Political Justice and its Influence on Modern Morals and Manners”. Godwin acreditava que a principal causa de todos os problemas sociais residia na existência da propriedade privada e ataca a instituição “governo.
  84. 1794 – O pensador francês Marie-Jean Nicholas Caritat, Marquês de Condorcet (1743-1794), escreveu, na prisão, “Esquisse d’un Tableau Historique des Progrès de L’Espirit Humain”, em que defendeu a propriedade privada, considerada, por ele, estimulante ao estudo, à educação e à individualidade.
  85. 1797 - Immanuel Kant (1724-1804) publica “Metafísica dos Costumes”.
  86. 1800 – Johann Gottlieb Fichte (1762-1814) publica “O Estado Comercial Fechado”, em que defende a criação de um Estado Socialista autárquico.
  87. 1802 – William Paley (1743-1805), naturalista inglês, lança a teoria do “design inteligente”, em que defende a ideia de que tudo no universo tem um “desenhista”, uma força maior que guia o processo de evolução da vida.
  88. 1803 – Jean Charles Léonard Simonde de Sismondi (1773-1842) publica “De la Richesse Commerciale” (Sobre a Riqueza Comercial).
  89. 1804 – James Maitland Lauderdale (1759-1839) publica “An Inquiry into the Nature and Origin of Public Wealth and Into the Means and Causes of its Increase”. Para Lauderdale, tudo que possui utilidade gera riqueza, sendo o valor determinado pela utilidade e pela escassez.
  90. 1807 – Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) publica “A Fenomenologia do Espírito”.
  91. 1808 – François-Marie Charles Fourier (1772-1837), socialista utópico francês, publica “Teoria dos Quatro Movimentos e dos Destinos Gerais”, em que defende a criação de uma nova ordem social à base de comunidades cooperativas livres.
  92. 1810 – David Ricardo (1772-1823) publica “The High Price of Bullion”.
  93. 1812-1816 - Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) publica “A Ciência da Lógica”.
  94. 1813 – Robert Owen (1771-1858), socialista utópico, publica “A New View of the Human Character”.
  95. 1814 – Sismondi (1773-1842) publica “Nouveaux Principes”, em que refuta os princípios do liberalismo.
  96. 1815 – David Ricardo (1772-1832) publica “Essay on the Influence of a Law Price of Corn and the Profits of Stock”; Thomas Malthus (1766-1834) publica “Investigação Sobre a Natureza e o Progresso da Renda”, em que apresenta uma concepção de renda diferencial da terra semelhante à de Ricardo.
  97. 1817 - Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) publica “Enciclopédia das Ciências Filosóficas”.
  98. 1819 - Jean Charles Léonard Simonde de Sismondi (1773-1842) publica “Nouveaux Príncipes d’Économie Politique” (Novos Princípios de Economia Política).
  99. 1820 – David Ricardo redige “Notes on Malthus’s Principles of Political Economy” (publicado em 1828). Nesse mesmo ano, Hegel publica “Filosofia do Direito”.
  100. 1821 – James Mill (1773-1836) publica “Elements of Political Economy”.
  101. 1824 – É publicada postumamente a obra do Marquês de Beccaria (1738-1794) “Elementos de Economia Política”.
  102. 1826 – Johann Heinrich von Thünen (1783-1850) publica “O Estado Isolado”.
  103. 1828 – Jean Baptiste Say (1768-1832) publica “Cours d’ Economie Politique”.
  104. 1836 – Nassau William Senior (1790-1864) publica “An Outline of the Science of Political Economy” (Um esboço da Ciência da Economia Política).
  105. 1838 – Antoine Augustin Cournot (1801-1877) publica “Reserches Sur les Principes Mathématiques de la Théorie des Richesses”, considerado o pioneiro no tratamento matemático da economia, em que utiliza, pela primeira vez na história, o cálculo diferencial na análise econômica. Como se vê, há um lapso de tempo de dois séculos entre a criação do cálculo diferencial e o seu uso na teoria econômica, o que não deixa de ser surpreendente. Para Cournot, o único determinante da riqueza é o valor de troca e demonstra que relações econômicas fundamentais podem ser definidas matematicamente.
  106. 1839 – Auguste Comte publica “Filosofia Positiva”, onde estabelece os princípios metodológicos da Sociologia.
  107. 1840 – Pierre Joseph Proudhon (1809-1865) publica “Qu’ est-que c' est  la Proprieté ?” (O Que é a Propriedade ?), em que cunhou a frase: “A propriedade é um roubo”.
  108. 1841 – Friedrich List (1789-1846) publica sua mais importante obra “O Sistema Nacional de Economia Política”, em que defende uma teoria protecionista.
  109. 1843 - Antoine Augustin Cournot (1801-1877) publica “Exposition de la Théorie des Chances et des Probabilités”; Friedrich Engels (1820-1895) publica “Esboços Para Uma Crítica da Economia Política”, obra que exerceria grande influência sobre Karl Marx; John Stuart Mill publica “A System of Logic”.
  110. 1844 – Karl Marx (1818-1883) redige “Manuscritos Econômicos e Filosóficos”, em que aborda o problema da alienação.
  111. 1845 – Karl Marx redige “Tese Sobre Feuerbach”; Friedrisch Engels (1820-1891) publica “A Situação da Classe Operária na Inglaterra”.
  112. 1847 – Friedrich Engels, filósofo alemão e amigo de Karl Marx, publica “Princípios do Comunismo”.
  113. 1848 – Karl Marx e Friedrisch Engels publicam “O Manifesto Comunista”.
  114. 1850 – Frédéric Bastiat (1801-1850) publica “Harmonies Économiques”.
  115. 1851 - Pierre Joseph Proudhon (1809-1865) publica “Ideia Geral da Revolução no Século XIX”.
  116. 1857 – John Elliot Cairnes (1823-1875), “o último dos economistas clássicos”, publica “The Character and Logical Method of Political Economy”, em que ressalta a importância do método dedutivo em economia.
  117. 1859 – John Stuart Mill (1806-1873) publica “pensamento Sobre o Governo Representativo” e “Sobre a Liberdade”; Darwin (1809-1882) publica “On The Origin of Species”, em que apresenta sua teoria da evolução.
  118. 1861 – Jean-Pierre Clément (1809-1870) edita “Lettres, Instructions et Mémoires de Colbert”.
  119. 1862 – Herbert Spencer (1820-1902) publica “System of Syntetic Philosophy” (Sistema de Filosofia Sintética); Clément Juglar (1819-1905) publica “Des Crises Commerciales et de leur Retour Périodique en France” (das Crises Comerciais e seu Retorno Periódico na França), em que apresenta, pela primeira vez, a descrição do ciclo econômico; Stanley Jevons (1835-1882) publica “General Mathematical Theory of Political Economy”, um dos trabalhos precursores da análise matemática em economia.
  120. 1863 – John Stuart Mill publica “Utilitarianism”.
  121. 1865 – Karl Marx redige “Salário, Preço e Lucro”; Karl Eugen Dühring (1833-1921), filósofo positivista alemão, publica “Capital e Trabalho”.
  122. 1872 – Gustav Schmoller (1838-1917) publica “O Manifesto de Eisenach”.
  123. 1873 – Mikhail Bakunin (1814-1876) publica “O Estado e a Anarquia”.
  124. 1880 – Friedrich Engels publica “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”.
  125. 1881 – Francis Ysidro Edgeworth (1845-1926) publica “Mathematical Psychics” (Psicologia Matemática), em que elabora os conceitos microeconômicos de curva de indiferença e de curva de contrato, sendo um dos pioneiros no uso da matemática em Economia.
  126. 1882 – Maffeo Pantaleoni (1857-1924) publica “Teoria da Transferência dos Tributos”.
  127. 1883 – Friedrich Engels redige “Discurso Ante o Túmulo de Marx”.
  128.  1884 - Eugen von Böhm-Bawerk (1851-1914) publica “Capital e Juros”; Friedrich von Wieser (1851-1926) publica ‘Sobre a Origem e as Principais Leis do Valor Econômico”, em que introduz o termo utilidade marginal e desenvolve uma lei do custo que veio a se chamar custo de oportunidade;
  129. Charles Gide (1847-1932) publica “Principes d’Économie Politique”, em que defende a criação de uma República Cooperativa.
  130. 1889 – Eugen von Böhm-Bawerk (1851-1914) publica “Teoria Positiva do Capital”, em que defende a ideia de que os juros são o resultado de mecanismos psicológicos em que o indivíduo valoriza o consumo presente e desvaloriza o consumo futuro; John Atkinson Hobson (1858-1940) publica “Physiology of Industry”, em que apresenta uma teoria do subconsumo.
  131.  1893 – Émile Durkheim (1858-1917) publica “Da Divisão do Trabalho Social”; Knut Wicksell (1851-1926) publica “Sobre Valor, Capital e Renda”, em que elabora uma teoria do valor e da distribuição a partir dos fundamentos marginalistas.
  132. 1894 – Mikhail Tugan-Baranovsky (1865-1919) publica “As Crises Industriais na Inglaterra Contemporânea”;
  133.  Vladimir Ititch Ulianov Lênin (1870-1924) publica seu primeiro trabalho “Quem são os Amigos do Povo e Como Lutam os Sociais-Democratas ?”.
  1. 1896 – Vilfredo Pareto (1848-1923) publica “Cours d’Economie Politique (2 vol.)”.
  2. 1898 – Knut Wicksell publica “Juros do Dinheiro e Preços das Mercadorias”, sua obra mais importante com grande impacto sobre as teorias monetária e dos ciclos econômicos.
  3. 1899 – John Bates Clark (1847-1938) publica “Distribution of Wealth”, em que apresenta o conceito de produto marginal; Thorstein Veblen (1857-1929) publica “The Theory of the Leisure Class” (A Teoria da Classe Ociosa), em que desenvolve o conceito de consumo conspícuo (das camadas de alta renda) e utiliza o termo cultura pecuniária relacionado ao Capitalismo; Vladimir Ilitch Ulianov Lênin (1870-1924) publica “O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia”.
  4. 1902 – Werner Sombart (1863-1941) publica “O Capitalismo Moderno”.
  5. 1904 – Max Weber (1864-1920) publica “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, obra seminal que estuda a influência do protestantismo no desenvolvimento do sistema capitalista. Weber faz uma associação entre Protestantismo e Capitalismo, concluindo que os protestantes tanto como classe dirigente, quanto como classe dirigida, sempre teriam demonstrado tendência para o racionalismo. Nesse livro, Weber desenvolve a ideia de que a acumulação de capital tem um sentido ético. Para Weber, a ética calvinista (da frugalidade, predestinação e dedicação ao trabalho), gera o crescimento da riqueza, um dos símbolos do capitalismo moderno; Thorstein Veblen (1857-1929) publica “The Theory of Business Enterprise” (A Teoria da Empresa), sua principal obra econômica.
  6. 1905 – Albert Einstein (1879-1955) envia seus escritos sobre a “Relatividade Restrita” para publicação na revista Annalen der Physik da Alemanha. Formula sua famosa equação: E = mc2.
  7. 1906 – Vilfredo Pareto (1848-1923) publica “Manual de Economia Política”, em que adota as curvas de indiferença criadas por Edgeworth e substitui o conceito de utilidade cardinal pelo conceito de utilidade ordinal.
  8. 1908 – Georges Sorel (1847-1922) publica “Les Illusions du Progress” (As Ilusões do Progresso).
  9. 1910 – Philip Henry Wicksteed (1844-1927) publica “The Common Sense of Political Economy”; Rudolf Hilferding (1877-1941) publica “O Capital Financeiro”.
  10. 1911 – Irving Fisher (1867-1947) publica “The Purchasing Power of Money” (O Poder de Compra do Dinheiro), em que formula a famosa equação da teoria quantitativa da moeda: MV=PT; Joseph Schumpeter (1883-1950) publica “Teoria do Desenvolvimento Econômico”, em que apresenta seu conceito de “destruição criadora”.
  11. 1912 – Joseph Schumpeter publica “Teoria da Evolução Econômica”; Joseph Stálin  (1879-1953) publica “O Marxismo e a Questão Nacional”.
  12. 1913 – Wicksell (1851-1926) publica “Conferências”; Rosa Luxemburgo (1870-1919) publica “A Acumulação de Capital”, sua mais importante obra, em que aponta o imperialismo como uma necessidade fundamental da acumulação capitalista; Wesley Clair Mitchel (1874-1948) publica “Ciclos Econômicos”, em que desenvolve o conceito de dinâmica econômica.
  13. 1915 – Nikolai Ivanovitch Bukharin (1888-1938) publica “A Economia Mundial e o Imperialismo”.
  14. 1916 – Vladimir Ititch Ulianov Lênin (1870-1924) publica sua mais importante obra “O Imperialismo, Etapa Superior do Capitalismo”; Albert Einstein (1879-1955) envia seus escritos sobre a “Relatividade Geral” para publicação na revista Annalen der Physik da Alemanha, que se constituíram na primeira exposição sistemática dessa teoria.
  15. 1917 - John Maurice Clark (1884-1963) publica “Business Acceleration and the Law of Demand” (Aceleração dos Negócios e a Lei da Demanda), em que apresenta o conceito de acelerador; Vilfredo Pareto (1848-1923) publica “Tratado de Sociologia Geral”.
  16. 1919 - Keynes (1883-1946) publica “The Economic Consequences of the Peace”, em que alerta para os perigos decorrentes das pesadas imposições feitas à Alemanha.
  17. 1920 – A. C. Pigou (1877-1959) publica seu trabalho clássico “Economics of Welfare” (Economia do Bem-estar Social), em que dá um caráter objetivo ao bem-estar, igualando a quantidade de satisfação no consumo de bens à quantidade de moeda despendida na sua aquisição. Esta obra é o ponto de partida para a análise do Estado de Bem-Estar Social.
  18. 1921 – Max Weber (1864-1920) tem publicada sua obra póstuma “Economia e Sociedade”.
  19. 1922 – Nikolai Dmitrievitch Kondratieff (1892-1930) publica “A Economia Mundial e suas Condições Durante e Depois da Guerra”; Max Weber publica postumamente “Metodologia das Ciências Sociais”, obra considerada de grande contribuição à teoria sociológica moderna.
  20. 1923 – John Maurice Clark (1884-1963) publica “Economics of Overhead Costs” (Economia dos Custos Fixos).
  21. 1925 – Werner Heisenberg (1901-1976), físico alemão, apresenta seus primeiros escritos sobre mecânica quântica; Nikolai Dmitrievitch Kondratieff (1892-1930) publica “As Ondas Seculares na Vida Econômica”; Maffeo Pantaleoni (1857-1924) tem publicado seu “Compêndio de Economia”.
  22. 1926 – Piero Sraffa (1898-1983) publica “The Laws of Return Under Competition Conditions”, em que mostrava que o pressuposto de concorrência perfeita não se aplicava a qualquer mercado real, mas sim à concorrência imperfeita ou monopolista. A maioria das empresas industriais podia usufruir de ganhos de escala. Nesse mesmo ano, Erwin Schrödinger (1887-1961), físico austríaco, apresenta seus primeiros escritos sobre a formulação da mecânica quântica ondulatória.
  23. 1928 - Nikolai Dmitrievitch Kondratieff (1892-1930) publica “Os Principais Ciclos Econômicos”.
  24. 1929 – Karl Mannheim (1893-1947) publica “Ideologie and Utopie”, um dos grandes trabalhos no campo da Sociologia.
  25. 1930 – Keynes publica “Treatise on Money”, base das análises do nível geral de preços.
  26. 1931 – Gunnar Karl Myrdal (1898-1987) publica “Monetary Equilibrium”, em que introduz os conceitos ex-ante e ex-post.
  27. 1932 – Adolf Berle (1895-1971) e Gardiner Means (1896-1988) publicam “Modern Corporate and Private Property”, em que sugerem que nas corporações modernas, há uma separação entre a propriedade do capital e o controle da administração das empresas, mostrando, também, o processo de concentração de capital nos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, Gustav Cassel (1866-1945) escreve “A Crise do Sistema Monetário Mundial”, em que defende o controle permanente do dinheiro em circulação; Johannes von Neumann (1903-1957) publica “Fundamentos Matemáticos da Mecânica Quântica”.
  28. 1933 – Joan Violet Robinson (1903-1983) publica “The Economics of Imperfect Competition”. Nesse mesmo ano, Simon Kuznets (1901-1981) publica seu famoso artigo “National Income”, em que expõe as várias definições e classificações da Contabilidade Nacional; Edward Hastings Chamberlin (1899-1967) publica “The Theory of Monopolistic Competition” em que transforma o conceito de monopólio de uma empresa no conceito de monopólio do produto da empresa, onde a publicidade apresenta grande importância nesse processo; Ragnar Frisch (1895-1973), criador do termo Econometria, publica “Propagation Problems and Impulse Problems in Dynamic Economics”; Michal Kalecki (1899-1970) publica “Esboço de Uma Teoria do Ciclo Econômico”, em que antecipa conceitos posteriormente desenvolvidos por Keynes; Bertil Gothard Ohlin (1899-1979) publica sua obra mais importante “Interregional and International Trade”.
  29. 1934 – Karl Popper (1902-1994) publica “A Lógica da Descoberta Científica”, em que utiliza uma abordagem positivista: uma teoria científica é um modelo matemático que descreve e codifica as observações por nós realizadas.
  30. 1935 – Kondratieff (1892-1938) publica “Os Ciclos Econômicos Longos”.
  31. 1937 – Jacob Viner (1892-1970) publica “Studies in the Theory of International Trade”. Nesse mesmo ano, John von Neumann (1903-1957) publica “A Model of General Economic Equilibrium”; Roberto Cochrane Simonsen (1889-1948) publica “História Econômica do Brasil”; Tjalling C. Koopmans (1910-1986) publica “Linear Regression Analysis of Economic Time Series” (Análise de Regressão Linear de Séries de Tempo Econômico).
  32. 1938 – Joseph Stálin (1879-1953) publica “O Materialismo Dialético” e “O Materialismo Histórico”.
  33. 1939 – Joseph Schumpeter (1883-1950) publica “Business Cycles”; Roy Forbes Harrod (1900-1978) publica “An Essay in Dynamic Theory”, em que apresenta um modelo de crescimento equilibrado; John Richard Hicks (1904-1989) publica “Value and Capital”, em que substitui o conceito de utilidade decrescente pelo conceito de taxa marginal de substituição; Michal Kalecki publica “Essay in the Theory of Economic Fluctuations” (Ensaios Sobre a Teoria das Flutuações Econômicas); Leonid Vitalovitch Kantorovitch (1912-1986) “O Método matemático de Organização do Planejamento da Produção”.
  34. 1940 – Evsey David Domar (1914-1997) publica “Capital Expansion, Rate of Growth and Employment”, em que apresenta sua teoria do crescimento; Colin Clark (1905-1989) publica “The Conditions of Economic Progress”.
  35. 1941 – Wassily Leontief (1906-1999) publica “The Structure of the American Economy 1919-1929: Na Empirical Application of Equilibrium Analysis”.
  36. 1942 – Paul Sweezy (1910-2004) publica “Teoria do Desenvolvimento Capitalista”; Joan Violet Robinson (1903-1983) publica “Na Essay on Marxian Economics”; Joseph Schumpeter (1883-1950) publica “Capitalismo, Socialismo e Democracia”, em que define claramente o conceito de “destruição criadora”.
  37. 1943 – Maurice Allais (1911-2010) publica “A la Recherche d’une Discipline Économique”; Michal Kalecki publica “Studies in Economic Dynamics”; Caio Prado Junior (1907- 1990) publica “História Econômica do Brasil”.
  38. 1944 – John von Neumann (1903-1957) e Oskar Morgenstern (1902-1977) publicam “Theory of Games and Economic Behaviour”, um marco nos estudos dos conflitos de interesses, em que apresentam uma teoria dos jogos estratégicos.
  39. 1945 – Karl Popper (1902-1994) publica “A Sociedade Aberta e seus Inimigos”.
  40. 1946 - Wesley Clair Mitchel (1874-1948) publica “Measuring Business Cycles”.
  41. 1947 – Paul Anthony Samuelson (1915-2009) publica “Foundations of Economic Analysis”, em que estende a utilização da matemática à dinâmica econômica.
  42. 1948 – Friedrich August von Hayek (1899-1992) publica “Individualism and Economic Order”; Paul Anthony Samuelson (1915-2009) publica “Economics: An Introductory Analysis”; Norbert Wiener (1894-1964), criador da Cibernética, publica “Cybernetics”, em que define essa matéria como o estudo do controle da comunicação no animal e na máquina, sendo precursor da economia da informação, em que associa o funcionamento de um comportamento ao funcionamento do cérebro; Thomas Southcliffe Ashton (1899-1968), historiador britânico, publica “Revolução Industrial”.
  43. 1950 - John Richard Hicks (1904-1989) publica “A Contribution to the Theory of the Trade Cycle”, em que apresenta os conceitos de investimento induzido e investimento autônomo.
  44. 1951 – Kenneth Arrow (1921- ) publica “Social Choice and Individual Values”; Jan Tinbergen (1903-1994) publica “Econometria”; James Eduard Meade (1907-1995) publica “Theory of International Economic Policy”; Wesley Clair Mitchel (1874-1948) publica “What Happens During Business Cycles”.
  45. 1952 – Joseph Stálin (1879-1953) publica “Problemas Econômicos do Socialismo na URSS”; Joseph Steindl (1912- 1993) publica “Maturity and Stagnation in American Capitalism”; Walt W. Rostow (1916- 2003) publica “Process of Economic Growth”.
  46. 1953 - Wassily Leontief (1906-1999) publica “Studies in the Structure of the American Economy: Theoretical and Empirical Explorations in Input-Output Analysis”.
  47. 1954 – Celso Furtado (1920-2004) publica “A Economia Brasileira”; William Arthur Lewis (1915-1990) publica sua principal obra “Development with Unlimited Supplies of Labour”, em que apresenta um modelo dual de desenvolvimento (setor rural, não-capitalista versus setor urbano, capitalista).
  48. 1956 – Joan Robinson publica “A Acumulação de Capital”. Nesse mesmo ano, Paolo Sylos-Labini (1920-2005) publica “Oligopólio e Progresso Técnico”, em que defende a prevalência dos oligopólios e sua ênfase no progresso tecnológico e na acumulação de capital; Ludwuig Edler von Mises (1881-1973) publica “The Anticapitalistic Mentality”, em que afirma ser impossível ao socialismo organizar-se de modo racional; François Perroux (1903-1987) publica “Théorie Générale du Progrès Économique”.
  49. 1957 – Gunnar Karl Myrdall (1920-2004) publica “Teoria Econômica e Regiões Subdesenvolvidas”.
  50. 1958 – John Kenneth Galbraith (1908-2006) publica “The Affluent Society” (A Sociedade Afluente), em que defende o controle dos monopólios e a proteção ao consumidor; Andreas Georgios Papandreou (1919-1996) publica “A Economia Como Ciência”.
  51. 1959 – Celso Furtado (1920-2004) publica “Formação Econômica do Brasil”.
  52. 1960 – Piero Sraffa (1898-1983) publica “A Produção de Mercadorias Por Meio de Mercadorias”; Oskar Lange (1904-1965), um dos fundadores da Econometria, publica “Ensaios Sobre planificação Econômica”; Walt W. Rostow (1916-2003) publica “Stages of Economic Growth”. Robert A. Mundell (1932 -  ) publica "The Monetary Dynamics of International Adjustment Under Fixed and Flexible Exchange Rates", 1960, QJE.
  53. 1962 – Ernest Mandel (1923-1995) publica “Traité d’ Économie Marxiste”; Walt W. Rostov (1916-2003) publica “The Process of Economic Growth”.
  54. 1963 – Thomas Friedman e Anna Schwartz publicam “A Monetary History of the United States, 1867-1960”; Joan Violet Robinson (1903-1983) publica “Essays on the Theory of Economic Growth”; Theodore William Schultz (1902 -1998) publica “The Economic Value of Education”; Maurice Dobb  (1900-1976) publica “Economic Growth and Underdeveloped Countries”.
  55. 1964 – Louis Althusser (1918-1990) publica “Lire le Capital”; George Stigler (1911-1991) publica “Theory of Price” (Teoria do Preço), em que critica o moderno capitalismo industrial; Herbert Marcuse (1898-1979) publica “Ideologia da Sociedade Industrial”; Theodore William Schultz (1902-1998) publica “Transforming Traditional Agriculture”.
  56. 1965 – Werner Baer, um “brazilianista”, publica “A Industrialização e o Desenvolvimento Econômico do Brasil”.
  57. 1966 – Paul Baran (1910-1964) e Paul Sweezy  (1910-2004) publicam “O Capitalismo Monopolista”; James Tobin (1918-2002) publica “National Economic Policy”.
  58. 1967 – Celso Furtado publica “Teoria Política do Desenvolvimento Econômico”. Robert Lucas (1937 -   ) publica "Optimal Investment Policy and the Flexible Accelerator", IER. Axel Leijonhufvud (1933 -  ) publica "Keynes and the Keynesians: A suggested interpretation", 1967, AER.
  59. 1968 - Axel Leijonhufvud (1933 -  ) publica “On Keynesian Economics and the Economics of Keynes: A study in monetary theory”, 1968.
    1. 1970 - Gunnar Karl Myrdall (1898-1987) publica “O Desafio da Pobreza Mundial”. Robert Barro (1944 -  ) publica "Inflation, the Payments Period and the Demand for Money", 1970, JPE. William F. Sharpe ( 1934 -  ) publica "Portfolio Theory and Capital Markets", McGraw-Hill Book Company (New York), 1970.
  60. 1971 - Theodore William Schultz (1902-1998) publica “Investment in Human Capital: The Role of Education and of Research”; Simon Kuznets (1901-1985) publica “Modern Economic Growth: Findings and Reflections”.
  61. 1972 – Ernest Mandel (1923-1995) publica “O Capitalismo Tardio”, em que, para o autor, o capitalismo monopolista é marcado pela terceira revolução tecnológica com o surgimento da automação e da energia nuclear a partir de 1945; Maria da Conceição Tavares (1931 - ) publica “Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro”.
  62. 1975 – É publicada no Brasil a obra de Charles Bettelheim (1913-2006) “A Luta de Classes na União Soviética”, em que defende a tese de que na URSS prevalecia não o Estado Socialista mas o Capitalismo de Estado.
  63. 1976 – Myron S. Scholes (1941 - ) publica “"Taxes and the Pricing of Options", 1976, JFE.
  64. 1978 – Subrata Ghatak (1953-  ) publica “Development Economics”. Myron S. Scholes (1941 -  ) publica "Dividends and Taxes", com M.H. Miller, 1978, JFE.
  65. 1981 – Raúl Prebish (1901-1985) publica “Capitalismo Periférico, Crise e Transformação”.
  66. 1983 – Arthur B. Laffer (1941 -  ) publica “Foundations of Supply-Side Economics”, com V.A. Canto y D.H. Joines, 1983.
  67. 1986 – Paul Romer (1955 - ) publica “Increasing Returns and Long-Run Growth”, marco da Nova Economia do Crescimento.
  68. 1987 – Carl Shapiro (1955 -  ) publica "Dynamic R&D Competition", com Gene M. Grossman, Economic Journal, June 1987.
  69. 1988 – Robert Lucas (1937 - ) publica "On the Mechanics of Economic Development".
  70. 1990 – Robert Lucas publica "Why Doesn't Capital Flow from Rich to Poor Countries?",  AER
  71. 1991 – Gregory Mankiw (1958 -  ) publica  “New Keynesian Economics”, volumes 1 e 2, editor, com David Romer, MIT Press.
  72. 1992 – Arthur B. Laffer (1941 -  ) publica “Investment Strategy and State and Local Economic Policy”, con Victor A. Canto y Robert I. Webb, 1992.
  73. 1993 – Carl Shapiro (1955 -  ) publica "The Dynamics of Bandwagons”, com Joseph Farrell, in Problems of Coordination in Economic Activity, James W. Friedman, ed., Kluwer Press, 1993. Clive W. J. Granger (1934-2009) publica “Empirical Modeling in Economics: Specification and Evaluation”. Cambridge University Press, 1999. Axel Leijonhufvud (1933 -  )publica "Towards a Not-Too-Rational Macroeconomics", 1993, Southern EJ.
  74. 1995 – Gregory Mankiw (1958 -  ) publica “The Growth of Nations”, Brookings Papers on Economic Activity, 1995:1, 275-326.
  75. 1997 – Edmund S. Phelps (1933 -  ) publica "The Rise and Downward Trend of the Natural Rate", com  G. Zoega, 1997, AER. Amartya Sen (1933 -  ) publica “On Economic Inequality, Extended Edition”, Oxford: Clarendon Press, 1997 (anexos com James Foster). Robert A. Mundell (1932 -  ) publica "The International Adjustment Mechanism of the Balance of Payments," 1997, Zagreb Journal of Economics.
  76. 1998 – Gregory Mankiw (1958 -  ) publica “Principles of Economics”, The Dryden Press (Harcourt College Publishers); 2ª ed., 2001. Edmund S. Phelps (1933 -  ) publica "Moral Hazard and Independent Income in a Modern Intertemporal-Equilibrium Model of Involuntary Unemployment and Mandatory Retirement," 1998, in Chichilnisky, editor, Markets, Information and Uncertainty.
  77. 2000 – Huerta de Soto (1956 -  ) publica “La Escuela Austriaca: mercado y creatividad empresarial”. Carl Shapiro (1955 -  ) publica “Competition Policy: A Century of Economic and Legal Thinking”, com William Kovacic, Journal of Economic Perspectives. William F. Sharpe (1934 -  ) publica “Fundamentals of Investments (Third Edition, com Gordon J. Alexander  e Jeffrey V. Bailey), Prentice-Hall, 2000.
  78. 2001 – Carl Shapiro (1955 -  ) publica “Scale Economies and Synergies  in Horizontal Merger Analysis”, com Joseph Farrell, Antitrust Law Journal, vol. 68, no. 3, 2001.James A. Mirrlees (1936 -  ) publica "Economic Policy Reform: The Second Stage".      
  79. 2002 – Gregory Mankiw (1958 -  ) publica “What Measure of Inflation Should a Central Bank Target?”, com Ricardo Reis, 2002, Journal of the European Economic Association.Joseph Stiglitz (1943 -  ) publica “Globalization and Its Discontents”, W.W. Norton & Company, June 2002.
  80. 2003 – Jeffrey Sachs (1954 -  ) publica “Macroeconomics in the Global Economy”, Westview Pres. Joseph Stiglitz (1943 -  ) publica “Towards a New Paradigm in Monetary Economics”, com Bruce Greenwald, Cambridge University Press, 2003.
  81. 2005 – Jeffrey Sachs (1954 -  ) publica “The End of Poverty: Economic Possibilities for Our Time”, Penguin Press.

Não há como dissociar as grandes obras de Economia das grandes obras do pensamento filosófico ao longo da história, nem das grandes obras no campo científico.

5 – CRONOLOGIA DE FATOS HISTÓRICOS IMPORTANTES


1.    1750 a.C. – Hammurabi funda o Império Babilônico.
2.    1457 a.C. – Primeira batalha registrada na história universal (Meggido) vencida pelos egípcios.
3.    1166 a.C. – Morte de Ramsés III, último grande faraó do Egito.
4.    753 a.C. – Data que a tradição assume como da fundação de Roma.
5.    550 a.C. – Ciro II, o Grande, da Pérsia, derrota os medos e funda o Império Persa.
6.    387 a.C. – Platão funda em Atenas a Academia, sua própria escola de investigação científica e filosófica.
7.    334 a.C. – Alexandre Magno, da Macedônia, invade a Ásia Menor e conquista o Egito (332), a Pérsia (330) e chega à Índia (329).
8.    323 a.C. – Morte de Alexandre Magno: o império é dividido entre Macedônia, Egito, Síria e Pérgamo.
9.    149 a.C. – Terceira Guerra Púnica: Roma destrói Cartago e funda a província da África.
10. 49 a.C. – Júlio César conquista a Gália.
11. 47-45 a.C. – Guerra Civil em Roma: Júlio César se torna o chefe único de Roma. Transição da República para o Império.
12. 31 a.C. – Cleópatra é derrotada pelos romanos na batalha naval de Ácio e Roma domina o Egito e toda a herança deixada por Alexandre Magno.
13. 30 a.C. – Morte de Marco Aurélio e Cleópatra (suicida-se deixando-se envenenar por uma serpente): o Egito se transforma em província romana.
14. 27 a.C. – Queda da República e início da Império Romano.
15. 27 – Jesus Cristo é morto e seus discípulos se espalham pelo mundo.
16. 43 – Invasão romana das Ilhas Britânicas.
17. 79 – As cidades romanas de Pompeia e Herculano são enterradas por lava e cinzas lançadas pelo vulcão Vesúvio.
18. 100 – A Pax Romana facilita o comércio em todo o Mediterrâneo.
19. 171 – O Império Romano alcança as suas fronteiras máximas.
20. 190 - É inventado o ábaco.
21. 325 – O Cristianismo, antes perseguido, torna-se a religião oficial do Império Romano.
22. 406 – Os vândalos invadem e saqueiam a Gália e a Espanha.
23. 410 – Os visigodos saqueiam Roma.
24. 429 – Reino vândalo no norte da África.
25. 486 – Reino franco fundado por Clodoveo.
26. 493 – Os ostrogodos (ou godos) tomam o poder na Itália.
27. 711 – Invasão muçulmana da Espanha.
28. 793 a 1100 – Os vikings atacam em diversos pontos da Europa.
29. 1204 – Os cruzados saqueiam Constantinopla.
30. 1215 – Carta Magna: Os barões ingleses impõem concessões ao Rei João Sem Terra.
31. 1415 – Os portugueses capturam Ceuta, no atual Marrocos, dando início ao Império Africano Português.
32. 1434 – Os portugueses exploram ao sul do Cabo Bojador, dando início às viagens pelo costa oeste africana. Gil Eanes, navegador português, passa o Cabo Bojador.
33. 1487 – Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança pela primeira vez na história, abrindo caminho para as futuras viagens à Índia.
34. 1491 – Nasce Santo Ignácio de Loyola.
35. 1492 – Cristóvão Colombo descobre a América pensando ter chagado à Índia.
36. 1493 – O Tratado de Tordesilhas divide o Novo Mundo entre Portugal e a Espanha.
37. 1493-1494 – O navegador português Pero da Covilhã entra na Etiópia.
38. 1497 – O navegador português Vasco da Gama dobra o Cabo da Boa Esperança.
39. 1498 – Vasco da Gama descobre o caminho marítimo para as Índias, fazendo a primeira travessia de ida e volta de um europeu à Índia.
40. 1500 – Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
41. 1505 – Os portugueses estabelecem feitorias na África Ocidental.
42. 1511 – Os portugueses tomam Málaca.
43. 1514 – Fernão de Magalhães, navegador português a serviço da Espanha, empreende a primeira viagem de circunavegação ao redor do mundo.
44. 1515 – Os navegadores portugueses chagam a Timor na Ásia.
45. 1517 – Martinho Lutero apresenta suas teses nas portas da Catedral de Wittenber.
46. 1521 – Martinho Lutero é proscrito e dá início à Reforma Protestante.
47. 1541 – João Calvino funda a Igreja Reformada, em Genebra.
48. 1542 – Reestruturação da Inquisição.
49. 1545 – Concílio de Trento: começo da Contra-Reforma.
50. 1550 – Os navegadores portugueses chegam a Macau, na China.
51. 1553 – O padre José de Anchieta chega ao Brasil.
52. 1555 – Os navegadores portugueses chegam ao Japão: primeiro contato entre os europeus e os japoneses.
53. 1560 – Os portugueses iniciam o cultivo da cana-de-açúcar no Brasil.
54. 1571 – Os portugueses criam uma colônia na atual Angola.
55. 1572 – Noite de São Bartolomeu. Os choques de religião levaram ao massacre de protestantes em Paris e suas províncias.
56. 1598 – Um príncipe protestante – Henrique de Navarra – torna-se rei (como Henrique IV) e assina o Édito de Nantes que consagrava liberdade de culto.
57. 1608 – Nasce o padre Antonio Vieira.
58. 1633 – Galileu Galilei (1564-1642) teria murmurado a frase “Eppur si muove” (“mas ela se move”), após rejeitar publicamente, diante de um tribunal da Inquisição em Roma, sua crença de que a Terra gira em torno do sol.
59. 1662 – Batalha de Ambuik: os portugueses destroem o reino do Congo.
60. 1688 – Revolução Inglesa ou Revolução Gloriosa: é implantada a monarquia constitucional inglesa. É iniciada a Idade Moderna.
61. 1697 – Morre o padre Antonio Vieira.
62. 1699 – Nasce o Marquês de Pombal, em 13 de maio.
63. 1755 – Ocorre um forte terremoto que destrói a Cidade de Lisboa. O Marquês de Pombal cria a Companhia geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, dando-lhe direitos exclusivos de navegação, tráfico de escravos e compra e venda drogas do sertão.
64. 1759 – A Companhia de Jesus é expulsa de Portugal pelo Marquês de Pombal e seus domínios e seus bens são seqüestrados.
65. 1763 – A capital da colônia transfere-se de Salvador para o Rio de Janeiro.
66. 1776 – Independência dos Estados Unidos.
67. 1777 – Com a morte de D. José I, sobe ao trono de Portugal D. Maria I.
68. 1789 – Revolução Francesa: é abolido o sistema feudal francês e é proclamada a Declaração dos Direitos do Homem. George Washington assume como primeiro presidente dos Estados Unidos.
69. 1792 – É proclamada a República Francesa, dando início às guerras da Revolução Francesa.
70. 1804 – Napoleão é proclamado Imperador da França; independência do Haiti.
71. 1807 – Abolição do comércio de escravos dentro do Império Britânico.
72. 1810 – Independência da Colômbia.
73. 1811 – Independência da Venezuela e do Paraguai.
74. 1815 – Napoleão é derrotado em Waterloo e exilado em Santa Helena.
75. 1818 – Independência do Chile.
76. 1821 – Independência do Peru.
77. 1822 – Independência do Brasil; a Libéria é fundada como colônia de escravos libertos.
78. 1825 – Independência da Bolívia.
79. 1840-1881 – Período considerado a “Era Dourada” do crescimento econômico do liberalismo no século XIX, caracterizado por forte expansão do comércio internacional e das economias mais desenvolvidas, impulsionadas pela expansão das ferrovias e seus efeitos impulsionadores da atividade econômica.
80. 1850-1870 - Período caracterizado pelo crescimento acelerado da economia mundial, liderada pela Inglaterra, havendo: (1) fortes investimentos e expansão do comércio internacional; (2) multiplicação dos meios de transportes, especialmente estradas de ferro e linhas de telégrafo; (3) forte expansão dos setores de bens de capital e da química. É um período em que a Alemanha e os EUA assumem a liderança do processo de industrialização mundial.
81. 1861 – Início da Guerra Civil Americana.
82. 1864 – Começa a Guerra do Paraguai contra o Brasil, Argentina e Uruguai.
83. 1865 – Fim da Guerra Civil Americana; abolição da escravatura nos Estados Unidos; assassinato de Lincoln.
84. 1869 – É aberto o Canal de Suez.
85. 1870-1914 – Período marcado pelo primeiro grande movimento de capitais internacionais de longo prazo e pelo incremento dos fluxos internacionais de comércio.
86. 1875 – Começa o crescimento dos partidos socialistas e trabalhistas na Europa.
87. 1889 – proclamação da República no Brasil.
88. 1890 – Eleição da Assembléia Constituinte no Brasil.
89. 1891 – É promulgada a Constituição elaborada por uma Assembléia Constituinte de teor federalista, com inspiração na Constituição dos Estados Unidos. Era concedido direito de voto aos maiores de 21 anos, excluindo-se analfabetos e mulheres. Nesse mesmo ano, ocorre uma Revolta Federalista no Rio Grande do Sul.
90. 1891-1894 – Governo Floriano Peixoto.
91. 1893 – Rebelião de Canudos.
92. 1894-1898 – Governo Prudente de Morais.
93. 1898-1902 – Governo Campos Sales.
94. 1898-1930 – República Velha.
95. 1900 – Max Planck dá os primeiros passos para a teoria quântica. A mecânica quântica parte de minúsculas partículas que não possuem mais posições e velocidades definidas. A hipótese fundamental é que há um elemento aleatório, imprevisível nas leis básicas da natureza. A mecânica quântica incorpora o princípio da incerteza.
96. 1902-1906 – Governo Francisco Alves.
97. 1903 – Os irmãos Orville e Wright teriam levantado, pela primeira vez, três anos antes de Santos Dumont, uma aeronave mais pesada do que o ar, a 17 de dezembro.
98. 1906-1909 – Governo Afonso Pena.
99. 1909-1910 – Governo Nilo Peçanha.
100.             1910-1914 – Governo Marechal Hermes da Fonseca.
101.             1914 – 1918 – Primeira Guerra Mundial. Nesse período o sistema de “laissez-faire” é substituído por um sistema de planejamento. Após a Guerra, os países capitalistas tentam retornar aos princípios do liberalismo econômico. No Brasil, Governo Wenceslau Braz.
102.             1916 – Promulgado o Código Civil Brasileiro.
103.             1917 – Revolução Russa, em que o marxismo se torna a doutrina econômica oficial da Rússia. O czar abdica ao trono (em março) e os bolcheviques tomam o poder (em novembro), sendo estabelecido o primeiro Estado socialista da História.
104.             1918-1919 – Governo Delfim Moreira.
105.             1919-1922 – Governo Epitácio Pessoa.
106.             1920 – É criada a Sociedade das Nações, em Genebra.
107.             1922 – È criado o Partido Comunista Brasileiro.
108.             1923 – Rebelião militar no Rio Grande do Sul.
109.             1922-1926 – Governo Artur Bernardes.
110.             1924 – Inicia-se a “Nova Política Econômica” na antiga União Soviética. No Brasil, rebelião militar em São Paulo.
111.             1926-1930 – Governo Washington Luís.
112.             1929 – Crack da Bolsa de Valores de Nova York e início da Grande Depressão econômica no mundo capitalista.
113.             1930 – Revolução de 1930 no Brasil.
114.             1933 – O presidente norte-americano Roosevelt dá início nos Estados Unidos ao “New Deal”, um programa econômico para fazer face à Grande Depressão.
115.             1934 – Começa a “Longa Marcha” comunista na China.
116.             1939 – 1945 – Segunda Guerra Mundial.
117.             1944 – Conferência Internacional de Bretton Woods, que visou a reorganização das economias capitalistas e que contou com a participação do famoso economista inglês John Maynard Keynes.
118.             1945 – Os Estados Unidos lançam bombas atômicas no Japão. Conferência de Yalta que dividiu o mundo em duas áreas de influência: A União Soviética e seus satélites e os Estados Unidos e seus subordinados. É iniciada a Guerra Fria.
119.             1945 – 1973 – Período de extraordinária expansão econômica nos países capitalistas desenvolvidos, sob a orientação de políticas econômicas keynesianas. Nesse período, a economia internacional experimentou um período de forte crescimento sustentado da produtividade do trabalho nos países capitalistas mais desenvolvidos.
120.             1947 – É criado o Plano Marshall para a reconstrução econômica da Europa destruída pela Guerra. A Guerra Fria se intensifica e é anunciada a doutrina de Trumam, presidente americano.
121.             1948 – É criada a Organização dos Estados Americanos – OEA, a 30 de abril.
122.             1949 – É criada a OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte, cujo objetivo é suplantar militarmente o Comunismo.
123.             1953 – Morre Stálin a assume Kruschev na União Soviética.
124.             1955 – Assinatura do Pacto de Varsóvia.
125.             1956 – A URSS invade Budapeste abortando tentativa de liberalização do regime.
126.      1957 – É criado o Mercado Comum Europeu - MCE, a 25 de março.
127.             1959 – Revolução Cubana.
128.             1960 – A China e a União Soviética cortam relações.
129.             1961 – A Alemanha Oriental contrói o Muro de Berlim.
130.             1962 – Crise dos mísseis em Cuba.
131.             1963 – Assassinato do presidente Kennedy; criação da Organização de Unidade Africana – OUA.
132.             1964 – Cai Kruschev e assume Leonid Brejnev na União Soviética.
133.             1968 – A URSS invade Praga.
134.             1973 – Primeira Crise do Petróleo.
135.             1974 – Revolução dos Cravos em Portugal põe fim à ditadura e inicia a descolonização; Nixon renuncia à presidência dos Estados Unidos.
136.             1975 – Morte de Franco na Espanha; o rei Juan Carlos I dá início ao processo de democratização; independência de Angola e Moçambique.
137.             1979 – Segunda Crise do Petróleo; Queda do xá do Irã e estabelecimento de uma República Islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini.
138.             1980 – Início da Guerra Irã-Iraque.
139.             1982 – Morre Brejnev e assume o poder na União Soviética Iuri Andropov; Guerra das Malvinas entre a Argentina e a Grã-Bretanha.
140.             1985 – Michail Gorbatchev assume o poder na União Soviética e dá início à Glasnost e à Perestroika.
141.             1986 – É lançado no Brasil o Plano Cruzado, no Governo de José Sarney.
142.             1989 – Queda do muro de Berlim e colapso da União Soviética e dos regimes comunistas; é lançado no Brasil o Plano Verão, pelo ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega; intervenção militar dos Estados Unidos na Panamá.
143.             1990  – O Iraque invade o Kuwait; reunificação da Alemanha.
144.             1991 – Guerra do Golfo contra o Iraque; início da guerra da Iugoslávia; Boris Ieltsin, um não-comunista, assume o poder na Federação Russa; dissolução do Pacto de Varsóvia.
145.             1992 – Assinatura do Tratado de Maastricht na União Européia.
146.             1993 – É criado o NAFTA – North América Free-Trade Agreement, entre Estados Unidos, Canadá e México.
147.             1994 – Fernando Henrique Cardoso assume o Ministério da Fazenda no Governo Itamar Franco.
148.             1997 – Forte queda na Bolsa de Hong-Kong, em outubro e novembro.
149.             2001 – Atentados com aviões em Nova York destroem o World Trade Center e parte do Pentágono, em 11 de setembro, provocando o caos na economia mundial. Início da Guerra do Afeganistão e fim do governo liderado pelos talibans.
150.             2002 – Independência de Timor-Leste. O euro torna-se a moeda oficial da maioria dos países da União Europeia.
151.             2003 – Invasão do Iraque pelos Estados Unidos e Reino Unido e derrubada e prisão de Saddam Hussein; o presidente Lula assume o poder no Brasil.
152.             2004 – Morte de Yasser Arafat. Ocupação do Haiti por tropas da ONU.
153.             2005 – Morte do papa João Paulo II.
154.             2006 – Os ditadores da Sérvia, Slobodan Milosevic, e do Chile, Augusto Pinochet, julgados por crimes contra a humanidade, morrem antes do veredicto. Nesse mesmo ano, ocorre a cisão da Sérvia e Montenegro.
155.             2008 – Fidel Castro afasta-se do governo em Cuba. Declaração de independência do Kosovo.
156.             2009 – Barack Obama toma posse como presidente dos Estados Unidos.
157.             2010 – A crise grega gera pânico na economia mundial, depois que a agência de classificação de riscos Standard & Poors rebaixou a dívida soberana da Grécia para o nível junk (lixo). Aprofundamento da crise econômica na União Europeia provocada pelo aumento do déficit público e da dívida pública em diversos países.
158.             2011 – A Presidente Dilma Roussef assume o poder no Brasil. Morte de Kadahfi. Revolução popular nos países árabes, com a deposição de diversos líderes. Aprofundamento da crise econômica e política na Europa. Mudanças de governos na Europa. Morte de Bin Laden.

6 – FASE PRÉ-CIENTÍFICA DO PENSAMENTO ECONÔMICO



1.    O Mundo Em Que Vivemos, de Onde Viemos e Para Onde Iremos

Os seres humanos vivem num eterno dilema: quanto mais sabem, menos acham que sabem. Sabemos que o Sistema Solar orbita em torno do centro da Galáxia a 220 quilômetros por segundo, e que a Terra orbita o Sol a 30 quilômetros por segundo. Sabemos que a luz se desloca no espaço a 300 mil quilômetros por segundo. Sabemos que há 15 bilhões de anos ocorreu uma gigantesca explosão (o Big-Bang) e que se formou um universo ardente, opticamente denso e inflacionário. Que há 12 bilhões de anos a matéria e a energia se separaram e o Universo ficou transparente. Que há 11 bilhões de anos aglomerados de matéria formaram protogaláxias, onde núcleos mais pesados são sintetizados. Que há 8 bilhões de anos galáxias como a nossa se formaram, com núcleos maiores. Que há 5 bilhões de anos o nosso sistema solar se formou, com planetas em órbita. Que há 4 bilhões de anos a vida surge na Terra, nos oceanos. Surge, então, a molécula DNA, que é a base de toda a vida na Terra. Que o DNA tem informações genéticas (o código genético) e que foi descoberto em 1953 pelos cientistas Francis Crick (inglês) e James Watson (americano). Que há 3 bilhões de anos e meio formas de vida começam a aparecer em nosso planeta. Que há 5 milhões de anos aparecem os primeiros seres humanos no planeta. É então que toda essa confusão em nosso planeta começou. Que ao longo deste milênio a população mundial crescerá tanto que o consumo de energia deixará a Terra incandescente. Sabemos que em 2011 a população mundial alcançou os incríveis 7 (sete) bilhões de habitantes. Que um final possível de tudo isso será um Big-Crunch (Grande Contração), no qual toda a matéria será sugada de volta por um vasto e cataclísmico poço de gravidade. Mas, além de que nós não estaremos mais aqui nem para saber, nem para contar a história, sequer sabemos se tudo é mesmo verdade.

2.    A Pré-História e o Princípio da Escassez

Os Hominídeos formam a família de primatas simiiformes que inclui os gêneros parantropo, australopiteco e homo.  Homo é o gênero de primatas simiiformes, hominídeos, ao qual pertence a espécie humana. São espécies desse gênero a Homo habilis, a Homo erectus e a Homo sapiens. Os adjetivos latinos habilis (hábil), erectus (ereto), sapiens (inteligente) expressam a característica principal do gênero no tempo. O homem moderno pertence à subespécie Homo sapiens sapiens.

A preocupação fundamental dos primeiros homens era sobreviver num ambiente cada vez mais hostil. Era a luta do Homem contra a natureza (fome, sede, frio, calor, doenças e feras) e a escassez. Surge, então, uma forma primitiva de pensamento econômico. Sendo a Economia a “Ciência da escassez”, o pensamento econômico tenderá a girar em torno desse conceito. Portanto, sendo a escassez a realidade mais cruel dos primeiros homens, podemos dizer que o pensamento econômico já estava presente àquele tempo, relacionado com o conceito de escassez.



3.    Os Primeiros Homens: 4 milhões – 1.700.000 aC.

·         Hominídios: 4-5 milhões de anos. Primeiros hominídeos bípedes conhecidos em Rift Valley, África Ocidental.
·         Homo habilis: 2-5 milhões de anos. Primeiro fóssil Homo habilis (cérebro maior, crânio mais arredondado e rosto perfeitamente humano), na África; primeiros utensílios de pedra em Hadar, Etiópia.
·         1,75 milhão de anos: Primeiro refúgio humano conhecido, em Olduvai Gorge, Quênia.
·         Homo Erectus (ereto): 1.500.000 anos (o homem fica de pé). Os hominídeos descem das árvores e vão viver na savana. Primeiras jazidas do Homo erectus e diversificação dos utensílios de pedra.
·         850.000 anos – Os primeiros hominídeos chegam à Europa partindo da África; início do Paleolítico Inferior europeu.
·         500.000 anos – O homem de Java (Pithecanthropus erectus).
·         200.000 anos – São produzidas manufaturas de facas e pontas triangulares no Oriente Próximo e Norte da África (Paleolítico Médio).
·         Homo Sapiens Sapiens (inteligente): 100.000 anos. Primeiras evidências do homem moderno, na África Oriental e Meridional. Desenvolvimento da caça, pesca, coleta de alimentos na natureza, utilização do fogo e de utensílios de pedra.
·         40.000 anos – Primeiros utensílios de pedra lascada (Período paleolítico) nas ilhas do Sudeste da Ásia.
·         35.000 anos – Início do Paleolítico Superior; aparece o homem moderno na Europa.
·         Homem de Neanderthal: Entre 40.000 e 30.000 anos (descoberto na Alemanha em 1856, no vale de Neandher). O Homem de Neanderthal e o homem moderno (Homo sapiens sapiens) teriam co-habitado na Europa durante milhares de anos (entre 40.000 e 30.000), data à qual os neanderthais teriam desaparecido misteriosamente.
·         10.000 anos – Era Glacial e Homem de cro-magnon.
·         Período Mesolítico: Entre 8.000 e 6.000 a.C.
·         Período Neolítico – Entre 6.000 e 3.000 a.C.: Revolução agrícola e domesticação de animais. Pedra polida.
·         4.000 a.C. – Difusão da revolução agrícola. Utilização de metais, ideogramas, roda, vela e calendário.
·         Idade do Bronze – Entre 3.000 e 2.000 a.C.
·         Idade do Ferro – Entre 2.000 a.C. e 0.

4.    Surgimento da Metalurgia (Idade dos Metais): 9.000 – 1.000 aC.

O desenvolvimento da metalurgia representa uma ruptura tecnológica na história da evolução do Homem. O domínio dos metais permite-lhe produzir os instrumentos que levarão ao desenvolvimento da agricultura (arados, etc.) e à produção de armas, aumentando sua capacidade defensiva e ofensiva contra os animais e os inimigos. Os primeiros metais utilizados pelo homem foram o cobre e o ouro. O cobre já era utilizado para fabricar ferramentas e armas há nove mil anos.

·         4.000 a.C. - Começa no Oriente Próximo a fundição do bronze.
·         3.000 a.C. – Difusão do trabalho de cobre na Europa.
·         2.300 a.C. – Começo da Idade do Bronze na Europa.
·         2.000 a.C. – Começa a metalurgia do ferro na Ásia Ocidental.

5.    Desenvolvimento da Agricultura: 8.000 – 2.000 a.C.

A agricultura se desenvolve praticamente em paralelo à descoberta da metalurgia. O homem passa a dominar os metais que lhe permitem criar a agricultura dominando a terra e passando a não depender tanto da caça, da pesca e da coleta de alimentos na natureza. As populações crescem, levando ao surgimento dos primeiros aglomerados urbanos, as cidades.

·         4.000 a.C. – Primeiro uso do arado.
·         3.000 a.C. – Técnicas agrícolas e arado se difundem na África Central.

6.    Antiguidade: criação da linguagem escrita: 4.000 a.C.

Antiguidade é o período histórico que começa com as civilizações mais antigas e que termina com a queda do Império Romano do Ocidente no século V da Era cristã.

·         3.200 a.C. – Começa a inscrição escrita na Mesopotâmia (atual Iraque).

7.    Primeiros Assentamentos Urbanos (Civilizações): 6.000 – 1.000 a.C.

Civilização é o conjunto de características culturais, econômicas, materiais e tecnológicas relativas à vida social em coletividade, configurando o modo como os conhecimentos, técnicas, bens e realizações materiais, valores, costumes e gostos evoluem no tempo. O modelo das sociedades ocidentais modernas é caracterizado por apresentar diferenciação social, divisão do trabalho, urbanização e concentração de poder político e econômico.

A ideia de civilização está associada a viver na cidade. As primeiras civilizações surgiram à beira de rios, fato que facilitava a atividade agrícola, base de sua economia, as comunicações com outros povos e a defesa contra os inimigos. As primeiras civilizações teriam surgido nos seguintes locais:

·         Mesopotâmia (atual Iraque): confluência dos rios Tigre e Eufrates.
·         Vale do rio Nilo (Egito).
·         Vale do rio Indo (Índia). Em 2.750 a.C. começa o desenvolvimento da civilização no Vale do Indo.
·         Vale do rio Amarelo (China).

8.    Civilização Egípcia: 6.000 – 31 a.C.

A civilização egípcia foi uma das mais importantes da Antiguidade, com grandes realizações artísticas na arquitetura, na escultura e na pintura. A economia egípcia foi uma espécie de precursora da economia keynesiana, com a realização de grandes obras patrocinadas pelos faraós (Estado). Realizaram-se grandes obras (pirâmides e túmulos) por volta do ano 2700 a.C. (começo do Antigo Império do Egito). Houve grande progresso na medicina, astronomia e matemática. Foi utilizado trabalho escravo, sob regime de servidão coletiva ao Estado. Os escravos eram, em geral, povos vencidos em batalhas pela conquista de novos territórios.

Os egípcios inventaram o carro de guerra, poderosa arma de Infantaria, feito com madeira e reforçado com placas de ouro e metais. Inventaram, também, o arco composto. Essas armas deram-lhes supremacia militar. Os egípcios antigos desenvolveram a irrigação, construíram açudes, canais e mecanismos de elevação da água.

A economia egípcia era controlada pelo Estado na figura dos faraós. A agricultura era a base da economia egípcia, gerando, muitas vezes, excedente agrícola que era comercializado com outros povos.



A maioria da população do Egito Antigo era basicamente formada por camponeses agricultores e suas principais plantações eram o trigo, a cevada, o linho e a uva. Os egípcios criaram gado e aves e produziram mel.

A referência bíblica aos anos de vacas magras e de vacas gordas na produção de alimentos no Egito é vista, por muitos, como a precursora da “análise” dos ciclos econômicos, em que períodos de expansão econômica são seguidos por períodos de recessão ou depressão econômica.

Não é conhecido nenhum trabalho escrito de teor econômico da época da civilização egípcia.

9.    Civilização Grega: 6.000 – 31 a.C.


A Civilização Grega exerceu e continua exercendo grande influência sobre a cultura ocidental. A organização política grega foi baseada em cidades-estados (polis) como unidades políticas independentes, utilizando um sistema em que predominavam as oligarquias locais nas várias cidades-estados, tendo como interesse comum a defesa de seus territórios contra as invasões perpetradas pelo Império Persa. Diversas guerras foram travadas entre as cidades-estados, que acabaram levando à anexação de Atenas por Esparta. A Guerra do Peloponeso (431-404 a. C.) foi a mais importante batalha travada entre elas.

A Grécia foi influenciada pela cultura egípcia e herdou métodos científicos dos povos mesopotâmicos (estudo dos astros, sistemas matemáticos, sistemas de pesos e medidas, escalas musicais e o sistema de calendário solar).

A economia grega era à base do comércio, em especial o marítimo, e da agricultura. Apresentou grande desenvolvimento da metalurgia e o surgimento da economia privada. Teve grande desenvolvimento econômico com a utilização do sistema monetário desenvolvido pelos lídios, povo que se localizou na costa ocidental da atual Turquia. Teve grande progresso na arquitetura, medicina, astronomia, matemática, geografia, ciências e filosofia, seu grande legado. Utilizou trabalho escravo. A riqueza e o poder dos gregos advinham da atividade comercial.

Alexandre Magno (ou Grande) (356-323 a. C.) transformou e desenvolveu o mundo grego ao tornar possível o acesso ao Oriente Médio. Definindo Globalização como o amplo processo de intensificação das relações econômicas, financeiras, tecnológicas, políticas, diplomáticas, culturais, jurídicas e militares entre as diversas nações do planeta, podemos dizer que a primeira globalização limitada da História ocorreu com a expansão do Império de Alexandre, O Grande, na Ásia Menor.

A Cidade-Estado de Atenas teve o primeiro governo democrático da história, por volta do século V a.C., em que todo o poder do Estado se concentrava na assembleia, na qual cada cidadão poderia votar, sendo a maioria dos cargos decididos por sorteio entre todos os cidadãos atenienses.

460 – 430 a.C. : Atenas, sob o governo de Péricles, atingiu o apogeu de sua vida política e cultural, tornando-se a Cidade-Estado mais importante da Grécia, com a vitória sobre os persas e o domínio da Ásia Menor e do Mediterrâneo.
338 a.C. :Batalha de Queroneia, Filipe da Macedônia conquista o mundo grego, pondo fim ao Império Helênico.
323 a.C.: Morre Alexandre Magno, O Grande.
155 a.C.: Embaixada de filósofos gregos ao senado romano.
529 d.C.: O imperador Justiniano do Império Romano do Oriente fecha a escola ateniense.

8.1. Os Grandes Filósofos Gregos

Tales de Mileto (séc. VI a.C.): com Tales de Mileto a tradição considera o ponto inicial da investigação científico-filosófica do mundo ocidental, com o começo da linhagem dos filósofos-políticos e dos filósofos-legisladores.

Escola Mecânica de Alexandria (séc. III a.C.): levou à invenção de relógios de água, máquinas hidráulicas e máquinas de guerra acionadas por ar comprimido.

Nos séculos V e VI antes de Cristo, os sofistas Hípias, Protágoras, etc. representaram as correntes individualistas, que combatiam a intervenção do governo na sociedade, e que tinham uma visão de mundo parecida com a dos economistas fisiocratas e clássicos do século XVIII.

Sócrates (470/69 – 399 a.C.)

Duas máximas socráticas são: “Só sei que nada sei” e “Conhece-te a ti mesmo”. Sócrates foi acusado de corromper a juventude, por difundir ideias contrárias à religião tradicional, e condenado a morrer bebendo cicuta.



Platão (427-347 a.C.) foi o maior pensador da Antiguidade. Para ele, o primado da política torna-se o primado da verdade, da ciência e o conhecimento do mundo físico deve ser construído utilizando a matemática. A renascença, dois milênios depois, retoma esse princípio platônico cientificamente rigoroso.

Platão pertence à chamada corrente socialista de pensamento. Em sua obra “República”, Platão apresenta um socialismo em que o Estado ideal é um Estado onde reine a justiça e no qual possa o cidadão dedicar o máximo de seu tempo aos estudos filosóficos e à atividade política. O tempo dedicado à economia, por seu turno, deveria limitar-se ao mínimo.

Platão tem uma visão rigorosa de mundo e, na visão platônica, a educação deveria basear-se nos métodos científicos e não na simples opinião. A política deveria transformar-se numa ação iluminada pela verdade e um gesto criador de harmonia, justiça e beleza”. Em a “República”, sua última obra, Platão propõe um esforço de racionalização das funções públicas e da estrutura social, propondo um meio termo entre monarquia constitucional e democracia. “A República” representa uma visão social utópica, em que os governantes seriam reis-filósofos. A cidade é organizada pela divisão racional do trabalho, em três classes sociais: artesãos, responsáveis pela produção; soldados, na defesa da cidade; e guardiões, aplicando as leis. Nesse modelo, a família desapareceria, tudo pertencendo ao Estado. Cada classe social seria educada de modo a bem desempenhar suas funções.

Em sua obra “Político”, Platão defende a existência de um rei filósofo que pudesse governar sem necessidade de leis. O filósofo político utiliza sua sabedoria para libertar as consciências e a justiça social, buscando a essência da verdade.

Aristóteles (384-322 a. C.) foi discípulo de Platão, tendo frequentado sua escola por vinte anos. Aristóteles exerceu grande influência sobre os pensadores islâmicos e sobre a Escola de Salamanca. Usou a palavra “economia” não no sentido em que é atualmente utilizada, mas sim para se referir à administração da casa. Aristóteles não analisou os problemas econômicos em profundidade, nem estudou as relações entre os fenômenos e as variáveis econômicos, não derivando quaisquer leis econômicas a partir de suas análises. Todavia, Aristóteles é o primeiro pensador a usar a classificação econômica de firmas e famílias. Fez distinção entre valor de uso e valor de troca e entre dinheiro e riqueza. Para Aristóteles, o dinheiro pode ser utilizado como meio de troca e como mercadoria para facilitar as trocas. Estudou a propriedade privada e os efeitos econômicos da escravidão e condenou a usura. Definiu, ainda os conceitos de poder de monopólio. Aristóteles via a escravidão como algo natural. Obras importantes de Aristóteles (384-322 a.C.): “Política”, “A Moral” e “Ética de Nicômaco”. Aristóteles pode ser considerado o primeiro economista da história, por ter feito a primeira sistematização metodológica (criou o método científico) de conceitos econômicos.


8.2. Doutrinas Filosóficas da Grécia Antiga:

  • Socratismo é o grupo das doutrinas filosóficas de Sócrates (c. 470-399 a.C.), filósofo grego, caracterizadas pela consideração de problemas morais e humanos e pelo desprezo aos temas ligados à natureza, e que procura buscar, pelo diálogo, a definição do bem. A ironia socrática, a agnosia e o paradoxo socrático são conceitos socráticos. Socratismo é também cada uma das doutrinas das escolas socráticas, tais como a escola cínica, a escola cirenaica e a escola de Mégara, que consideravam Sócrates como o exemplo ideal de um sábio. 

  • Cinismo é a doutrina filosófica e o modo de vida dos seguidores dos fundadores da Escola Cínica, os filósofos socráticos Antístenes de Atenas (444-356 a.C.) e Diógenes de Sínope (413-323 a.C.), que defendiam a volta à vida em comunhão com a natureza e eram contrários aos valores, aos usos e às regras sociais de seu tempo.

  • Cirenaísmo é a doutrina filosófica da escola cirenaica, ou escola de Cirene, fundada pelo discípulo de Sócrates, Aristipo de Cirene (século V a.C.), e de seus seguidores. O tema central do cirenaísmo é o hedonismo.

  • Hedonismo é a doutrina filosófica que considera o prazer individual e imediato como o único bem possível do homem, sendo visto como o princípio e o fim da vida moral. O hedonismo era a doutrina moral praticada pelo cirenaísmo. 

  • Platonismo é a doutrina filosófica de Platão (429-347 a.C.), filósofo grego, e de seus seguidores, centrada na teoria das ideias e na preocupação com a Ética. O platonismo busca o conhecimento do Bem através da meditação filosófica. Na visão platônica, o conhecimento do Bem levaria à justiça entre os Estados e  os homens. 

  • Aristotelismo é o grupo das doutrinas filosóficas de Aristóteles, filósofo grego (384-322 a.C.), e de seus seguidores. O aristotelismo estuda a teoria da abstração e do silogismo, os conceitos de ato e potência, forma e matéria, e substância e acidente. As doutrinas de Aristóteles levaram à criação da lógica formal e da ética, e exerceram e ainda exercem grande influência na cultura e no pensamento da sociedade ocidental.

·        Epicurismo é a doutrina filosófica de Epicuro (341-270 a.C.), filósofo materialista grego e de seus seguidores, notadamente Lucrécio, poeta latino (98-55 a.C.), cujas principais característica são, na física, o atomismo, e na moral, a identificação do bem com o prazer. Este, na concepção platônica, poderia ser alcançado praticando a virtude e cultivando o desenvolvimento espiritual.

10. Império Romano: 753 a.C. – 476 d.C.

              Roma surgiu da união de tribos que viviam de modo rudimentar na região do rio Tibre. Os povos itálicos que viveram nessa região do Lácio, ao sul do rio Tibre, foram os fundadores de Roma. Segundo a lenda, tudo começou com dois irmãos (Rômulo e Rêmulo) adotados por uma loba. Entre 753 a. C. e 476 d. C., mais de mil líderes estiveram entre os homens mais poderosos do mundo de então.

As principais fases do Império Romano são:

               I Monarquia (753 – 509 a.C.): No período da Monarquia, Roma passou de uma pequena cidade-estado a um reino poderoso. Apesar da estabilidade havia tensões, pois ali conviviam três povos de costumes diferentes. Sabinos e latinos eram dados à agricultura e ao pastoreio. Os Etruscos dedicavam-se ao comércio, artesanato e guerra. O rei era eleito por um conselho de aristocratas – os patrícios – entre os indicados pelo Senado. Nesse período, as guerras deram grande popularidade aos reis, gerando ciúmes e intrigas entre os senadores.

               II República (509 a.C. – 27 a.C.): Para muitos pensadores, a República foi a forma encontrada pelo Senado para preservar o poder diante da crescente popularidade dos reis guerreiros junto aos mais pobres – os plebeus. Um complexo sistema de governo baseado na eleição de duplas de cônsules escondia o fato de que, na verdade, os 300 senadores eleitos é que detinham o poder. O povo conseguiu ser representado, com os irmãos Caio e Tibério Graco, por exemplo – responsáveis por uma tentativa de reforma agrária e pela distribuição gratuita de pão. Todavia, a insatisfação geral, aliada ao fortalecimento dos generais, que expandiam os limites e o poder de Roma e traziam escravos e produtos para o consumo dos patrícios, colocou em xeque o poder do Senado e uma série de golpes de Estado levou ao fim do sistema republicano.

               III Império (27 a.C. – 476 d.C.): Este é o período tanto de auge quanto de declínio e queda do Império Romano. A expansão territorial e crises internas abriram caminho para os usurpadores, motivo pelo qual houve períodos com mais de um imperador declarado. O Império ruiu com a invasão dos bárbaros no século V.

·         Monarquia: 753 – 240 a.C.
·         República: 240 – 31 a.C.
·         Império: 31 a.C – 212 d.C.
·         Decadência e Queda: 212 d.C – 600 d.C.

No ano de 31 a.C. ocorre a famosa batalha de Ácio, na qual Roma derrota Cleópatra e Antonio, iniciando a construção do Império Romano propriamente dito. O Mar Mediterrâneo torna-se definitivamente o “Mare Nostrum” (Nosso Mar). Em 395 d.C o Império Romano é dividido em dois: o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente. No ano de 476 d.C. o último imperador romano do Ocidente é deposto. Os bárbaros (godos) derrotam Justiniano.


O Império Romano representa o que nós podemos chamar de a segunda  globalização limitada. Globalização porque compreendeu uma vasta área geográfica que se estendeu da península Ibérica às Ilhas Britânicas e à Ásia Menor, envolvendo todo o mar Mediterrâneo. Limitada, porque na realidade não alcançou todo o planeta, façanha que só as Grandes Navegações dos portugueses nos séculos XV e XVI alcançariam muito tempo depois.

Os romanos foram fortemente influenciados pelos gregos, herdando, inclusive, toda a sua cultura. Os romanos desenvolveram técnicas de construção ainda mais avançadas do que os gregos, criando uma arquitetura própria. Dentre as grandes realizações dos romanos, podemos incluir:

·         Utilizaram o concreto na construção de muros, arcos e cúpulas;
·         Construíram aquedutos gigantescos, arcos de triunfo, banhos públicos, anfiteatros e circos com arquibancadas;
·         Os políticos romanos construíram grandes obras arquitetônicas e de engenharia, constituindo-se, de modo semelhante ao Egito, numa espécie de “política keynesiana” da Antiguidade;
·         Desenvolveram uma organização econômica a partir do comércio e da agricultura e de um sistema monetário aplicado em todo o Império;
·         Desenvolveram a navegação fluvial e marítima e uma tecnologia portuária;
·         Utilizaram drenagem e irrigação de solos;
·         As leis romanas constituíram a base do Direito em muitos países europeus;
·         Muitas línguas são derivadas do latim;
·         Tornaram a Igreja Católica a igreja oficial do Império Romano.

A agricultura e o comércio eram a base da economia romana, que apresentou grande desenvolvimento da metalurgia, principalmente a militar. A terra era dividida em grandes latifúndios, onde predominava o trabalho escravo.

A economia romana era de base privada, à semelhança da economia grega e alcançou feitos notáveis, tais como caminhos permanentemente transitáveis, tecnologia portuária, construção de grandes aquedutos, emprego de moinhos e técnicas agrícolas de irrigação e drenagem de solos muito avançadas. O comércio sempre foi uma atividade econômica importante, notadamente em torno do Mar Mediterrâneo, sendo favorecido pela existência de uma moeda única, ausência de pirataria, fronteiras seguras, reduzidos impostos alfandegários e extensa rede de estradas e portos.

Os romanos foram os primeiros a utilizaram a moeda como uma forma de dominação econômica e o sistema jurídico como uma forma de dominação política. O Império Romano utilizou intensamente o trabalho escravo. Uma cesta básica era distribuída de modo gratuito à grande população já existente na Roma de então.

Fatores Indicativos da Grandeza do Império Romano:

·         As leis romanas constituíram a base do Direito da maioria dos Estados europeus modernos;
·         Nossa escrita é uma derivação do latim;
·         A maioria das cidades europeias remonta a Roma;
·         A Igreja Católica Romana perdura por dois mil anos;
·         A tecnologia romana permitiu construir caminhos permanentemente transitáveis, portos, grandes aquedutos, moinhos, técnicas agrícolas de drenagem e irrigação, grande produção de alimentos, produção de vinho, cerâmica, óleo, mel, betume, metais, jóias, bronze, armas e vestimentas;
·         Sistema legal único em todo o império;
·         Sistema monetário único em todo o império;
·         Comércio marítimo desenvolvido;
·         Fronteiras seguras;
·         Utilização de reduzidos impostos alfandegários.

Fatores Explicativos do Declínio e Queda do Império Romano:

·         O Império Romano foi uma poderosa máquina de dominação militar; o desejo de todo ser humano é ser livre;
·         Invasão dos povos bárbaros em várias frentes do império: Ásia, Norte da África, Península Ibérica e Germânia;
·         Os gauleses libertaram-se de Roma e formaram seu próprio império;
·         O Império foi atacado pela peste;
·         Deserções  e adesões aos novos povos conquistadores;
·         Crise na produção de alimentos;
·         Desvalorização da moeda;
·         Inflação provocada pela crise na produção de alimentos e pela política de concessão de cestas básicas aos romanos;
·         Transferência maciça de ouro para as colônias, provocada por uma balança comercial desfavorável;
·         Aumento de impostos para financiar o esforço de guerra e o consumo de Roma gerou protestos cada vez mais acentuados;
·         Processo lento e contínuo de insatisfação e revolta no interior do Império Romano levou a seu colapso, entre 221 e 476 d.C.  É de salientar que entre o início da decadência e o colapso efetivo do Império Romano passaram-se 254 anos; ou seja, dois séculos e meio.

Júlio César (100 – 44 a.C.), Imperador Romano: Teria dito a famosa frase “Alea jacta est”, em 49 a.C. (“A sorte está lançada”), ao avançar suas tropas contra as do general Pompeu, atravessando o rio Rubicão. Rubicão é um rio do norte da Itália, que a separava da Gália Cisalpina. Teria dito, também “Vini, vidi, vici” (Vim, vi, venci), após a vitória sobre Pompeu e “Et tu, Brutus?” (Até tu, Brutus?), ao ser apunhalado por Brutus, um dos conspiradores no Senado Romano.

9.1 Pensadores Romanos

               Marco Túlio Cícero (106 – 43 a.C.)

Cícero nasceu em Arpino, no ano 106 a.C. e cultivou todos os gêneros de atividade intelectual, tais como a literatura, a filosofia e a poesia. Foi considerado não só o melhor orador, mas também um dos melhores poetas do seu tempo, a par de nomes como os de Catulo e de Lucrécio.

As principais obras de Cícero são: De Re Publica, De Officiis, Cato Major, Loelius Seu De Ametitia, In Catilinam, Pro Q. Gallio.

Para Cícero, as guerras nunca deveriam ser iniciadas, a não ser como um instrumento para alcançar a paz entre os homens.

               Marco Aurélio Antonio – Imperador Filósofo (121 – 180)

Marco Annio Vero, imperador de Roma, nasceu no reinado do Imperador Adriano. O pai de Marco Aurélio, Annio Vero, era um nobre romano. Depois da morte do pai, foi adotado pelo avô. Uma série de tutores tomou conta de sua educação, treinando-o nas doutrinas filosóficas da escola estóica.

Para os Estoicos o fim principal do homem é a felicidade. A virtude é o único bem e a felicidade consiste exclusivamente na virtude. No Império Romano, o estoicismo tornou-se a religião das classes dominantes.

Durante a vida de Marco Aurélio, o Império Romano estendeu a “pax romana” a toda a Europa Ocidental e do Sul, ao Norte da África, à Ásia Menor, à Armênia e à Síria. Mas ao assumir o Império após a morte do imperador Antonio Pio em 161, a longa tranquilidade imperial chega ao fim. Uma peste assolou toda a parte ocidental do império e fortes inundações destruíram grandes quantidades de cereal em Roma, obrigando-o a vender as jóias reais para comprar os alimentos necessários à alimentação dos romanos. Além disso, começaram as guerras nas fronteiras orientais do império. Foi nos pântanos do Danúbio, entre as batalhas, que Marco Aurélio encontrou tempo para escrever suas “Meditações”, um dos grandes trabalhos filosóficos da Antiguidade.

Boécio (480-  ): Filósofo romano. Escreveu “A Consolação da Filosofia”.

Principais Reis e Imperadores Romanos e Período Em Que Governaram:

·         Rômulo (753-715 a.C): Primeiro rei de Roma.
·         Júlio César (45 – 44 a.C.): Militar de família nobre, Júlio César liderou as conquistas da Ibéria e da Bretanha. Escrevia sobre suas batalhas e enviava relatos a Roma, o que fez dele um ídolo popular. Foi eleito cônsul do primeiro triunvirato (60 a.C.), mas tornou-se tão poderoso que iniciou uma guerra civil e destituiu os outros dois, assumindo poderes ditatoriais. Aos 56 anos de idade foi apunhalado num complô nas escadarias do Senado romano. Seu nome virou sinônimo de líder poderoso e absoluto, dando origem aos termos “czar” na Rússia e “kaiser” na região onde fica a Alemanha.
·          Otávio Augusto (27 a.C. – 14 d.C.): É um dos grandes Imperadores de Roma. Pacificou Roma com pão e circo e mandou construir a maioria das obras vistas hoje em ruínas em Roma. Seu exército chegou a ter 300.000 homens. Morreu doente aos 77 anos.
·         Calígula (37 – 41): Destruiu a confiança na figura do Imperador conseguida por Augusto. Considerado louco, nomeou seu cavalo cônsul e substituiu as estátuas dos deuses por imagens de seu próprio rosto. Foi assassinado aos 28 anos, no ano 41 de nossa Era.
·         Nero (54 – 68): Tem a fama de ter incendiado Roma para depois reconstruí-la. Impôs o exílio a sua mulher e tramou a morte da própria mãe. Suicidou-se aos 30 anos de idade.
·         Trajano (98 – 117): Estendeu os limites do Império ao máximo. Construiu estradas e modernizou portos. Criou a figura do “curador” – uma espécie de prefeito. Morreu aos 65 anos de idade.
·         Adriano (117 – 138): Culto e mais voltado para as letras do que para a guerra, deu aos romanos 20 anos de paz. Realçou as belezas da cidade e promulgou leis que regeram Roma por dois séculos. Morreu doente aos 62 anos no ano 138 de nossa Era.
·         Marco Aurélio (161 – 180): Filósofo, Marco Aurélio promoveu o renascimento cultural de Roma. Aos 59 anos, morreu doente, em 180.
·         Constantino (306 – 337): Acabou com a perseguição aos cristãos, permitindo-lhes o culto e a abertura de templos. Mudou a capital do Império Romano para Bizâncio (futura Constantinopla). Morreu no ano 337.
·         Teodósio (378 – 395): Oficializou o cristianismo como a religião do Império Romano. Separou o Império em dois: o do Oriente e o do Ocidente. Morreu em 395 aos 50 anos de idade.
·         Rômulo Augusto (475 – 476): Último Imperador de Roma, derrotado pelos godos.

Ao final do século V o Império Romano havia ruído completamente, sendo substituído por vários reinos bárbaros: visigodos na Espanha e sudoeste da França, francos no norte da França, ostrogodos na Itália e vândalos no norte da África. Inicia-se um novo período na história da humanidade: a Idade Média.

11. Surgimento e Afirmação do Cristianismo: 100 – 1050

Cristianismo é o conjunto das religiões cristãs que são baseadas nos ensinamentos, na pessoa e na vida de Jesus Cristo: o catolicismo, o protestantismo, e as religiões ortodoxas orientais.

    O ocaso das Civilizações é também o ocaso de suas realizações, a perda de conhecimento, de dinamismo no caminho do desenvolvimento da Humanidade. Isso aconteceu em especial com o Império Romano. Daí a importância da civilização cristã, dos mosteiros, no processo de preservação do conhecimento e da cultura ocidentais, notadamente o legado da cultura grega. Foram os mosteiros cristão que preservaram as bibliotecas e o conhecimento que de outro modo teria sido devastado pelas invasões bárbaras e que acabariam por constituir o que se pode chamar de Civilização Cristã por volta do ano 1000 de nossa Era. A História também tem os seus mistérios dado que, o Cristianismo, antes combatido pelos romanos, passa a ser aceito e, no século IV, torna-se a religião oficial do Império Romano.

·         A Patrística

A partir do ano 95 d.C., os líderes cristãos passaram a ser chamados de “Pais da Igreja”, por terem se mantido leais à doutrina da Igreja Católica. São chamados “Pais da Igreja” aqueles religiosos que ao longo dos sete primeiros séculos defenderam a fé, a liturgia, a disciplina, os costumes e os dogmas cristãos, definindo, dessa forma, os rumos da Igreja Católica. Os escritos desses religiosos são de fundamental importância para o Cristianismo, na medida em que é por meio dos mesmos que se sabe o que a Igreja primitiva pregava e de que modo se manifestava a fé dos primeiros cristãos.

               A literatura patrística pode ser dividida em 3 períodos:

·         Período Ante-Niceno: período anterior ao Grande Concílio Ecumênico de Nicéia (324 d.C.), compreendendo os escritos feitos entre os séculos I e IV;
·         Período Niceno: Grande Concílio Ecumênico de Nicéia (324 d.C.), compreendendo os escritos surgidos no século IV;
·         Período Pós-Niceno: período que vai do século V ao século VIII.

          Os principais líderes da Patrística são:

·         Século I: Pápias de Hierápolis; São Clemente I de Roma;
·         Século II: Abércio de Hierápolis; Aristides de Atenas; Atenágoras de Atenas; Hermas de Roma; São Irineu de Lião; Santo Inácio de Antioquia; São Irineu de Lião; São Justino de Roma; São Policarpo de Esmirnai; São Zeferino, papa; Taciano da Síria;
·         Século III: São Cipriano de Cartago; São Hipólito de Roma; São Pacônio de Tabenesi; São Teófilo de Antioquia;
·         Século IV: São Agostinho de Hipona; São Ambrósio de Milão; São Jerônimo; São Atanásio de Alexandria; São Basílio de Cesaréia;
·         Século V: São Efrém da Síria; São Gelásio I, papa;
·         Século VII: São João Damesceno.

Santo Agostinho: “Para saber é preciso antes crer.”


12. Império Bizantino: 395 – 1453

Império Bizantino é o nome que se deu ao Império Romano após a ascensão ao poder do Imperador Constantino, que dividiu o Império entre filhos e sobrinhos. O centro do Império foi transferido para a cidade de Bizâncio, que passou a se chamar Constantinopla (atual Istambul). O Império Bizantino ainda durou até 1453, quando Constantinopla foi tomada pelos turcos, pondo fim à Idade Média.

Bizâncio, cidade localizada às margens do Bósforo, foi fundada pelos gregos no séc. VII a.C., e tornou-se a capital do Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino (330 a 1453), passando a chamar-se Constantinopla. Com a tomada desta cidade pelos turcos em 1453, teve seu nome mudado para Istambul, o qual permanece até hoje.  

13. Reinos Bárbaros: 476-900

Os bárbaros (godos, vândalos, hunos, francos, álanos e suevos), eram os povos do Norte, invasores do Império Romano do Ocidente entre os sécs. III e VI da era cristã.  

Entre os gregos e romanos, bárbaros eram chamados os estrangeiros. As invasões bárbaras contribuíram para o colapso do Império Romano e levaram à formação dos assim chamados Reinos Bárbaros, com a chegada de diferentes tribos ao continente europeu: ostrogodos (Itália), visigodos (Espanha e Portugal), francos (França), anglo-saxões (Inglaterra) e vândalos (África Setentrional e algumas ilhas mediterrânicas).


14. Idade Média: 476 – 1453 – A Idade das Trevas

A Idade Média pode ser dividida em dois períodos: Alta Idade Média (476 – século XI) e Baixa Idade Média (século XI até 1453), que é o período de plenitude do feudalismo.

A Idade Média ficou conhecida como a “Idade das Trevas” porque, ao ver de muitos pensadores, teria sido um período da História de retrocesso no progresso e no conhecimento da Humanidade, após o colapso das grandes civilizações, especialmente a romana.


15. Feudalismo: 476 – 1453

Feudalismo é o modelo social e econômico que vigorou na Europa durante a Idade Média, e que é caracterizado pela decadência das cidades, pelo surgimento dos feudos, pelas relações servis de produção e pela descentralização do poder entre os senhores feudais, após o colapso do Império Romano. No feudalismo, há uma relação estreita entre a propriedade da terra e o exercício da autoridade que determina uma relação de dominação dos vassalos pelos suseranos. A Magna Carta (1215) da Inglaterra, uma espécie de Constituição, é o exemplo mais concreto da ascensão do poder dos senhores feudais contra o poder do rei, na medida em que eles tiram do rei da Inglaterra o poder de decidir sozinho questões ligadas à tributação, passando a ser ouvidos pelo monarca nesta e noutras questões. Contudo, durante o feudalismo, mesmo com o enfraquecimento do Estado, permanece a noção de Estado.

Com o enfraquecimento do poder central (poder do rei), os senhores feudais passaram a possuir prerrogativas próprias, de âmbito limitado. O fim do feudalismo surge com a crescente urbanização, a ascensão do mercantilismo e das atividades comerciais e a volta da centralização do poder, que leva à ascensão dos regimes absolutistas monárquicos (“Ancien Régime”). O fim do feudalismo representa também o fim da servidão como modelo social e econômico.

Com o fim da Idade Média, passa-se de um teocentrismo (Deus é o centro de tudo no universo), ao antropocentrismo (o homem é o centro de tudo no universo, tudo lhe é destinado pela criação divina).

16. Escolástica: Séc. VIII – Séc. XIII

Escolástica é o modo de pensamento que predominou no pensamento filosófico medieval ocidental do século VIII até o fim do Renascimento (século XVIII) e que sofreu forte influência da filosofia grego-romana, especialmente do pensamento aristotélico. O problema central da Escolástica era o conflito religião (ou fé) versus razão enquadrado na questão filosófica do Ser. O grande expoente da Escolástica foi São Tomás de Aquino (1225 – 1274). Guilherme de Occam (1300-1350) também é considerado um grande pensador ligado ao pensamento escolástico.

O termo escolástico significava aquele que ensina, sendo também sinônimo de sábio, homem de conhecimento, tendo sido empregado pela primeira vez durante a Renascença, para representar o pensamento da filosofia medieval, no período seguinte ao pensamento patrístico.

Os escolásticos procuraram explicar os enigmas do mundo, expressos pela filosofia greco-romana, dentro da estrutura da fé cristã. A presença árabe na península ibérica foi muito importante para o conhecimento da cultura grega, dado que os árabes traduziram para o latim muitos dos escritos clássicos gregos.

Desenvolveram-se na escolástica inúmeros sistemas filosóficos, entre os quais se destacam os sistemas de Santo Anselmo (sistema anselmiano), de São Tomás (tomismo) e de Guilherme de Ockham (ockhamismo). Santo Agostinho (354-430), um dos principais pensadores católicos, dizia: “Para conhecer é preciso antes crer”.
                             
Alguns frades ingleses pertencentes à ordem dos franciscanos, questionaram a estrutura do pensamento medieval nos séculos XIII e XIV. Os principais são Robert Grossteste (1168-1253), Roger Bacon (1220-1292), John Duns Scot (1266-1308) e William Ocham (1290-1349), que propunham separar a religião da ciência, dando importância à experimentação como forma de criação do conhecimento.

São Tomás de Aquino (1215-1274) é considerado o maior filósofo escolástico. A questão central do pensamento Escolástico trata das relações entre razão e fé e Santo Tomás de Aquino busca o equilíbrio entre estes dois princípios, entendendo que a verdade poderia ser alcançado de várias formas. Há verdades de caráter teológico, cujo acesso é obtido somente através da revelação; há verdades que se alcançam racionalmente, não tendo sido reveladas; e há as que foram reveladas, mas que podem também ser alcançadas de modo racional. De acordo com São Tomás de Aquino a verdade sempre vem de Deus.


17. Renascimento: Séc. XIV – Séc. XVII – O Avanço das Artes e das Ciências

               A Renascença é um período de “renascimento” das letras e das artes, iniciado na Itália no século XIV e que atingiu seu auge no século XVI, exercendo forte influência em todos os países da Europa Ocidental. A Renascença representou um retorno da cultura europeia aos padrões clássicos greco-romanos, sendo fortemente influenciada pelo pensamento aristotélico.

        Durante o período medieval, o Homem tinha Deus como ponto de referência para encontrar respostas a seus questionamentos. Na Renascença, o homem é o centro, tornando-se, ao mesmo tempo, o observador e o observado. Durante o Renascimento, há um retorno ao pensamento aristotélico. A ciência separa-se da religião, algo que havia sido tentado, mas não conseguido pela Escolástica na Idade Média. Ocorre um grande avanço das ciências (Galileu (1564-1642)) e das artes (Leonardo da Vinci (1452-1519)) e o aprimoramento das técnicas de navegação (Escola de Sagres, em Portugal) que levaram às Grandes Navegações e à descoberta de novos mundos.



O renascimento, no campo das ciências, é caracterizado pelo grande desenvolvimento da matemática devido à criação da geometria analítica por Descartes (1596-1650) e do cálculo infinitesimal por Isaac Newton (1647 – 1729) e Leibniz (1646-1716). A matemática passa a representar o modelo do conhecimento científico, face a seu caráter universal. A física matemática,a partir da sistematização de Newton, é também um conjunto de proposições universais.

                                                Descartes (1596-1650)

O renascimento e o mercantilismo são as duas faces da mesma moeda: o amplo processo de transformação das sociedades europeias que emergiram do fim do feudalismo. Uma, com a face das artes e das ciências; a outra, com a face do comércio, do poder real e do enriquecimento da nação e da burguesia.

                               Isaac Newton (1647 – 1729)

18. Mercantilismo: 1450 – 1750 – A Acumulação Primitiva

Chamamos de Mercantilismo às doutrinas econômicas que predominaram na Europa entre 1450 e 1750 e que afirmavam que a riqueza de uma nação dependia principalmente do seu comércio exterior. A ação do Estado deveria estimular as exportações e restringir as importações através do monopólio de companhias de comércio. De acordo com a concepção mercantilista, a riqueza era determinada pelo valor do estoque monetário, o qual dependia do resultado da balança comercial via monetização dos saldos comerciais. O poder do Estado é usado como um instrumento de dominação da relação do capital e das forças de mercado em expansão. O mercantilismo é o período da acumulação primitiva e do desenvolvimento da manufatura capitalista, sendo associado historicamente com o Estado Absolutista.

O Mercantilismo é um período de notável desenvolvimento da Humanidade, um encontro de culturas que gerou uma nova visão do Homem sobre si mesmo e sobre sua relação com o mundo. Nesse período, surgiram grandes pensadores, filósofos, cientistas e matemáticos que geraram o conhecimento que desaguaria na Revolução Industrial, no Capitalismo e na Democracia Representativa. Os lucros do capitalismo comercial geraram os fundos que, em alguns países, financiaram as artes, os estudos e pesquisas que acabariam por mudar a face do mundo. É certo dizer, contudo, que a riqueza gerada durante o mercantilismo ficou concentrada na nobreza, na aristocracia e alta burguesia, não chegando às mãos da grande maioria da população, sendo a Revolução Francesa, em grande medida, uma resposta a essa realidade.

As expedições ultramarinas realizadas por Portugal e Espanha foram fatores decisivos para o desenvolvimento do comércio europeu no século XVI.

Fatores do Mercantilismo:

·         crise econômica na Europa ao longo dos séculos XIV e XV;
·         descoberta de novas técnicas de navegação na Escola de Sagres em Portugal;
·         Portugal é o pioneiro ultramarino: Vasco da Gama descobre o caminho marítimo para as Índias em 1498;


Vasco da Gama (Sines, c. 1460 ou 1468 ou 1469 — Cochim, Índia, 24 de Dezembro de 1524)

·         As Grandes Navegações levadas a cabo por Portugal representaram a primeira grande globalização da História, interligando todos os continentes e praticamente todos os povos, abrindo caminho para um período de desenvolvimento sem paralelo na História Universal.



Fases do Mercantilismo:

Primeira Fase: fase da circulação de mercadorias, decorrente do comércio de especiarias e outros bens levados do Oriente para a Europa. A riqueza de uma nação era medida pela quantidade de metais preciosos que possuía. Auge de Portugal e Espanha;
                     
Segunda Fase: nesta fase as nações européias buscavam uma balança comercial favorável. Tornou-se obsoleto o conceito de circulação de mercadorias (comércio de especiarias) e desenvolveu-se o conceito de que produzir manufaturas internamente e exportá-las é que leva ao enriquecimento de uma nação pela geração de superávits comerciais. Essa fase leva ao desenvolvimento industrial na Europa e ao surgimento de novas relações de produção, sendo caracterizada pelo declínio de Portugal e Espanha e pela ascensão da Inglaterra e França.

Características do Mercantilismo:

·         Praticar o metalismo, isto é, o acúmulo de riqueza baseada nos metais preciosos (ouro e prata), principalmente na primeira fase;
·         Colonialismo: formação de colônias, divisão internacional do trabalho, industrialismo e pacto colonial (desenvolvimento manufatureiro exclusivo com a metrópole);
·         Comercialismo: incentivar o comércio, principalmente entre a metrópole e as colônias;
·         Protecionismo e monopólio: valorizar e proteger o produto nacional vis-à-vis o produto importado;
·         Nacionalismo, belicismo econômico e garantia dos domínios comerciais com o exterior;
·         Superávit da balança comercial como fonte da riqueza nacional (na segunda fase);
·         Forte intervenção estatal, principalmente na defesa dos interesses nacionais, econômicos e militares, internamente e nas colônias;
·         Avanços analíticos na área da economia: a teoria quantitativa da moeda;
·         Preocupação com as questões do populacionismo e do pleno emprego.

O Mercantilismo dá origem ao Capitalismo Comercial, que é como se chamava a atividade comercial do Mercantilismo. O capital acumulado durante a Revolução Comercial, na formação do capitalismo comercial, nos séculos XVI e XVII, foi a base financeira e econômica que veio a permitir a futura ascensão da Revolução Industrial e do Capitalismo. Esse capital ficou conhecido na literatura como “acumulação primitiva”.

Em resumo, o Mercantilismo defendia uma acentuada intervenção estatal na economia, o superávit da balança comercial e o consequente acúmulo de metais preciosos, objetivos da economia mercantilista, que motivaram a intervenção governamental, expansão do comércio exterior, abertura de novos mercados e formação de colônias. Portanto, cabe perguntar: não é a globalização uma espécie de mercantilismo moderno?

Os principais pensadores da fase do mercantilismo (1450-1750) são os pensadores da Escola de Salamanca (Século XVI), Thomas Morus (1478-1535), Sir William Petty (1623-1687), Francis Bacon (1561-1626), Thomas Mun (1571-1641), John Locke (1632-1704).

Pensadores do Tempo do Mercantilismo

Machiavelli, Nicolau (1468-1527)
Copérnico, Nicolau (1473-1543)
Morus, Thomas (1478-1535)
Lutero, Martinho (1483 – 1546)
Soto, Domingo (1494-1560)
Calvino, João (1509 – 1564)
Mercado, Tomás de (1530-1576)
Montaigne, Michel de (1533-1592)
Molina, Luís de (1535-1600)
Botero, João (1540-1617)
Suarez, Francisco (1548-1617)
Bacon, Francis (1561-1626)
Galilei, Galileu (1564-1642)
Campanella, Tomás (1568-1639)
Keppler, John (1571-1630)
Lugo, Juan de (1583-1660)
Hobbes, Thomas (1588-1679)
Descartes, Renée (1596-1649)
Colbert, Jean Baptiste (1619-1683)
Pascal, Blaise (1623-1662)
Petty, Sir William (1623-1687)
Child, Sir Josiah (1630-1699)
Spinoza, Baruch (1632-1677)
Locke, John (1632-1684)
Malebranche, Nicola (1638-1715)
Newton, Isaac (1642-1727)
Leibniz (1646-1716)
Bayle, Peter (1647-1706)
Law, John (1671-1729)
Cantillon, Richard (1680?-1734)
Berkeley, George (1685-1753)
Montesquieu, Barão de (1689-1755)
Voltaire (1694-1778)


19. Iluminismo: 1688 – 1789 – O Século das Luzes

          O Iluminismo é, para muitos, o Século das Luzes e o início de uma Nova Era. O Iluminismo representa o fim do “Ancien Régime” e o surgimento da Era Moderna. Portanto, dá-se o nome de Iluminismo à revolução intelectual ocorrida na Europa, e em particular na França, durante o século XVIII. O Iluminismo foi o apogeu e a consolidação da Renascença, que começou a ser difundida por toda a Europa no século XIV. O Iluminismo é delimitado no tempo por duas importantes revoluções: a Revolução Inglesa (1688) e a Revolução Francesa (1789).

          Portanto, o Iluminismo é o conjunto de transformações ideológicas ocorridas ao longo do século XVIII (o “Século das Luzes”) e que representam a etapa final da transição ideológica para o Sistema Capitalista industrial, para o regime republicano e para o sistema de Democracia Representativa. O Iluminismo pode ser entendido como um conjunto de críticas ao chamado “Ancien Régime”, sistema social em que predominava o poder do clero e da nobreza, fundamentado num Estado Absolutista. As raízes do Iluminismo são:

·         O Humanismo decorrente do renascimento dos séculos XV e XVI;
·         O raciocínio filosófico do século XVII, tal como definido por pensadores como Descartes (1596-1649) e Locke (1632-1704);
·         A nova visão da realidade baseada na ciência desenvolvida nos séculos XVI e XVII por cientistas tais como Copérnico (1473-1543), Galileu (1564-1642) Bacon (1561-1626), Keppler (1571-1630), Newton (1642-1727) e Leibnitz (1646-1716).

                                              Galileu (1564-1642)

               As principais características do pensamento iluminista são:
 
§  O primado da razão (Racionalismo) como fundamento do conhecimento humano. O racionalismo pode ser visto como uma atividade intelectual de caráter estritamente especulativo e que se manifesta pela inteligência e não pela intuição ou sentidos. O racionalismo se contrapõe ao empirismo;

§  Otimismo em relação ao futuro proporcionado pelo domínio das ciências exatas, o qual leva à ideia de um funcionamento harmonioso do Universo devido à existência de leis naturais sábias que levariam ao progresso da Humanidade. Dentro da concepção iluminista, também a sociedade está sujeita a essas leis, as quais constituem um direito natural e exigem uma moral natural que tem como fundamento a tolerância e a generosidade entre os indivíduos. No campo da economia, o livre mercado era entendido como resultado das leis naturais da economia e da livre iniciativa dos indivíduos;

§  Liberdade: a liberdade (de produzir, de comerciar, de pensar, de agir) é um direito natural e fundamental do ser humano; e

§  Igualdade: todos nascem livres e todos devem ser iguais perante a lei; as diferenças econômicas entre os indivíduos, se as há, são vistas como decorrentes das diferentes capacidades de cada um.

               As contradições sociais na França foram a semente do pensamento iluminista nesse país, levando-o a se desenvolver mais intensamente do que em outros países. A Enciclopédia das Ciências, Artes e Ofícios, publicada entre 1751 e 1764 na França, organizada por Diderot (1713-1784) e D’ Alembert (1717-1783) com a colaboração dos mais diferentes profissionais (matemáticos, médicos, professores, sacerdotes e técnicos) foi de fundamental importância para a disseminação dos princípios iluministas pela Europa e pelo mundo, sob a ótica racionalista. Kant (1724-1804), Goethe (1749-1832), Schiller (1759-1805) e Lessing (1729-1781), na Alemanha; e David Hume (1711-1776) na Inglaterra são exemplos importantes de iluministas fora da França. Foi durante o Século das Luzes que se consolidou a separação entre a religião e as ciências. O homem passou a ser o centro da visão filosófica, fator que levou a um notável desenvolvimento científico e cultural.

               Com o Iluminismo (e antes com o Renascimento), o racionalismo filosófico (método de observar o mundo baseado exclusivamente na razão, em detrimento da intuição, da vontade, da sensibilidade) e o mecanicismo científico se sobrepõem à filosofia e à física aristotélico-tomista que predominou durante a Idade Média. O desenvolvimento de uma nova cosmologia (princípios que governam o universo) em que o universo é descentrado, toma o lugar do mundo geocêntrico dos gregos e do mundo antropomórfico da Idade Média. Substitui-se a “ciência contemplativa” pela “ciência ativa”, transformando o homem de espectador em agente ativo e dominador da natureza. O mecanicismo (doutrina que supõe que tanto determinado conjunto de fenômenos, quanto toda a natureza, podem ser explicados a partir de um sistema de determinações mecânicas) e o racionalismo explicam a natureza e a sociedade através de leis naturais. Esses princípios terão importância decisiva no campo da economia e levarão ao surgimento da economia como ciência.

20. Revolução Inglesa: 1688

               A Revolução Inglesa ou Revolução Gloriosa, eliminou o absolutismo inglês e instituiu o parlamentarismo, abrindo caminho para a ascensão da Revolução Industrial e do Capitalismo na Inglaterra. O Parlamento inglês ofereceu, em 1688, a Coroa britânica ao marido da herdeira de Jaime II (Maria Stuart), Guilherme de Orange, o qual era também herdeiro do trono holandês e, para assumir o trono inglês, abdicou da sucessão holandesa e teve que jurar o Bill of Rights (Declaração de Direitos) que definia as bases da monarquia parlamentar na Inglaterra. Por essa Declaração, cabia ao Parlamento aprovar ou não os impostos, garantir a liberdade individual aos cidadãos e a propriedade privada, sendo o poder compartilhado pelos poderes executivo, legislativo e judiciário. A autoridade do rei ficava subordinada ao Parlamento.

               Os atores principais da Revolução Inglesa são a elite ou burguesia e sua ênfase é mais nas condições econômicas, ou seja, criar as condições para que a revolução Industrial e o Capitalismo se desenvolvam e prosperem de forma a assegurar à Inglaterra uma posição competitiva, do que nas condições sociais, isto é na melhora das condições de vida das classes trabalhadoras.

21. Despotismo Esclarecido: Séc. XVIII

Despotismo Esclarecido é o método de governo adotado por alguns monarcas europeus que utilizaram princípios iluministas de governo e que vigorou do século XVIII até a Revolução Francesa. Ficou restrito à Península Ibérica (Portugal e Espanha), Áustria e a alguns países da Europa Oriental (Rússia e Prússia). A função do monarca deveria ser a de servir ao povo, garantindo aos súditos melhores condições de vida. O rei deveria governar como uma espécie de servidor público modelo, seguindo os princípios da razão e do Direito Natural.

                       Marquês de Pombal (1699-1782)

O Despotismo Esclarecido foi realizado pela necessidade de reformas em países mais atrasados no desenvolvimento do sistema capitalista, evitando os riscos de uma revolução social e, dessa forma, preservando o Absolutismo. Portanto, o Despotismo Esclarecido foi um movimento de caráter reformista, denotando a crise do “Ancien Régime” nos países que o utilizaram.

22. Revolução Francesa:1789

               A Revolução Francesa é um movimento liderado pelos artesãos parisienses que acabou com a monarquia e aristocracia francesas, levando á implantação da República e que tinha por objetivo abolir os privilégios da nobreza, do clero e da aristocracia e melhorar as condições de vida dos mais desfavorecidos, tendo por lema: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

               Os atores principais da Revolução Francesa são os artesãos parisienses, isto é, o povo, e sua ênfase principal era no social, no sentido de melhorar as condições de vida dos trabalhadores e acabar com os privilégios das classes altas, sem, todavia, descuidar dos aspectos econômicos, inserindo a França na Revolução Industrial em expansão, portanto contando com o apoio da burguesia comercial e industrial.

O Pensamento Filosófico

Maquiavel (1469-1527)

Para Maquiavel os homens são todos egoístas e ambiciosos, só recuando da prática do mal quando coagidos pela força da lei. Alguns princípios associados ao pensamento de Maquiavel são: “Às mesmas causas correspondem os mesmo efeitos”; “O estadista sábio e prudente busca na história uma situação semelhante e exemplar”; “Os fins justificam os meios”.

Thomas Hobbes (1588-1679)


Thomas Hobbes é um filósofo que exerceu grande influência sobre Adam Smith e Jeremy Bentham. Seu principal trabalho, “O Leviatã”, trata de algumas questões centrais da economia, tais como valor, moeda e população. Para Hobbes o comportamento humano é essencialmente egoísta, sendo este egoísmo o motor da ação humana, levando a que apenas a ação coercitiva do Estado permitiria a formação de uma sociedade civil.

John Locke (1632-1704)


De acordo com Locke, um dos pais do empirismo inglês e pai do Liberalismo, a finalidade da política é a busca da felicidade do homem, que busca a paz , a harmonia e a segurança. Os homens abandonaram seu estado natural criando a sociedade civil de modo a garantir a propriedade privada. Para Locke, o poder deve ser concentrado nas mãos do Poder Legislativo, que é o poder representativo da sociedade, sendo o absolutismo político, ao ver de Locke, um fenômeno antinatural. Locke defende a propriedade privada e o Estado burguês, afirmando o individualismo, a tolerância e a liberdade religiosa, bases necessárias para o progresso econômico e científico que acabaria por ser gerado.

Para Locke, o homem é naturalmente bom. Os problemas entre os homens decorrem da existência da riqueza. O Estado não é um fundamento da sociedade civil, sendo tão-somente a garantia de sua existência.

Locke desenvolveu essas ideias na obra Ensaios Sobre o Governo Civil, publicada em 1695, e influenciaram decisivamente a Revolução Francesa (1789) e a independência dos Estados Unidos (1776).

Montesquieu (1689-1755)


Montesquieu é o autor de importante obra (Espírito das Leis) publicada em 1748, em que destacava a influência dos fatores naturais na elaboração das formas de governo. Para Montesquieu, a garantia da liberdade era a legalidade, sendo necessária a separação e equilíbrio entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Esta ideia desenvolvida por Montesquieu de forma magistral influenciou a independência dos Estados Unidos e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789 na Revolução Francesa.

David Hume (1711-1776)


Para Hume, filósofo escocês, o homem é caracterizado por um sentido de “benevolência”, no sentido do útil para o desenvolvimento ordenado da sociedade. Hume influenciou o pensamento de Adam Smith, pai do liberalismo econômico, e analisou as forças que impulsionam a atividade econômica, o desejo de lucro e de acumulação. Hume era contrário a políticas redistributivas, por considerar que eram desestimuladoras da iniciativa individual, para ele fundamentais ao funcionamento do sistema econômico. Criticou os mercantilistas e os fisiocratas a atacou os proprietários de terras porque, a seu ver, não contribuíam para o aumento da riqueza nacional. Hume estudou, também, a teoria monetária, a teoria do juro, a política fiscal e o comércio internacional.

Jean Jacques Rousseau (1712-1778)


Jean Jacques Rousseau foi um dos mais importantes pensadores iluministas. Suas principais obras são Discursos Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens; e Contrato Social. Na primeira, criticou a propriedade privada que, a seu ver, gerava a infelicidade humana. O aparecimento da propriedade privada arrancaria o homem de seu “doce contato com a natureza” e acabaria por gerar desigualdades entre os homens. Rousseau defendia a existência de uma sociedade formada por pequenos produtores independentes entre si. Contudo, foi na obra intitulada Contrato Social que Rousseau concebeu a idéia de que a soberania reside no povo, colocando em segundo plano o direito individual e privilegiando a vontade da maioria expressa pelo sufrágio universal. O Estado, como representante dessa maioria sufragada pelo voto, deveria ter todo o poder, ao ver de Rousseau.

Para Rousseau, há uma diferença importante entre Estado e Governo. O primeiro representa a sociedade organizada em termos políticos; o segundo é um mero executor da vontade da maioria. Nesse sentido, a liberdade dos indivíduos depende exclusivamente da igualdade entre todos os indivíduos. A ideia central de Rousseau no Contrato Social é que a liberdade é condicionada pelas leis. Os indivíduos têm o direito de buscar os seus próprios interesses de acordo com regras fixadas pela sociedade em conjunto.

Rousseau coloca o interesse social antes do interesse individual, vendo uma antítese fundamental entre a natureza do homem e os acréscimos de civilização a que é submetido, a qual, para Rousseau, leva à degeneração das exigências morais do homem e sua substituição pela cultura intelectual. De acordo com o pensamento de Rousseau, a corrupção das sociedades civilizadas começa com a propriedade privada.

Rousseau acreditava que o homem era bom por natureza. Afirmou o princípio da liberdade como direito inalienável. A compatibilização entre o interesse individual e o interesse coletivo exige a elaboração de um contrato social, o qual pode ser visto como uma livre associação de seres humanos que resolvem formar um certo tipo de sociedade, à qual obedecem. O contrato social seria a única base legítima para uma comunidade que deseja viver de acordo com os pressupostos da liberdade humana. O contrato social representa uma submissão à vontade da sociedade em geral, sendo uma experiência social de fraternidade e igualdade entre cidadãos que têm ideias comuns. Para Rousseau, a soberania é inalienável e indivisível, podendo, todavia, ser delegada. Em sua filosofia da liberdade, Rousseau colocou o sentimento acima da razão.

Immanuel Kant (1724-1804)

Kantismo é a doutrina filosófica de Immanuel Kant (1724-1804), filósofo alemão, caracterizada pela necessidade de fundamentar a moral em imperativos categóricos gerados pela razão prática. O Idealismo transcendental, por outro lado, é a doutrina filosófica do kantismo, em que todos os fenômenos são considerados como simples representações, e não como coisas em si.

O pensamento filosófico e político do liberalismo defendido tanto por Montesquieu, quanto por Locke e por Kant assumia que a divisão de poderes seria a garantia da liberdade dos indivíduos na sociedade. Nesse sentido, a teoria tripartite de poderes “como princípio de organização do Estado constitucional” é uma contribuição fundamental de Montesquieu e Locke à ciência política, tendo como princípio o pressuposto de que “o poder detém o poder”.

7 - SURGIMENTO DA ECONOMIA COMO CIÊNCIA: 1750 – 1870


1.    Escola Fisiocrata: Século XVIII

O pensamento iluminista influenciou o pensamento econômico nascente, dando origem à escola fisiocrata. Dentre os principais pensadores fisiocratas destacam-se François Quesnay (1694-1774), o Marquês de Mirabeau (1715-1789), Anne-Robert-Jacques Turgot (1727-1781), Pierre Samuel du Pont de Nemours (1739-1817), a quem é atribuída a expressão “Physiocracie”, título de seu livro, e que defendia a adoção de baixas tarifas e livre comércio entre as nações e que influenciou fortemente Adam Smith; e Gournay (1712-1759). A Escola Fisiocrata é considerada a primeira manifestação científica da economia com a elaboração do “Tableau Économique” por Quesnay em 1758.


A Escola Fisiocrata é uma corrente de pensamento que surgiu na França como uma reação ao mercantilismo colbertista. Por ignorar a Revolução Industrial e suas transformações nos campos social, político, econômico e tecnológico, a Escola Fisiocrata teve influência de curta duração, começando em 1750 e terminando por volta de 1870.

Quesnay, médico e cirurgião francês, fazia parte de uma família de ricos proprietários de terra e frequentava a Corte de Versailhes como médico do rei da França. Quesnay foi médico-cirurgião e atribui-se sua noção de circularidade e fluxos produtivos à descoberta da circulação sanguínea, por William Harvey (1578-1657) em 1628. Quesnay e os fisiocratas consideravam a terra como fator único de produção. Para Quesnay e os demais fisiocratas o excedente era o produto acumulado da terra (ao passo que para Marx era o produto acumulado do trabalho). Quesnay discutiu suas idéias econômicas com o marquês de Mirabeau.

Para os fisiocratas, impiedosos críticos do mercantilismo, a riqueza era fruto da exploração (fertilidade) da terra e não do comércio internacional como diziam os mercantilistas. Os fisiocratas defendiam o princípio do “laissez-faire, laissez-passer”  (deixar fazer, deixar passar). O Estado não deveria intervir na economia, que deveria ser deixada exclusivamente para a iniciativa privada, competindo ao Estado tão-somente zelar pela paz e pela segurança.

Para Quesnay é o excedente agrícola que possibilita a condução das atividades “estéreis” do setor não agrícola. Para Ricardo (1772-1832), é a eficiência da agricultura que condiciona toda a economia.

W. Petty (1623 – 1687), considerado um pensador mercantilista, apontou o trabalho e a agricultura e não o comércio como a verdadeira fonte da riqueza nacional. Petty é considerado mercantilista devido a seu grande interesse pelo estudo do comércio internacional como fonte de acumulação e poder nacional. Formulou a doutrina de adequação da moeda às necessidades de comércio (“the needs-of-trade doctrine”). É também um “populacionista”.

Os fisiocratas foram os primeiros a apresentar uma alternativa ao modelo mercantilista, vendo a riqueza sendo constituída pelos bens materiais, os quais são obtidos na natureza pelo cultivo do solo, única atividade econômica que requer um insumo de bens (sementes e meios de subsistência) menor do que o produto que fornece. Isto é, que gera um excedente econômico. Para os fisiocratas a agricultura é a única atividade econômica capaz de gerar um excedente, o qual é apropriado pelos proprietários de terra.

Características da Escola Fisiocrata:

§  Origem do liberalismo econômico: propunha a liberdade econômica e a livre iniciativa;
§  Combatia a prática mercantilista: o individualismo econômico e o estímulo à produção agrícola (principal gerador de riqueza), era o modelo de desenvolvimento ideal. A atividade agrícola é a única fonte de riqueza e as outras atividades econômicas eram consideradas “estéreis” por não gerarem excedente econômico;
§  O papel do governo era importante, mas apenas para garantir a segurança dos indivíduos e dos bens (paz e segurança);
§  Rejeitava as atividades econômicas não-agrícolas (comércio, indústria), por considerá-las estéreis;
§  Desenvolveu uma visão “macroeconômica” dos fluxos de produção e circulação de mercadorias, com uma classificação setorial da economia.

Para os fisiocratas (Quesnay, 1758), a economia é constituída por três classes sociais:

§  A classe produtiva, que inclui os arrendatários capitalistas e os assalariados agrícolas, os servos e os pequenos proprietários rurais;
§  A classe dos proprietários, incluindo o soberano, os donos de terras e os dizimeiros, recebedores de renda da terra, dos impostos e dos dízimos, que constituem o produto líquido gerado pela classe produtiva, sendo beneficiários diretos o rei, a burguesia em ascensão e o clero.
§  A classe estéril, abrangendo os comerciantes, industriais, operários, artesãos e os profissionais liberais.

                          As atividades econômicas não agrícolas são consideradas estéreis, porque, ao ver dos fisiocratas, não geram um produto líquido ou excedente econômico, que é a diferença entre o que é consumido e o que é gerado no processo produtivo. Esse pensamento é bem expresso na seguinte passagem:

                          “Daí ao cozinheiro uma medida de ervilhas e ele as mandará à mesa cozidas e temperadas (...) daí, ao contrário, esta mesma medida ao agricultor para que ele as utilize na terra, e, no devido tempo, ele vos devolverá pelo menos o quádruplo da medida recebida. Eis a verdadeira e única produção” (Paoletti, citado por Napoleoni: O Valor na Teoria Econômica, Martins Fontes, 1977).

                          Os fisiocratas descrevem o que Karl Marx definiu como “a primeira versão sistemática da produção capitalista”, através de fluxos de mercadorias e rendas. Quesnay se utiliza da teoria do excedente para explicar o funcionamento da economia. No sistema fisiocrata, a fertilidade da terra é a origem do excedente econômico.

As principais contribuições analíticas da Escola Fisiocrata são:

§  A criação e defesa do princípio do laissez-faire;
§  A defesa da livre concorrência;
§  A afirmação de que os fatos econômicos são interdependentes e obedecem a um princípio de circularidade;
§  A antevisão da análise do equilíbrio geral expressa no Quadro Econômico de F. Quesnay; e
§  Elaboraram a primeira sistematização do que Marx chamou de processo de reprodução capitalista ao explicarem a geração do excedente econômico ou mais-valia.

2.    Revolução Industrial: Século XVIII

               A Revolução Industrial representa um conjunto de alterações fundamentais nos campos social, econômico e tecnológico processados a partir de século XVIII nas áreas industriais da Europa, especialmente na Inglaterra.

               Foi o historiador inglês Thomas Southcliffe Ashton (1899-1968) quem cunhou a expressão “Revolução Industrial” ao publicar o livro com o mesmo nome em 1948.

               A Revolução Industrial surge na Inglaterra ao longo do século XVIII e, junto com a Revolução Americana (independência dos Estados Unidos) e a Revolução Francesa, marcam a crise do “Ancien Regime” e a passagem do mercantilismo (capitalismo comercial) para o liberalismo (capitalismo industrial). O farol que guiou essas revoluções foi o Iluminismo.

               Do ponto de vista prático, a Revolução Industrial representou a transformação dos meios de produção e a prevalência das máquinas e das fábricas sobre as ferramentas utilizadas pelos artesãos, essência de um novo modo de produção em marcha avassaladora: o capitalismo e sua revolução tecnológica.

               O Capitalismo é o resultado de uma lenta e persistente evolução da produção manufatureira que se inicia na segunda metade da Idade Média e se consolida com o fim do mercantilismo. Nesse processo, os meios de produção saem do controle dos artesãos, em que não havia qualquer especialização na produção, para o controle da empresa manufatureira, caracterizada pela especialização na produção, levando a extraordinário aumenta na produtividade do trabalho.

O Capitalismo é, portanto, o sistema econômico e social baseado na propriedade privada dos meios de produção, na busca pelo lucro, na utilização de trabalho assalariado e no livre funcionamento do sistema de preços.
 
 
   Razões que explicam o surgimento da Revolução Industrial na Inglaterra:

·         Face ao seu domínio dos mares e do comércio internacional, a Inglaterra era o país que mais amplos mercados consumidores controlava;
·         Em função do domínio do comércio mundial, a Inglaterra era o país que maiores capitais havia acumulado durante a fase mercantilista (“acumulação primitiva de capital”;
·         A prática dos “enclosures” (fechamento das terras) havia disponibilizado abundante mão-de-obra urbana para ser utilizada em atividades manufatureiras;
·         A Inglaterra, em função do processo de suas revoluções políticas do século XVII, com a implantação do Parlamentarismo, mais do que qualquer outro país europeu, apresentava uma estrutura política adequada aos interesses do desenvolvimento industrial, ou seja, a presença de um Estado Liberal;
·         A ideia do empreendedorismo, com a implantação dos princípios luteranos na Igreja Anglicana, se solidificou na Inglaterra.

                          São exemplos importantes de avanços científicos que formaram a base da Revolução Industrial na Inglaterra:

·         Em 1733, John Kay inventa a lançadeira volante.
·         Em 1767, James Hargreaves inventa a “spinning jenny” (roca mecânica), que permitia a um só artesão fiar 80 fios de uma única vez.
·         Em 1768, James Watt inventa a máquina a vapor.
·         Em 1769, Richard Arkwright inventa a “water frame”.
·         Em 1779, Samuel Crompton inventa a “mule”, uma combinação da “water frame” com a “spinning jenny” com fios finos e resistentes.
·         Em 1785, Edmond Cartwight inventa o tear mecânico.

A Revolução Industrial levou a grande transformação da estrutura social e econômica europeia, gerando duas grandes correntes de pensamento antagônicas e diametralmente opostas: o liberalismo econômico e o socialismo.

3.    Escola Clássica: Sécs. XVIII e XIX – A Mão Invisível

                          O Liberalismo é uma doutrina política e econômica que pressupõe como fundamento a liberdade individual frente ao Estado. A nível político, o liberalismo preconiza a liberdade do indivíduo em seguir seus próprios desígnios, sem a interferência do Estado. A nível econômico, prega a não interferência do Estado na economia, que seria auto-regulável pela livre iniciativa e pelas leis de mercado, consideradas naturais. O laissez-faire, laissez-passer (“deixar fazer, deixar passar”), expressão criada pelos fisiocratas na França seria a expressão maior desses princípios.

                          Os principais economistas clássicos são Adam Smith (1723 – 1790), Thomas Robert Malthus (1766 – 1834), Jean Baptiste Say (1768 – 1832), David Ricardo (1772 – 1832) e John Stuart Mill (1806 – 1873). As características centrais do pensamento econômico clássico são:

·         A economia é um mecanismo harmonioso e auto-regulável, caracterizado pela existência de uma mão invisível e de uma ordem espontâneo do mercado;
·         O crescimento econômico de longo prazo é o objeto central da análise clássica. As teorias do capital e da acumulação os instrumentos de análise;
·         A distribuição de renda é uma preocupação dominante. As teorias do valor e da distribuição de renda os instrumentos de análise;
·         A economia política é o campo de atuação clássica. Os limites da intervenção do Estado como restrição fundamental;
·         Dentro das concepções clássicas, o interesse individual coincide com o interesse coletivo e é no livre funcionamento do mercado que esses interesses comuns se materializam.

Adam Smith e a Mão Invisível

                          O liberalismo econômico, compreendido como um sistema ideológico, tem origem no pensamento dos fisiocratas, o qual influenciou fortemente Adam Smith em seu livro A Riqueza das Nações (1776), no qual descreve as diretrizes básicas do liberalismo econômico. Essa obra tornou-se uma espécie de “Bíblia” do liberalismo econômico. Adam Smith, filho de uma modesta família escocesa, é o pai da moderna economia e o principal expoente da Escola Clássica, desenvolvendo, a nível teórico, os princípios fundamentais do liberalismo econômico e do próprio sistema capitalista então em formação e desenvolvimento. Smith entrou para a Universidade de Glasgow aos 14 anos, convertendo-se em discípulo do professor de filosofia moral F. Hutchison. Smith foi, sucessivamente, professor em Hutchison, Oxford, Edimburgo e Glasgow, onde substitui Hutchison na cátedra de Filosofia Moral. Adam Smith recebeu influências de David Hume, de quem foi amigo, e de R. Cantillon. Paradoxalmente, Smith termina sua vida como Comissário da Alfândega de Edimburgo, ele que sempre defendeu o livre comércio.


                          O pensamento de Adam Smith e, assim, da Escola Clássica, está centrado nos seguintes princípios:

·         Os fenômenos econômicos, tanto quanto os fenômenos naturais, estão sujeitos às leis universais de funcionamento, ou seja, às leis naturais da economia;
·         Os bens são o resultado do trabalho humano, sendo diferenciados em seu valor apenas pelas diferentes quantidades de trabalho necessárias para produzi-los;
·         O pensamento de Smith era impregnado de princípios filosóficos e morais, sendo fortemente influenciado pelo pensamento filosófico de Hobbes (1588-1679), Locke (1632-1704), Montesquieu (1689-1755), Hume (1711-1776) e Rousseau (1712-1778);
·         Adam Smith tinha uma visão positivista do comportamento humano, na linha do pensamento de David Hume, vendo o homem como naturalmente bom, ainda que tendendo a ter um comportamento egoísta. Contudo, ao ver de Smith, o mecanismo de mercado (“mão invisível”) transforma o egoísmo humano em um fator positivo para toda a sociedade: cada indivíduo, buscando o melhor para si, contribui para a melhoria de toda a sociedade. Smith procurou ensinar que o comportamento egoísta do homem poderia promover o bem-estar social;
·         Partindo da idéia do valor trabalho, Adam Smith conclui que a origem do todas as riquezas é o trabalho, e não o comércio, como diziam os mercantilistas e nem a terra como afirmavam os fisiocratas. Para Smith, todas as atividades econômicas que produzem mercadorias produzem valor;
·         Smith incumbiu-se da tarefa de resolver dois tipos de problema: um a nível macroeconômico (divisão do trabalho, acumulação de capital e crescimento econômico) e outro a nível microeconômico (divisão do trabalho e sistema de preços);
·         Smith contestou o padrão mercantilista de regulamentação e controle estatal da economia, defendendo a ideia de que a concorrência nos mercados elevaria ao máximo o desenvolvimento econômico, o qual seria usufruído por toda a sociedade. Critica, assim, o mercantilismo e o papel ativo do Estado que, a seu ver, seriam um obstáculo ao desenvolvimento do capitalismo. Para Smith, o Estado deveria agir como um incentivador e um controlador das atividades econômicas, sem, contudo, se sobrepor a elas, ficando restrito às funções básicas (segurança, justiça e obras públicas);
·         Para Smith, o mercado é um sistema auto-regulador e o ponto culminante da liberdade econômica individual. O mecanismo central do mercado é a concorrência: cada indivíduo, procurando melhorar sua própria condição de vida, mesmo que não se preocupe com os demais, compete com pessoas com igual comportamento. No limite, o egoísmo individual tem um papel positivo, contribuindo para a melhoria do padrão de vida de toda a sociedade, através do mecanismo da mão invisível. O homem tem um interesse e uma necessidade vital pelo trabalho, impulsionando-o a viver em comunidade. Smith acreditava que o egoísmo inato ao homem e a harmonia natural de seus interesses levaria ao benefício de toda a sociedade;
·         Smith defendia um modelo econômico em que a liberdade era plena e total (“laissez-faire”), sendo a produção e a distribuição de riquezas determinada pela oferta e a demanda;
·         Smith atribuiu um papel fundamental à divisão do trabalho, para ele o principal fator do desenvolvimento econômico pelo aumento da produtividade do trabalho;
·         Smith criou dois conceitos de valor: valor de uso e valor de troca, atribuindo valor econômico apenas ao último;
·         O trabalho humano é a verdadeira fonte da riqueza do homem, sendo a medida do valor dos bens. Valor é distinto de preço;
·         Embora apologista da nascente classe industrial capitalista, Smith teve grande simpatia pelo operário e pelo trabalhador agrícola, opondo-se aos privilégios decorrentes do sistema mercantil. Smith lançou os princípios de uma teoria da exploração do trabalho humano, ao verificar que, no capitalismo, os trabalhadores perdem o controle de sua subsistência ao perderem o controle dos meios de produção;
·         Smith acreditava que o homem tem um instinto natural pelas trocas. Analisou a distribuição de renda ao discutir os três componentes do “preço natural”: salários, lucros e rendas;
·         Smith, na linha de pensamento de William Petty (1623-1687), faz uma distinção entre o valor de uso e o valor de troca das mercadorias, sendo a riqueza constituída pelos valores de uso;
·         Para Smith, o valor de troca reflete o trabalho gasto na produção de mercadorias, sendo o trabalho a fonte de todos os bens necessários à vida humana. Partindo da teoria do valor-trabalho, Smith mostra que o crescimento da riqueza depende da produtividade do trabalho, a qual é diretamente dependente do grau de especialização ou da extensão em que a divisão do trabalho é alcançada;
·         Smith critica os princípios mercantilistas de que o que uma nação ganha no comércio internacional outras perdem, defendendo a ideia de que o comércio internacional amplia a divisão do trabalho e todos os países ganham, na medida em que se beneficiam direta ou indiretamente com o aumento da produtividade do trabalho;
·         Smith criticava os empresários, porque, para ele, estavam sempre conspirando contra o povo e tentando eliminar a concorrência.

Adam Smith exprime os conceitos de “mão invisível” e do papel positivo do egoísmo humano na seguinte passagem de sua seminal obra:

“(...) É só em seu próprio proveito que um homem emprega seu capital na indústria; portanto, sempre se esforçará em usá-lo na indústria cujo produto tenda a ser de maior valor ou em troca pela maior quantidade possível de dinheiro ou de outros bens (...) Nisto está, como em muitos outros casos, guiado por uma mão invisível para alcançar um fim que não formava parte de sua intenção. E tampouco é o pior para a sociedade que isto tenha sido assim. Ao buscar seu próprio interesse, o homem favorece o interesse da sociedade de forma melhor do que quando realmente deseja fazê-lo”.
     Adam Smith, “A Riqueza das Nações”, Livro IV, Capítulo 2.

Thomas Malthus (1766-1834): A Lei da População

               Malthus, primeiro professor de economia política, desenvolveu alguns conceitos e ideias econômicas posteriormente retomados por Keynes em 1936, como, por exemplo, o aumento dos gastos públicos para aumentar a demanda efetiva. Malthus tinha uma visão pessimista em relação ao futuro da humanidade, considerando a pobreza como o fim inevitável do homem.

               Na concepção malthusiana, a fome e miséria só poderiam ser evitadas pela redução da taxa de natalidade, por meio da abstinência sexual.

               Dois discípulos do pensamento econômico de Adam Smith se destacam em especial: Thomas Robert Malthus e David Ricardo. O primeiro é o autor da obra célebre “Ensaio Sobre a População”, em que segue o pensamento de Smith, elaborando a teoria de que o ritmo de crescimento da população é mais intenso do que o da produção de alimentos, condenando a Humanidade a morrer de fome. Assim, Malthus concluiu que as catástrofes (guerras, epidemias, terremotos), ainda que tenham implicações negativas, são úteis para a Humanidade na medida em que reduzem o hiato entre o crescimento populacional e a produção de alimentos. A implicação dessa afirmação, é que era preciso reduzir o crescimento populacional através de um controle moral rigoroso sobre a sociedade.


               Os trabalhos de Malthus originaram o que se convencionou chamar de “Lei da População de Malthus”  ou “Malthusianismo”:

     “(...) afirmamos que a população, quando não controlada, se duplica a cada 25 anos ou cresce numa progressão geométrica (...) os meios de subsistência crescem numa progressão aritmética”. Thomas Malthus, Ensaio Sobre a população, 1798, publicado como Os Economistas, 1996, Nova Cultural, Ensaio Sobre a População, p. 250.
    
     “Tomando a população do mundo como qualquer número, 1 bilhão, por exemplo, a espécie humana cresceria na progressão de 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, etc. e os meios de subsistência na progressão de 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 etc. Em dois séculos e um quarto da população estaria, para os meios de subsistência, na proporção de 512 para 10 (...). Malthus, op cit, p. 251.

               A visão de Malthus sobre o problema do crescimento populacional, não era completamente pessimista, pois poderia estimular o homem a se esforçar mais, como se vê nas passagens abaixo:

     “A necessidade de alimento para o sustento da vida dá origem, provavelmente, a uma maior quantidade de esforço do que qualquer outra necessidade física ou mental”. Malthus, op cit, p. 366

     “Foi ordenado que a população crescesse mais rapidamente que o alimento para fornecer os mais permanentes estímulos desse tipo e para levar o homem a apoiar os desígnios favoráveis da Providência por meio do pleno cultivo da terra. Essa lei geral (...) produz, sem dúvida, muitos danos parciais, mas talvez nos satisfaça uma pequena reflexão sobre uma grande abundância de bens que ela produz. Estímulos fortes parecem necessários para criar o esforço e orientá-lo e para formar a faculdade da razão (...).Malthus, op cit, p. 367.




Malthus foi um crítico da Lei de Say, na medida em que ele pensava que o entesouramento de riqueza por parte das classes mais ricas poderia inibir a atividade econômica, interrompendo o mecanismo de equilíbrio pressuposto pelo Lei de Say:

“Alguns autores muito competentes pensam que, embora seja muito fácil haver saturação de determinadas mercadorias, não é possível haver uma saturação de mercadorias em geral porque, segundo seu modo de ver a questão, como as mercadorias sempre são trocadas por mercadorias, uma das metades forneceu o mercado para a outra metade, e como a produção seria assim a fonte exclusiva da demanda, um excesso na oferta de um artigo prova simplesmente uma insuficiência na oferta de algum outro, e um excesso geral é impossível. O sr. Say, em seu famoso trabalho sobre Economia Política, foi de fato tão longe que chega a afirmar que o consumo de uma mercadoria, por tirá-la do mercado, diminui a demanda, e a produção de uma mercadoria aumenta proporcionalmente a demanda. Entretanto, essa teoria, na medida em que tem sido aplicada, parece-me totalmente sem fundamento e contradiz frontalmente os grandes princípios que regulam a oferta e a procura. De forma nenhuma é verdade, com efeito, que as mercadorias sempre são trocadas por mercadorias. A maior parte das mercadorias é trocada diretamente por trabalho, seja produtivo ou improdutivo. (...) Se as mercadorias devessem apenas ser comparadas e trocadas umas pelas outras, então realmente seria verdade que se todas elas aumentassem proporcionalmente em qualquer medida, continuariam a manter entre si o mesmo valor relativo; mas se as comparamos (...) com o número e com as necessidades dos consumidores, nesse caso, um grande aumento de produção com população relativamente estacionária e com as necessidades reduzidas pela parcimônia ocasionaria necessariamente uma grande queda de valor estimado em trabalho, de modo que a mesma produção, embora tenha custado a mesma quantidade de trabalho de antes, não pode mais adquirir a mesma quantidade; e tanto a capacidade quanto a motivação para cumular sofreria uma violenta restrição”. Malthus, op cit.

               Malthus desenvolveu originalmente o conceito de demanda efetiva, o qual seria um século mais tarde aperfeiçoado por Keynes. Foi também um crítico de David Ricardo, como se vê na passagem reproduzida abaixo:

     “Segundo o Sr. Ricardo, os lucros são regulados pelos salários e estes pela qualidade da terra cultivada por último” (...) “A razão pela qual os lucros caem à medida que a terra se exaure é que a demanda efetiva de bens de primeira necessidade pode não crescer na mesma proporção que a despesa necessária à produção desses bens”.

     “Dizem que a demanda efetiva nada mais é que a oferta de uma mercadoria em troca de outra. Mas será que isso é tudo quanto é necessário para uma demanda efetiva? (...) Seria tal essa demanda que estimularia sua produção contínua? Incontestavelmente, não. Malthus, op cit, p. 170.

     “As dificuldades das classes trabalhadoras têm sido atribuídas à insuficiência de capital. O capital pode ser insuficiente relativamente am população e mesmo assim não ser insuficiente comparativamente à sua demanda efetiva”. Malthus, op cit, p. 223.


David Ricardo (1772-1832) – Teoria das Vantagens Comparativas

                          David Ricardo, autor da obra “Princípios de Economia Política” é um dos mais importantes discípulos de Adam Smith. Ricardo desenvolveu vários conceitos econômicos originais, tais como a “Lei de Ferro dos Salários”, segundo a qual quanto mais baixos forem os salários, mais difícil será para os trabalhadores alimentar famílias numerosas, fato que evitaria o colapso da humanidade, tal como sugerido por Thomas Malthus. David Ricardo se interessou profundamente pelas questões do crescimento econômico e, portanto, pelos fatores que explicam a distribuição da renda.



                          Algumas das principais contribuições de Ricardo foram:

·         Desenvolveu a Lei de Ferro dos Salários, em que defendia a ideia de que os salários tendiam a se situar sempre próximos do nível de subsistência, provocado pela diminuição da produtividade da terra;
·         Desenvolveu a Teoria da tendência à queda dos lucros no longo prazo;
·         Previu o desemprego tecnológico provocado pelo progresso tecnológico e a deterioração das condições de vida dos trabalhadores, fato que foi posteriormente destacado por Karl Marx;
·         Mudou a análise clássica do valor;
·         Mostrou a relação entre acumulação de capital, expansão econômica e distribuição de renda;
·         Estudou o comércio internacional e defendeu o livre comércio;
·         Criou a “Teoria das Vantagens Comparativas”, em que sugeriu que se as nações se especializassem na produção dos bens em que detêm vantagens comparativas, todas se beneficiariam com o comércio internacional, mesmo se uma delas é mais eficente na produção de todos os bens. Em 1817, David Ricardo publicou “Princípios de Economia Política e Tributação”, onde desenvolve a teoria das vantagens comparativas.

                      Ricardo é um liberal radical e incorpora a “Lei de Say” a seus trabalhos. Todavia, no modelo de Ricardo, a taxa de lucro é declinante a longo prazo. O mecanismo ricardiano funciona assim: o aumento da população leva à utilização de terras cada vez menos férteis para a produção de alimentos, elevando os preços dos alimentos, que exigem mais trabalho para sua produção. A alta dos preços dos alimentos leva à alta dos salários e à queda das taxas de lucro. Quando essa taxa é igual a zero, o processo de acumulação de capital entra em pane levando ao estado estacionário. De acordo com Ricardo, porém, há duas formas de impedir o estado estacionário: a introdução do progresso técnico na agricultura; e a liberação das importações de cereais, que eram impossibilitadas pelas Leis do Trigo, que representavam os interesses dos donos de terras na Inglaterra. A importação de cereais baratos impediriam a subida dos salários reais, facilitando o aumento dos lucros e a acumulação de capital fundamental para o crescimento econômico. Em Adam Smith, a acumulação de capital seria estimulada pelo aumento das exportações e pelo aprofundamento da divisão do trabalho.

                      Portanto, o livre comércio é uma condição sine qua non à teoria econômica ricardiana, na medida em que é a livre importação de cereais que permitirá a expansão do processo de acumulação de capitais. Além disso, o maior desenvolvimento industrial da Inglaterra vis-à-vis outras nações requeria a abertura de mercados para seus produtos, sendo uma via natural para o domínio dos mercados externos pelos produtos ingleses.

                      A passagem, em sua obra, em que Ricardo define a tendência à queda na taxa de lucro, é a seguinte:

                      “A tendência natural dos lucros, portanto, é diminuir, pois, com o desenvolvimento da sociedade e da riqueza, a quantidade adicional de alimentos requerida se obtém com o sacrifício de mais e mais trabalho”. Ricardo, David, princípios de Economia Política e Tributação, Coleção os Pensadores, SP: Abril Cultural, 1982, p. 97.

A importância da Teoria da Renda da Terra de Ricardo é que permitiu analisar as relações de longo prazo entre desenvolvimento econômico e distribuição de renda, a partir da tendência de declínio na acumulação de capital e elevação na parcela da renda nacional pertencente aos proprietários de terra.

Em sua análise do valor, Ricardo iguala valor ao preço natural, ou seja, à quantidade de trabalho necessária à produção da mercadoria (trabalho passado + trabalho presente). Karl Marx, por sua vez, define valor como o trabalho socialmente necessário para a produção da mercadoria, compreendendo capital constante + capital variável + mais-valia.

Ricardo não distingue valor de troca de preço de produção, ou preço natural, para ele conceitos similares. De acordo com Marx, contudo, o preço de produção e o valor são definidos em níveis diferentes de abstração, em que o preço de produção é obtido a partir de uma taxa uniforme de lucro, calculada em valor.

Na teoria do valor elaborada por David Ricardo a quantidade de trabalho incorporado não é o único determinante do valor das mercadorias, e o valor do produto social se altera caso mudem as parcelas apropriadas por salários e lucros.

Jean Baptiste Say (1768-1830) - A Lei de Say

                      De acordo com a Lei de Say, a oferta cria sua própria demanda. As pessoas ofertam um bem ou serviço visando a adquirir outros bens. Por esse mecanismo, não seria possível haver superprodução na economia capitalista de livre mercado, ou seja, não haveria qualquer descompasso entre oferta e demanda pois os pagamentos aos fatores de produção (salários, lucros, juros) que constituem custos de produção correspondem ao fluxo de  renda necessária para a aquisição das mercadorias. A Grande Depressão (1929) enterrou a Lei de Say. Houve superprodução generalizada no sistema capitalista mundial (principalmente nos Estados Unidos) e abriu espaço para o surgimento da Revolução Keynesiana.


David Ricardo aceitou a Lei de Say, mas Thomas Malthus a rejeitou completamente, com o argumento de que a demanda efetiva tende a ser inferior à oferta, pois, ao ver de Malthus, a classe capitalista tem uma tendência a não gastar sua renda, preferindo entesourar parcela significativa dos lucros que recebe.


John Stuart Mill (1806-1873) - O Homem Econômico

          Uma contribuição importante de J.S.Mill à teoria econômica é o conceito de “homem econômico” que aparece na seguinte passagem de sua obra:

“Não há talvez uma única ação na vida de um homem em que ele não esteja sob a influência, imediata ou remota, de algum impulso que não seja o simples desejo de riqueza. Sobre esses atos a economia política nada tem a dizer. Mas há também certos departamentos dos afazeres humanos nos quais a obtenção de riqueza é o fim principal é reconhecido. A economia política leva em conta unicamente estes últimos”. J.S.Mill, Da Definição de Economia Política e do Método de Investigação Próprio a Ela, SP: Abril Cultural, 1973, p. 231.

 

          Portanto, o conceito de homem econômico desenvolvido por John Stuart Mill pode ser entendido como uma simplificação teórica que não leva em conta  todas as outras motivações inerentes ao comportamento humano em sociedade, diferentes de maximizar alguma coisa ou acumular riqueza ao longo da vida.

O pensamento econômico de J.S.Mill está a meio caminho entre a escola clássica e a escola neoclássica, refletindo o auge do capitalismo concorrencial e do domínio da Inglaterra nos mercados mundiais. O obra de J.S.Mill reflete também as crescentes contradições entre a economia capitalista e o pensamento socialista. Assim, não é mera coincidência que sua principal obra “Princípios de Economia Política”, apareça no mesmo ano que o “Manifesto Comunista” de Karl Marx e Engel (1848).

                      Na obra de J.S.Mill, há uma ruptura com a visão liberal extrema dos clássicos, uma vez que a intervenção estatal é aceita, notadamente para propósitos de distribuição de renda, a qual, ao ver de Mill, seria muito mais função da conveniência social do que de leis econômicas rígidas.

Os economistas clássicos tiveram uma grande preocupação com uma eventual tendência do sistema capitalista à estagnação da taxa de acumulação de capital e de seu crescimento econômico, fato que, eventualmente, levaria ao colapso do sistema capitalista. Marx seguiu essa linha de análise.

4.    O Marxismo: Séc. XIX – A Exploração do Homem Pelo Homem
                         
O marxismo é uma doutrina baseada no pensamento e na doutrina dos teóricos do socialismo, os filósofos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), notadamente nas obras revolucionárias “O Capital”, publicada em 1867, e “Manifesto Comunista, publicada em 1848. 


Em sua análise, Marx rejeita não só o idealismo enquanto princípio filosófico, como também a doutrina de David Hume (1711-1776) e Immanuel Kant (1724-1804). O velho materialismo, ao ver de Marx (e Engels), concebia a “essência humana” em abstrato e como o “conjunto de relações sociais”, apenas interpretando o mundo, quando na realidade seria necessário transformá-lo; ou seja, Marx dá grande importância à “atuação revolucionária prática”.

A partir de 1844, quando se consolidam suas ideias filosóficas, Marx torna-se um materialista e um seguidor do filósofo L. Feuerbach (1804-1872). Sobre a concepção materialista da história, Engels (na obra “Ludwig Feuerbach”), amigo e co-autor de Marx) escreveu: “O grande problema cardinal de toda filosofia, especialmente da moderna, é o problema da relação entre o pensar e o ser, entre o espírito e a natureza (...) O que veio primeiro, o espírito ou a natureza? (...) Os filósofos se dividiam em dois grandes campos, segundo a contestação que dessem a esta pergunta. Os que afirmavam a anterioridade do espírito frente à natureza, os que, portanto, admitiam em última instância uma criação do mundo, de qualquer classe que fosse (...) se agrupavam no campo do idealismo. Os demais, aqueles para quem a natureza era o primeiro, formavam nas distintas escolas do materialismo”.

Na visão marxista, ao longo de sua existência, os seres humanos se submetem, de modo involuntário, a determinadas relações de produção que corresponderiam a uma determinada fase de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. O conjunto destas relações de produção constitui a infra-estrutura econômica da sociedade; ou seja, a base material sobre a qual se ergue a superestrutura (base ideológica jurídica, econômica, política, filosófica, cultural, social, espiritual) e a que correspondem determinadas formas de consciência social. Para Marx, o modo de produção da vida material influencia o processo da vida social, política e espiritual em geral. Assim, para Marx, não é a consciência do indivíduo que determina seu ser, mas o contrário. Ao atingir determinada fase de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade chocam-se com as relações de produção existentes. A partir deste momento, para Marx, essas relações deixam de se constituir em agentes favoráveis às forças produtivas para se transformarem em adversários a essas forças, abrindo caminho para a revolução social. Desse modo, na visão marxista, ao mudar a base econômica material, revoluciona-se toda a superestrutura ideológica que foi construída sobre a mesma.

Marx começa sua análise do sistema capitalista com a análise da mercadoria. Escreve Marx:

“A riqueza das sociedades, onde rege a produção capitalista configura-se em “imensa acumulação de mercadorias”, e a mercadoria, isoladamente considerada, é a forma elementar dessa riqueza. Por isso, nossa investigação começa com a análise da mercadoria. A mercadoria é, antes de mais nada, um objeto externo, uma coisa que, por suas propriedades, satisfaz necessidades humanas, seja qual for a natureza, a origem delas, provenham do estômago ou da fantasia (...) A variedade dos padrões de medida das mercadorias decorre da natureza diversa dos objetos a medir e também de convenção. A utilidade de uma coisa faz dela um valor de uso (...) O valor de uso só se realiza com a utilização ou o consumo. Os valores-de-uso constituem o conteúdo material da riqueza, qualquer que seja a forma social dela. Na forma de sociedade que vamos estudar, os valores-de-uso são, ao mesmo tempo, os veículos materiais do valor-de-troca. O valor-de-troca revela-se, de início, na relação quantitativa entre valores-de-uso de espécies diferentes, na proporção em que se trocam, relação que muda constantemente no tempo e no espaço (...) Qualquer mercadoria se troca por outras, nas mais diversas proporções (...) Tomemos duas mercadorias, por exemplo, trigo e ferro. Qualquer que seja a proporção em que se troquem, é possível sempre expressá-la com uma igualdade (...) Como valores-de-uso as mercadorias são, antes de mais nada, de qualidades diferentes; como valores-de-troca, só podem diferir na quantidade, não contendo, portanto, nenhum átomo de valor-de-uso”.

De acordo com Marx, a mercadoria é, acima de tudo, um objeto usado para satisfazer uma necessidade humana. É, também, um objeto que pode ser trocado por outro. Portanto, numa visão marxista, uma mercadoria pode ter dois tipos de valor: valor de uso e valor de troca. A utilidade de uma mercadoria transforma-a em valor de uso. O valor de troca, contudo, não é nada mais do que a relação ou proporção em que se troca um determinado número de valores de uso de uma espécie por um determinado número de valores de uso de outra espécie. Para Marx, os diversos bens têm em comum o fato de serem resultado do trabalho humano. Nesse sentido, a produção de mercadorias é um sistema de relações sociais em que os diversos produtores produzem diferentes produtos - a partir da divisão social do trabalho - e em que estes produtos são equivalentes uns aos outros através da troca. Desse modo, o ponto comum a todas as mercadorias é o trabalho humano. Cada mercadoria, isoladamente, representa uma certa parte de tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-la. Dessa forma, a magnitude do valor é determinada pela quantidade de trabalho socialmente necessário ou pelo tempo de trabalho socialmente necessário para produzir determinada mercadoria ou determinado valor de uso. Fundamentalmente, as mercadorias são quantidades  de tempo de trabalho nelas empregado.

Na perspectiva marxista, o avanço da socialização do trabalho, que se manifesta no desenvolvimento da grande produção das empresas capitalistas, cada vez mais concentradas e cartelizadas, e no imenso crescimento do capital financeiro, é a base material mais importante do inevitável surgimento do socialismo, segundo essa visão. A força geradora desta transformação é a classe proletária, formada e treinada pelo próprio sistema capitalista. Sua luta contra a burguesia transforma-se em luta política para a conquista do poder político que levaria à “ditadura do proletariado”. A socialização da produção levaria à transformação dos meios de produção em propriedade social, isto é, à “expropriação dos expropriadores”. Nessa lógica, o imenso aumento da produtividade do trabalho, a redução da jornada de trabalho e a substituição da pequena unidade empresarial pelo trabalho coletivo seriam consequências.

Ao analisar o papel do Estado, Marx conclui que as nações são ao mesmo tempo um produto e uma forma inevitáveis de desenvolvimento da sociedade burguesa. Na visão marxista, a classe operária não poderia desenvolver-se sem “organizar-se nos limites da nação”. Porém, o desenvolvimento do capitalismo destruiria as barreiras nacionais, acabaria com o isolamento nacional e substituiria os conflitos nacionais por conflitos de classe a nível mundial. Para Marx, nos países capitalistas avançados os trabalhadores não têm pátria e “a ação comum” dos trabalhadores, pelo menos nos chamados países desenvolvidos, “é uma das primeiras condições de sua emancipação”, conforme expresso no famoso trabalho “Manifesto Comunista”.

Dentro da lógica marxista, seria inevitável a transformação da sociedade capitalista em socialista, a partir da lei econômica do movimento da sociedade moderna com o desenvolvimento de novas formas de produção, nova organização da família e novo papel das mulheres na sociedade. Tais mudanças sociais acionariam o mecanismo que levaria à revolução social e, em última instância, ao colapso do próprio sistema capitalista e à ascensão do sistema socialista.

A tese central de Marx é que o capitalismo se sustenta na exploração da classe trabalhadora, que recebe apenas o valor correspondente à reposição de sua força de trabalho, ou seja, recebe apenas o suficiente para adquirir os bens necessários para manter-se viva e se reproduzir como espécie.

Marx cria o conceito de mais-valia, cujo significado já havia sido desenvolvido por Adam Smith em “A Riqueza das Nações”. A mais-valia é a fonte da cumulação de capital no sistema capitalista, sendo o fruto da exploração capitalista.  Na concepção marxista, a mais-valia é gerada pela obtenção de um valor de uso maior do que o pagamento recebido pelos trabalhadores, ou seja, a diferença entre o valor das mercadorias produzidas e o pagamento do valor da força de trabalho utilizada.

Marx pode ser considerado um discípulo de Ricardo, adotando, além de outros conceitos, a teoria do valor ricardiana. Na verdade, Marx se utiliza também do conceito de valor de troca desenvolvido por Adam Smith. Combinando essa teoria com sua teoria da mais-valia, Marx desenvolveu uma teoria da reprodução do capital no sistema capitalista, tendo por base a exploração da classe trabalhadora. Essa exploração, levaria, a longo prazo, a um inevitável conflito de classes, força geradora da revolução da classe trabalhadora. Como resultado, os trabalhadores confiscariam dos capitalistas seu instrumento fundamental de exploração – o controle dos meios de produção – colocando-o sob o domínio do Estado, levando à coletivização dos meios de produção (“a expropriação dos expropriadores”). Assim, surgiria um novo modo de produção, o Socialismo.
         
As relações de produção existentes no sistema capitalista e a superestrutura jurídica resultante levam a que a mais-valia seja apropriada pela classe burguesa, os proprietários dos meios de produção, permitindo-lhe uma contínua acumulação de capital a qual levaria à redução da taxa de lucros devido à crescente concentração do capital. Em paralelo, a progressiva mecanização cria um permanente exército industrial de reserva que mantém os salários no nível de subsistência. Na concepção marxista, é essa concentração do capital e a organização da produção a partir de estruturas de massas de trabalhadores disciplinadas e treinadas pelo próprio sistema que levará à revolução social.

          O marxismo se centra no chamado materialismo dialético, desenvolvido a partir das teorias da luta de classes e que levou à criação da teoria e da tática da revolução proletária.  O materialismo dialético é a doutrina fundamental do marxismo, tendo como principal fundamento a ideia de que o mundo funciona por meio de um processo em que tudo está em incessante e contínuo movimento e transformação. O materialismo histórico, por sua vez, é a doutrina originada no marxismo que afirma que o conjunto de todos os processo (sociais, políticos, jurídicos, filosóficos e econômicos) depende do modo de produção material.

          Há duas construções filosóficas importantes associadas ao marxismo: o socialismo e o comunismo. O socialismo é a doutrina que defende a prevalência dos interesses do conjunto da sociedade sobre os interesses individuais, retirando de cena a ação individual e colocando no lugar a ação coletiva na produção de bens e serviços e na distribuição da renda e da riqueza. Há duas vertentes fundamentais e divergentes no socialismo: o socialismo científico e o socialismo utópico.

          O socialismo científico é baseado na doutrina do materialismo histórico, propondo a estatização dos meios de produção. O socialismo utópico contrapõe-se ao socialismo científico e baseia-se em programas idealistas de governo e não na realidade econômica em si. São exemplos de socialistas utópicos no século XIX Owen (1771-1858), Saint-Simon (1760-1825) e Fourier (1772-1837).

          O comunismo, por sua vez, é baseado no controle estatal dos meios de produção, com a eliminação da propriedade privada, sendo visto como uma etapa posterior ao socialismo.

          A Revolução Russa, de 1917, liderada por Lênin (1870-1924), teve como resultado a implementação, na prática, das teorias marxistas, centradas na formação de um sistema econômico que utilizaria a propriedade estatal dos meios de produção, a coletivização da terra e o planejamento centralizado.

A TEORIA DO VALOR TRABALHO DE MARX E O COLAPSO DO SISTEMA CAPITALISTA

Marx se interessou fundamentalmente pelas questões da luta das classes  proletárias e, segundo ele, a história de todas as sociedades que existiram é a história das lutas de classes. Nessa visão, o capitalismo seria centrado na exploração das classes trabalhadoras pelos capitalistas.

Marx desenvolve o conceito de mais-valia para explicar o processo de acumulação de capital e a exploração dos trabalhadores no sistema capitalista. Para extrair mais-valia, o detentor de dinheiro precisa encontrar no mercado uma mercadoria cujo valor de uso tenha a propriedade especial de ser também fonte de valor, ou seja, uma mercadoria cujo processo de consumo seja, também, um processo de criação de valor. Na análise marxista, esta mercadoria é a força de trabalho do homem e haveria dois modos fundamentais para aumentar a mais-valia: aumentando a jornada de trabalho (mais-valia absoluta) e reduzindo o tempo de trabalho necessário (mais-valia relativa).

O monopólio dos meios de produção, de posse da classe capitalista, obrigava os trabalhadores a vender sua força de trabalho por um valor inferior à sua contribuição à produção, daí resultando, para Marx, a exploração capitalista. Marx, ao analisar a produção de mais-valia relativa, investiga as três etapas históricas fundamentais no processo de intensificação da produtividade do trabalho no sistema capitalista: 1) a cooperação simples; 2) a divisão do trabalho e a manufatura; 3) as máquinas e a grande indústria.

          Na teoria da valor-trabalho de Marx, o valor das mercadorias é subdividido em três elementos, como se vê na expressão abaixo:

V = c + v + m

Onde:
V = Valor;
c = capital constante (maquinaria);
v = capital variável (trabalho);
m = mais-valia;

Da equação anterior é possível extrair as seguintes relações:

















Na análise marxista, é de fundamental importância no processo de desenvolvimento do capitalismo e de sua transformação em socialismo o crescimento mais rápido do capital constante (na soma total do capital) vis-à-vis o capital variável. Ao substituir trabalhadores (capital variável) pela maquinaria (capital constante), o capitalismo geraria riqueza para uns (capitalistas) e miséria para outros (trabalhadores). A acumulação de capital gera o que Marx chamou de exército industrial de reserva, ou seja, o excedente relativo de trabalhadores que permite ao capital aumentar a produção. Na perspectiva marxista, a combinação de crédito com o processo de acumulação de capital explicaria as crises de superprodução que se verificam de tempos em tempos nos países capitalistas.

A elevação da produtividade do trabalho levaria ao aumento da relação capital constante/capital variável. Todavia, como a geração de mais-valia depende da parcela do capital variável no capital total, a parcela dos lucros no capital tenderia a cair, levando a que a taxa de acumulação de capital no sistema capitalista tenda a cair, o que, na perspectiva marxista, seria um dos fatores que levaria ao colapso do sistema capitalista.

               Há uma questão fundamental no modelo de Marx sobre a relação entre a acumulação de capital e o funcionamento do mercado de trabalho numa economia capitalista, levando à ideia de que o crescimento da riqueza produzida pelo trabalho gera desemprego:

“Com a acumulação do capital produzida por ela mesma, a população trabalhadora produz (...), em volume crescente, os meios de sua própria redundância relativa. Esta é uma lei populacional peculiar do modo de produção capitalista”. Karl Marx, O Capital, vol. 1, SP: Abril Cultural, 1984, p.20.


5.    Escola Neoclássica ou Marginalista: 1870 – 1929 – O Prazer do Indivíduo é Rei

Marginalismo é a escola de pensamento econômico desenvolvida entre 1870 e 1874, e que, partindo da análise da oferta e da procura em termos marginais, ressaltou a tendência da economia de mercado ao equilíbrio a partir da existência de leis naturais que justificariam a prevalência do capitalismo em relação a outros sistemas econômicos.

Os marginalistas foram os primeiros teóricos da economia a utilizar métodos matemáticos na formalização da teoria econômica.

A Revolução Marginalista foi iniciada por Stanley Jevons (1871) e Karl Menger (1871) e seguida por Walras (1874), Marshall (1891, Pareto (1892) e pelos economistas da escola austríaca (e.g. Böhm-Baverk (1851-1914)). O alemão Hermann-Henri Gossen (1810-1858), o austríaco Menger, Jevons e Walras enunciaram – independentemente uns dos outros – o princípio da utilidade marginal decrescente. Gossen desenvolveu uma forma embrionária desse conceito. Walras era engenheiro e Pareto, também engenheiro, era um nobre italiano ultraconservador. O fundamento filosófico do pensamento marginalista era o utilitarismo elaborado por Jeremy Bentham (1748-1832): o indivíduo procura maximizar a sua utilidade líquida , ou seja, o saldo do prazer sobre a dor, ou ainda, da receita sobre os custos. Os indivíduos procuram alcançar o máximo de prazer e o mínimo de sofrimento. Para Jevons, a utilidade é a qualidade de um objeto, serviço ou ação que o torna capaz de dar prazer aos indivíduos, ou afastar o sofrimento. O instrumento analítico utilizado pelos marginalistas era o cálculo diferencial, que pela primeira vez era aplicado na formulação da teoria econômica. Augustin Cournot (1801-1877) tinha uma visão subjetiva do valor a partir da utilidade e utilizou, pela primeira vez, os métodos de cálculo diferencial na formalização dos modelos econômicos.

A utilidade, na concepção marginalista, é representada por uma função utilidade côncava, de tal modo que a utilidade é uma função crescente da quantidade consumida de um determinado bem, porém este acréscimo é cada vez menor. A desutilidade, por seu turno, é definida como a qualidade de causar sofrimento.

Utilitarismo


O Utilitarismo é uma concepção filosófica sobre a doutrina moral acerca do comportamento, das motivações e das ações dos seres humanos na busca egoística do prazer individual, cuja consequência será a obtenção da felicidade para o maior número de indivíduos, na medida em que os interesses individuais acabam por beneficiar a toda a coletividade. O utilitarismo pressupõe a utilidade como o valor máximo. O utilitarismo tem exercido uma profunda influência na história do pensamento econômico. John Stuart Mill (1806-1873) e Jeremy Bentham (1748-1832) principais pensadores utilitaristas, postularam ser o estudo do comportamento hedonista do indivíduo em sociedade a fonte primária da construção científica da economia:

                                    John Stuart Mill (1806-1873)

“A natureza colocou o gênero humano sob o domínio de dois senhores: a dor e o prazer. Somente a eles compete apontar o que devemos fazer, bem como determinar o que na realidade faremos (...). Os dois senhores de que falamos nos governam em tudo o que fazemos, em tudo o que dizemos, em tudo o que pensamos (...)”.
Bentham, J. Uma Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação. SP: Abril Cultural, 1974, p. 9.

Portanto, ao ver de Mill e Bentham:

·         O comportamento individual dos agentes econômicos deveriam ser os fundamentos da análise econômica;
·         A base da noção de valor deveria ser a utilidade dos bens, “desejo abstrato” que se contraporia à noção de “trabalho abstrato” da tradição de Adam Smith, Ricardo e Marx.

          Hedonismo é a doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível, princípio e fim da vida moral. O hedonismo é a doutrina moral do cirenaísmo. Por outro lado, cirenaísmo é a doutrina da escola cirenaica, ou escola de Cirene, fundada pelo discípulo de Sócrates, Aristipo de Cirene (séc. V a.C.), e de seus seguidores, cujo tema central é o hedonismo.

A primeira grande construção teórica marginalista foi a teoria do comportamento racional do consumidor ou teoria da utilidade marginal:

·         O consumo de quantidades de diversos bens por unidade de tempo determina a utilidade total do indivíduo;
·         A utilidade total é a soma das utilidades parciais;
·         As utilidades marginais (as derivadas parciais da utilidade total) em relação às quantidades são positivas e decrescentes;
·         O problema da decisão racional do consumidor é, dados os preços das diversas mercadorias e a renda do consumidor, determinar as quantidades que maximizam a sua utilidade, dada sua restrição orçamentária;
·         As utilidades marginais dos bens positivamente consumidos são proporcionais aos respectivos preços. A relação entre a utilidade marginal e o preço do bem é a utilidade marginal de uma unidade monetária aplicada na compra desse bem.

                      A Escola Marginalista ou Neoclássica surge como uma alternativa à teoria clássica e, na linha desta, defende o livre mercado e critica o planejamento estatal. Para os marginalistas, a alocação de recursos deve seguir princípios de eficiência e ser guiada pelos preços de mercado.

          O pensamento econômico neoclássico (Léon Walras (1834-1910), William Jevons (1835-1882), Karl Menger (1840-1923), John Bates Clark (1847-1938), Vilfredo Pareto (1848-1923), Francis Edgeworth (1845-1926) e Alfred Marshall (1842-1924)), ainda que mantendo a espinha dorsal do pensamento clássico, a defesa do liberalismo econômico, introduz alterações importantes. O modelo neoclássico original, a partir da concepção walrasiana da Economia Política Pura, vê a ciência econômica como uma ciência natural, na linha das ciências físicas e matemáticas, assumindo a existência de leis naturais imutáveis, e a manutenção da livre concorrência como hipótese fundamental de funcionamento do mercado, onde o equilíbrio da produção e da troca e a maximização da utilidade por parte do consumidor estão sempre presentes.

                                   Alfred Marshall (1842-1924)

          A utilização da matemática como instrumento analítico é uma das principais diferenças entre os marginalistas (que a utilizaram intensamente) e os clássicos (que a não utilizaram). Marshall se utilizou da análise do equilíbrio parcial: analisar o mercado de cada bem em separado, considerando dadas as condições prevalecentes nos demais mercados. Walras faz uma análise de equilíbrio geral: considera explicitamente as interdependências entre os diversos mercados. Walras se utiliza do “tatônnement”, expressão utilizada por ele para o mecanismo de contratos virtuais sucessivos na determinação do preço de equilíbrio de mercado.

                                             (Léon Walras (1834-1910)

          Pareto, engenheiro e economista italiano, foi professor de economia em Lausanne, Suíça, e um seguidor de Walras. Pareto incorpora princípios de bem-estar social e preocupações com a distribuição de renda, tentando manter intacta a estrutura teórica fundamental do marginalismo. Pareto, sucessor de Walras na cadeira de economia política na Universidade de Lausanne, desenvolveu analiticamente a teoria do equilíbrio geral, especialmente na conceituação de eficiência social. Pareto foi o primeiro economista a distinguir entre os conceitos de utilidade cardinal e utilidade ordinal, dando importância apenas ao segundo. Utilizando as chamadas curvas de indiferença, criadas por Edgeworth (1845-1926), em 1881, modificou a teoria da utilidade e da demanda ao negar a possibilidade de haver comparações interpessoais de utilidade e definiu conceitos conhecidos como “ótimo de Pareto”. A chamada “Lei de Pareto” afirma que as desigualdades econômicas existirão em qualquer tipo de sociedade.

                                          Vilfredo Pareto (1848-1923)

          Os neoclássicos ou marginalistas procuram explicar a distribuição de renda pelo equilíbrio de mercado entre demanda e oferta dos fatores de produção da economia. A lógica da teoria da produtividade marginal é simples: a remuneração de qualquer fator de produção tende a ser igual ao valor de sua produtividade marginal. Os preços dos bens e os custos dos fatores são uma função de sua produtividade marginal. A produtividade marginal é uma função da oferta e demanda dos fatores de produção, levando a que a distribuição da renda seja também uma função da oferta e demanda dos fatores de produção. A conclusão fundamental que se extrai dessa lógica é: em mercados de produtos e insumos perfeitamente competitivos, os fatores são remunerados pelo valor de sua produtividade marginal.

          Algumas das principais proposições dos pensadores marginalistas são:

·         Os marginalistas criaram conceitos novos, tais como utilidade marginal, custo marginal, receita marginal e produtividade marginal, daí o nome Marginalismo. Esses conceitos constituem a espinha dorsal da Microeconomia moderna.
·         A utilidade marginal é a verdadeira fonte do valor. Portanto, o paradigma neoclássico de formação de preços privilegia os preços de mercado determinados pela oferta e pela demanda. O valor é determinado pela utilidade e pela escassez. O valor não depende do trabalho (como nos clássicos), mas sim da utilidade dos bens; o valor não se forma na produção, mas sim no mercado;
·         A distribuição de renda não é explicada pelas classes sociais, mas sim pelos fatores de produção terra, capital e trabalho, no sentido de que cada fator é remunerado de acordo com sua contribuição marginal no processo de produção, desaparecendo a categoria do excedente econômico. O conceito de “exploração”, fundamental na análise marxista, não existe para os marginalistas, pois cada fator é remunerado no mercado de acordo com sua produtividade marginal. Os marginalistas mantiveram o princípio de Adam Smith de que os lucros são a remuneração pela assunção de riscos empresariais. Na perspectiva marginalista, a sociedade não é caracterizada pela luta de classes, como no marxismo. A distribuição da renda é decidida no mercado.
·         O lucro não é mais considerado um resíduo, mas a remuneração da produtividade marginal do capital;
·         Os preços não dependem dos custos de produção, mas sim das interações entre oferta e demanda no mercado;
·         Há uma grande preocupação com a alocação eficiente dos recursos escassos entre usos alternativos, com o objetivo de maximizar a utilidade ou a satisfação dos consumidores;
·         O marginalismo integrou a teoria da utilidade marginal do valor com a teoria do custo de produção dos clássicos, e explicou os preços dos bens e dos fatores e a alocação dos recursos a partir da análise marginal. O homem racional econômico visaria equilibrar seus gastos marginais com sua receita marginal. Para os neoclássicos (e para os clássicos) o pleno emprego seria o nível normal de funcionamento da economia e as distorções seriam automaticamente (naturalmente) corrigidos pelo livre funcionamento do mercado, assumindo a validade da Lei de Say. A análise baseada na utilidade marginal assumia que a existência de trabalhadores desempregados só podia ser explicada se os trabalhadores não aceitassem salários equivalentes à sua produtividade marginal do trabalho. Ou seja, uma economia capitalista competitiva se equilibraria naturalmente, desde que numa situação todos os que desejassem trabalhar aceitassem uma remuneração equivalente à sua produtividade marginal. Portanto, a existência de desempregados voluntários era possível, desde que não aceitassem a remuneração do “último trabalhador” (trabalhador marginal). O que não seria possível, seria a existência de desempregados involuntários, trabalhadores que estariam dispostos a trabalhar ao salário de mercado, mas que não encontram trabalho;
·         Para os marginalistas, o “homem econômico”, desde que livre de interferências, produziria sempre situações de equilíbrio ótimas;
·         Os marginalistas concebiam a economia como o resultado das incontáveis relações entre os indivíduos no mercado, produzindo e consumindo de acordo com determinadas inclinações subjetivas, tais como preços relativos e alocação de recursos, derivadas do princípio da utilidade marginal decrescente;
·         Os marginalistas vêem a economia como o resultado da ação dos agentes econômicos – consumidores e firmas – comportando-se de forma racional e procurando maximizar o consumo e os lucros, respectivamente;
·         Dentro das concepções marginalistas, numa economia de mercado jamais poderia haver superprodução, uma vez que, de acordo com a lei de Say, cada venda corresponde a uma compra;
·         As crises do capitalismo seriam crises passageiras, desajustamentos temporários que seriam naturalmente corrigidos pelo mercado. Ao marginalistas aceitaram, sem restrições, a lei de Say.

Os marginalistas defendem o que se convencionou chamar de economia positiva, com desinteresse por princípios de ordem filosófica ou moral, tais como justiça social (economia normativa). Os marginalistas veem a economia como uma ciência sujeita às leis naturais de funcionamento. Portanto, não têm preocupações normativas, não se utilizando de princípios filosóficos para analisá-la.

Os princípios da economia neoclássica (e clássica, com a Lei de Say) entram em colapso com a Grande Depressão, na medida em que o liberalismo econômico não foi capaz de impedir uma crise econômica sem precedentes com forte depressão econômica, falências e desemprego que ameaçaram a sobrevivência do próprio sistema capitalista, abrindo caminho para novas ideias que acabaram por se constituir numa verdadeira revolução no modo como encarar as saídas para a crise sistêmica do capitalismo.

Os marginalistas não perceberam que o capitalismo estava mudando de uma forma concorrencial para uma forma monopolista, cada vez mais distante do modelo ideal de concorrência perfeita por eles preconizado e utilizado em seus modelos.

8 - REVOLUÇÃO KEYNESIANA: 1936 – O Estado Salvando o Capitalismo


A utilização prática dos princípios liberais marginalistas reinou absoluta até o início da Primeira Guerra Mundial, quando passou a ser substituída por um sistema de planejamento nos países belicistas. Essa mudança teve razões estratégicas e objetivava conhecer as capacidades econômicas e militares dos países beligerantes. Todavia, é com a Grande Depressão nos anos 1930’s, que esses princípios caem por terra, passando-se a utilizar mecanismos de intervenção estatal no domínio econômico (“New Deal”, por exemplo, em 1934, nos Estados Unidos), notadamente a partir da publicação do livro “Teoria Geral“ de Keynes, em 1936. A intervenção estatal passa a ser um dos instrumentos de política econômica.


          John Maynard Keynes (1883-1946) é o criador da moderna macroeconomia e suas obras romperam com a tradição neoclássica apresentando um programa de ação governamental para a promoção do pleno emprego. Keynes interessou-se pelos problemas da instabilidade econômica a curto prazo e procurou determinar as causas das flutuações econômicas e os níveis de renda e de emprego em economias industriais. Keynes, formado intelectualmente de acordo com os princípios neoclássicos, questionou esses princípios, incluindo suas preocupações de longo prazo, “período no qual todos estaremos mortos”, de acordo com Keynes.

Keynes analisou os problemas dos grandes agregados a curto prazo (renda, emprego, poupança, consumo, investimento)  e contestou a crítica marxista ao capitalismo que, para Keynes, poderia ser preservado, em sua parte essencial, se reformas apropriadas fossem implementadas. Keynes criticou a Lei de Say e sua noção de equilíbrio perpétuo entre oferta e demanda: para ele o grande problema no período pós-grande depressão era uma insuficiência de demanda efetiva (consumo mais investimento) que mantinha a economia americana em depressão. Keynes analisou o problema da retenção de moeda (“armadilha da liquidez”) e analisou os grandes agregados da economia e o equilíbrio desses agregados, atribuindo papel ativo à política fiscal – o uso político dos déficits públicos – e dando pouca importância à política monetária.

Keynes, ao contrário de Adam Smith e dos demais economistas clássicos, buscou recuperar o legado mercantilista, ressaltando a importância dos superávits na balança comercial na redução da taxa de juro e no incremento da demanda efetiva. O princípio da demanda efetiva, aperfeiçoado por Keynes, não é novo na teoria econômica. Thomas Malthus (1766-1834) e John Hobson (1858-1940) já haviam elaborado argumento semelhante. Além disso, Joan Robinson (1903-1983), em sua obra ‘Liberdade e Necessidade” (1970), mostra que as principais teses da Teoria Geral já tinham sido antecipadas por Gunnar Myrdal (1898-1987) e Michael Kalecki (1899-1970), com o desconhecimento de Keynes.

De acordo com Keynes, uma economia capitalista pode alcançar seu equilíbrio, mesmo que não haja o pleno emprego dos recursos produtivos. Na concepção keynesiana, uma política econômica que buscasse o pleno emprego deveria:

  • Baixar a taxa de juros;
  • Aumentar os gastos públicos;
  • Expandir o volume de empréstimos por parte do governo.

Keynes rejeita a Lei de Say, que pressupunha um equilíbrio perpétuo entre oferta e demanda, introduzindo a hipótese de insuficiência de demanda como o problema econômico fundamental nas circunstâncias da Grande Depressão. O conceito de demanda efetiva tem no investimento seu principal determinante. As decisões de gasto dos agentes econômicos, no curto prazo, determinam os volumes de investimento, renda e emprego. Portanto, a demanda efetiva pode ser menor que oferta, provocando redução na produção e no emprego. A moeda também é considerada como reserva de valor, havendo possibilidade de entesouramento por parte dos agentes econômicos, desestimulando a demanda. Assim, Keynes introduz o conceito de preferência pela liquidez e admite demanda por moeda com um fim em si mesmo (motivos de precaução e especulação). Assume, ainda, a possibilidade de haver equilíbrio com desemprego no curto prazo, o que para os clássicos e neoclássicos seria inadmissível.

As principais ideias econômicas de Keynes,em linhas gerais, portanto,  são:

·         O nível de emprego depende da demanda efetiva, ou seja, dos gastos com consumo e investimento;
·         Numa economia monetária (em que não há o escambo), a lei de Say não é válida, dado que a renda percebida pode não ser totalmente consumida;
·         Numa economia capitalista pode haver vantagens na retenção do dinheiro, desde que ocorra uma preferência pela liquidez em função das expectativas econômicas. Nesse caso, o total das vendas pode superar o total das compras, forçando o acúmulo de estoques e a superprodução, levando a uma queda nas vendas. Havendo entesouramento do dinheiro em decorrência de uma preferência pela liquidez, a demanda efetiva cai;
·         O nível de consumo depende da renda, mas é mais estável do que a mesma. Quando a renda aumenta, ocorre um aumento da poupança;
·         Os empresários só investirão em seus negócios se a taxa de juros for inferior à perspectiva de lucros, que Keynes chamou de “eficiência marginal do capital”. Para haver investimento, a taxa de juros de mercado tem que ser inferior à eficiência marginal do capital; isto é, à expectativa dos lucros na atividade econômica. Se os juros subirem, a demanda efetiva cai e vice-versa;
·         Uma economia capitalista pode encontrar seu nível de equilíbrio (poupança igual a investimento) sem que haja o pleno emprego dos fatores de produção;
·         Para haver o pleno emprego é necessário utilizar políticas que induzam ao crescimento da demanda efetiva. Para isso, o Estado deve ser intervencionista fixando juros baixos e aumentando os gastos públicos e os empréstimos ao setor privado.

O período de auge do pensamento keynesiano, centrando atenção ao lado da demanda, em detrimento do lado da oferta, vai de 1936 até o início dos anos 1970’s, quando as economias capitalistas desenvolvidas enfrentaram problemas de inflação e estagnação econômica provocada, em larga medida, pelos choques do petróleo de 1973 e 1979. A partir desse período, verifica-se uma ascensão das ideias neoliberais e uma retração das ideias intervencionistas, em que o papel do Estado na economia é cada vez mais questionado, num momento em que a recessão provocava aumentos significativos no déficit público e na dívida pública nas economias desenvolvidas. O aprofundamento da assim chamada “globalização” surge no bojo dessa mudança de paradigma teórico a partir dos anos 1970’s.

A “Era de Ouro do Capitalismo” – período 1945-1973 - foi de grande prosperidade econômica para as principais nações capitalistas. Vários são os fatores que, eventualmente, contribuíram para essa prosperidade:

·         O emprego de políticas keynesianas, estimulando a demanda agregada e reduzindo as flutuações econômicas de curto prazo;
·         A adoção de políticas públicas de apoio aos desempregados, idosos, doentes, etc., que caracterizam o Welfare State (Estado de Bem-Estar Social), gerando acréscimos de renda;
·         A reconstrução das economias europeias (o Plano Marshall) e japonesa no período pós II Guerra Mundial;
·         A criação do conjunto de instituições de Bretton Woods (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional), permitindo o aumento do comércio internacional a partir da adoção de taxas de câmbio fixas. O Banco Mundial, criado em 1944, resultou do acordo de Bretton Woods e  tem tido, como uma de suas principais características, a função de ofertar capitais de longo prazo, particularmente no financiamento de projetos de desenvolvimento econômico (infra-estrutura, educação, saúde, saneamento, ecologia, etc.);
·         A criação de organismos multilaterais para dirimir conflitos no comércio internacional, evitando políticas retaliatórias de defesa comercial que inibiriam esse comércio (GATT – General Agreement on Trade and Tecnology);
·         Os desenvolvimentos tecnológicos, permitindo o desenvolvimento dos bens de consumo de massa e dos produtos eletrônicos, fatores que caracterizaram a “sociedade de consumo” desse período;
·         A devolução dos empréstimos compulsórios contraídos pelo governo norte-americano para financiar o esforço bélico durante a II Guerra Mundial, provocando o efeito-riqueza e estimulando a demanda efetiva;
·         A industrialização das chamadas economias periféricas da América latina e Ásia, com a conseqüente demanda de insumos, matérias-primas, máquinas e equipamentos, produzidos nos países do primeiro mundo, notadamente nos Estados Unidos.

          A revolução keynesiana deu origem a todo um conjunto de modelos de crescimento econômico e flutuação cíclica centrado na interação entre dois mecanismos: o multiplicador e o acelerador. O primeiro descreve o efeito do investimento autônomo sobre a expansão da demanda agregada; o segundo, o efeito induzido pela expansão da demanda agregada sobre a propensão a investir.

9 - PENSAMENTO ECONÔMICO PÓS-KEYNES: A TORRE DE BABEL DO PENSAMENTO ECONÔMICO


                      O século XX é rico em teorias econômicas preocupadas em explicar o funcionamento das economias capitalistas, mas, dada sua diversidade e o antagonismo entre algumas dessas teorias, podemos dizer que se constituiram numa espécie de Torre de Babel do pensamento econômico. Os limites específicos de cada teoria ou área de análise são difíceis de precisar, dado que, às vezes, há um inter-relacionamento entre elas. As teorias e as áreas mais importantes, que vão do início do século XX até nossos dias são:

·         Análise do Imperialismo e do Capitalismo Monopolista pré-Primeira Guerra Mundial e Revolução Russa: Rudolf Hilferding (1877-1941), Rosa Luxemburgo (1871-1919), Lênin (1870-1924) e Nikolai Bukharin (1888-1938);

Lênin, em sua obra “O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo” afirma que “A concentração da produção; os monopólios que surgem dessa concentração; a fusão ou união dos bancos com a indústria, tal é a história do nascimento do capital financeiro e o conteúdo desse conceito”. Assim, para Lênin a existência do capital financeiro e o surgimento de uma oligarquia financeira é uma das características fundamentais do imperialismo.


Rosa Luxemburgo em “A Acumulação do Capital” (1913) afirma que a acumulação  do capital capitalista (a mais-valia num esquema de reprodução ampliada) depende de sua expansão para outras áreas, regiões ou países. Assim, o imperialismo é uma consequência da expansão das potências capitalistas sobre o mundo não-capitalista.


·         Teoria do monopólio e concorrência monopolística pré-Segunda Guerra Mundial: Edward Chamberlin (1899-1967) e Joan Robinson (1903-1983.
·         As Teorias dos Ciclos Econômicos (Joseph Schumpeter (1883-1950), Michael Kalecki (1899-1970), Nikolai Kondratief (1892-1938));
·         Os Modelos de Crescimento Econômico (Roy F. Harrod (1900-1978), Evsey Domar (1914-1997), Robert Solow (1924- );


§  Séculos XV a XVII: Mercantilismo: A acumulação de riqueza pelo Monarca (Estado) como medida do crescimento econômico.
§  Séculos XVIII e XIX: Economia Clássica: estudar os fatores que determinavam a riqueza das nações e, assim, o crescimento econômico, a longo prazo.
§  1850-1910: Auge do Marginalismo e defesa do liberalismo econômico como motor do crescimento econômico.
§  Final do Século XIX e Início do Século XX: Teoria dos Ciclos Econômicos: determinar os fatores que desviavam a economia de sua tendência de crescimento de longo prazo. Grande preocupação com o Capitalismo Monopolista e com a concentração do poder econômico das firmas.
§  Anos 1930’s e 1940’s: Modelos de Crescimento Harrod-Domar: fortemente influenciados pelos impactos da Grande Depressão, demonstram grande pessimismo quanto à possibilidade de haver um processo de crescimento econômico forte e estável a longo prazo. O capitalismo é visto como um sistema instável e a teoria econômica é fortemente influenciada pela Teoria Geral de Keynes. Modelos de Crescimento Ótimo.
§  Anos 1950’s e 1960’s: Auge da Teoria do Crescimento Econômico: entender as tendências do crescimento econômico a longo prazo, o ciclo econômico sendo visto como passageiro. Modelos neoclássicos de crescimento a um setor, a dois setores e multissetores. Modelos de safra. Modelos de crescimento exógeno. Modelo de Solow. A Escola de Cambridge: a controvérsia do capital, o modelo de Kaldor, o modelo de Kaldor-Pasinetti, as regras de bolso de colete. Joan Robinson e suas idades metálicas. Fase áurea do capitalismo: grande otimismo e crescimento e liderança das ideias keynesianas. O apogeu da publicação de artigos sobre crescimento econômico ocorre na metade dos anos 1960s.
§  Anos 1970s: Limites ao Crescimento. Começo das preocupações com os impactos do crescimento econômico sobre o meio ambiente. 1973-1985: Período caracterizado pelo ocaso da teoria do crescimento econômico, com o praticamente desaparecimento de novos trabalhos acadêmicos sobre o tema, em função da incapacidade dos modelos neoclássicos explicarem a grande instabilidade que caracterizou o período, em particular o problema da “estagflação’, ou seja, a combinação de estagnação econômico com a inflação elevada. Primeiras crises do petróleo. Modelos de Crescimento Liderado Pelas Exportações. Modelo de Thirwall. A experiência dos “Tigres Asiáticos”. Contraposição crescimento liderado pelo mercado interno versus crescimento liderado pelas exportações.
§  Anos 1980’s: Nova Teoria do Crescimento Econômico Endógeno. Modelo de Romer (1986) e importância dos retornos crescentes de escala. Ascensão do neoliberalismo econômico: Ronald Reagan (Estados Unidos) e Margareth Thatcher (Reino Unido).
§  Visão atual sobre o crescimento econômico.O papel da tecnologia de informação e do conhecimento no crescimento econômico.  O aprofundamento da globalização. A expansão de China, Índia e Rússia. Novas possibilidades de convergência entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento.


·         As Teorias do Desenvolvimento Econômico (Frish (1895-1973), Raúl Prebish (1901-1985), Roseinstein-Rodan (1902-1985), Celso Furtado (1920 - 2004):CEPAL, Dois Hiatos, Estágios de Desenvolvimento, Industrialização Retardatária;

§  Século XIX: Economistas clássicos: procuraram determinar as causas da riqueza das nações.
§  Anos 1910’s: Teoria do Desenvolvimento Econômico de Schumpeter. Embrião do conceito da Destruição Criativa. O papel fundamental do empreendedor nos ciclos econômicos.
§  Anos 1940’s: Surge, no contexto dos países em desenvolvimento, o ramo econômico do “Desenvolvimento Econômico”, a partir do uso de técnicas de planejamento econômico, da ascensão de regimes socialistas e do nascimento de um clima de “guerra fria” entre o Ocidente capitalista e a antiga União Soviética, socialista. Destruição Criativa de Schumpeter: o desenvolvimento econômico como o resultado de mudanças descontínuas e espontâneas no ciclo econômico. Rosentein-Rodan e a Confederação do Danúbio: surge o conceito do crescimento equilibrado. Teoria do Crescimento Equilibrado e “Big Push”.
§  Anos 1950’s: Surgimento de Teorias do Desenvolvimento Econômico: Teoria da Industrialização Retardatária, Teoria da CEPAL ou Análise Estruturalista, O Círculo Vicioso da Pobreza. Novas contribuições ao conceito de Big-Push.Teoria do Crescimento Desequilibrado.
§  Anos 1960’s: Novas Teorias do Desenvolvimento Econômico: Teoria dos Dois Hiatos, Teoria da Dependência, Teoria dos Estágios de Crescimento, Paradigma Neomarxista: Teoria dos Sistemas Mundiais. Teoria dos Choques Adversos. Teoria do Desenvolvimento do Subdesenvolvimento.
§  Anos 1990’s e anos 2000’s: Índice de Desenvolvimento Humano - IDH. Indicadores de Pobreza (Privação) Humana - IPH. Coeficiente de Gini aplicado à medição da desigualdade de renda. Desenvolvimento Sustentável. Preocupação com os impactos do crescimento sobre o meio ambiente.

                         Raúl Prebish (1901-1985)

·         A Teoria Pós-Keynesiana (Nicholas Kaldor (1908-1986), Luigi Pasinetti (1930- ), Joan Robinson (1903-1983), Piero Sraffa (1898-1983), Roy F. Harrod (1900-1978), Paul Davidson (1930 -  ), Hyman P. Minsky (1919-1996));

O que se denomina teoria pós-keynesiana é o conjunto de trabalhos desenvolvidos pela Escola de Cambridge, na Inglaterra, e pelos chamados keynesianos “fundamentalistas”, nos Estados Unidos. Entre os primeiros, encontramos Joan Robinson (1903-1983), Nicholas Kaldor (1908-1986), Roy Harrod (1900-1978), Piero Sraffa (1898-1983) e Luigi Pasinetti (1930- ). Entre os segundos, encontramos Paul Davidson (1930-  ) e Hyman Minsky (1919-1996).

                                     Joan Robinson (1903-1983)

O objetivo da teoria pós-keynesiana é criticar os pressupostos da teoria neoclássica, a qual constitui a chamada corrente principal (“mainstream”) do pensamento econômico.

Os economistas pós-keynesianos de Cambridge, Inglaterra, publicaram diversos trabalhos cuja preocupação principal era combater as ideias e pressupostos neoclássicos a partir de conceitos ligados às teorias e modelos do crescimento econômico e da distribuição de renda, o que, na literatura econômica, veio a ser conhecido como a “controvérsia de Cambridge”.

P. Davidson e H. Minsky, por sua vez, introduziram elementos distintos na análise econômica, particularmente os conceitos de incerteza, natureza e papel da moeda e instabilidade do sistema financeiro e especulação financeira, com a preocupação de demonstrar, seguindo estritamente o pensamento de Keynes, que, numa economia monetária, as decisões de poupança e investimento são determinadas, em última instância, pela incerteza, levando os agentes econômicos a ter uma preferência pela liquidez, retendo moeda, diminuindo a demanda agregada (consumo e investimento) e provocando desemprego. Minsky (1996) também valoriza o papel das instituições, relacionando-o com o caráter financeiro do capitalismo.


·         A Economia Neoclássica, a Nova Escola Austríaca e a Contra-revolução Monetarista (F. von Hayek (1899-1992), Milton Friedman (1912-2006));

Monetarismo é a teoria econômica que enfatiza o efeito da quantidade de moeda sobre a demanda agregada, a pouca influência desta na determinação do nível de renda, e a necessidade de controle do estoque de moeda para evitar excesso de demanda e inflação. O monetarismo é oposto ao keynesianismo. Na versão latino-americana, o monetarismo interpreta a inflação dos países dessa região como decorrente de descontrole monetário, provocando excesso de demanda. O monetarismo latino-americano opõe-se ao pensamento estruturalista, que interpreta o fenômeno inflacionário como decorrente de fatores estruturais da economia.

Em 1942,  F. Hayeck (1899-1992), economista austríaco ultra-liberal, publica “A Caminho da Servidão”, em que faz críticas ao modelo intervencionista antes mesmo da ascensão do keynesianismo, endereçadas ao modelo socialista do leste europeu. Essa obra representa a primeira reação neoliberal importante ao intervencionismo estatal a nível econômico, social e político.

                                               F. Hayeck (1899-1992)

Nos anos 1950 e 1960, tendo à frente Milton Friedman (1912 - 2006), Prêmio Nobel de Economia em 1976, o monetarismo, foi uma contrarevolução liberal aos princípios keynesianos. Os monetaristas argumentavam que a economia de mercado era auto-regulável. Para eles, a política macroeconômica ativa (a intervenção governamental na economia) gerava mais problemas econômicos do que soluções. Friedman e Anna Schwartz (1915- ) argumentavam, em “A Monetary History of the US, 1867-1960” (1963), que as flutuações econômicas eram resultado de alterações na oferta de moeda, prescrevendo uma oferta monetária estável  e constante para alcançar uma estabilidade econômica duradoura.

Para compreensão do pensamento de Milton Friedman, veja o artigo “Uma Entrevista Com Milton Friedman”, neste blog.

·         A Síntese Neoclássica e a Controvérsia de Cambridge

O que na literatura econômica se denomina como “Síntese Neoclássica” ou “velhos keynesianos”, é o conjunto de trabalhos desenvolvido por John Hicks (1937), A. Hansen (1941), F. Modigliani (1944), D. Patinkin (1956) e R. Clower (1965).

A “síntese neoclássica” foi construída a partir de três modelos macroeconômicos de equilíbrio geral:

§  Equilíbrio simultâneo dos mercados real e monetário.
§  Comportamento da função consumo.
§  Equilíbrio do mercado de trabalho compatível com equilíbrio dos mercados real e monetário.

J. Hicks (1937) desenvolveu os diagramas IS/LM, reinterpretando os equilíbrios macroeconômicos dos mercados real e monetário. Outras contribuições importantes do chamado “velho keynesianismo” foram o desenvolvimento da estática comparativa, o conceito de fundamentos microeconômicos da macroeconomia e a conclusão de que um sistema de preços flexíveis pode levar ao pleno emprego.

John Hicks constrói dois modelos de comportamento de demanda agregada, um clássico e outro keynesiano, tendo como estrutura básica a rigidez da oferta agregada, concluindo que a economia keynesiana é um caso particular da economia clássica, na medida em que, para o autor, “a Teoria Geral do Emprego é a Economia da Depressão”.

D. Patinkin (1956), por sua vez, discutiu a teoria keynesiana dentro de uma abordagem walrasiana de longo prazo, em que a flexibilidade tanto de preços quanto de salários é fundamental. Como consequência lógica, a longo prazo, não poderia haver desemprego involuntário, mantendo-se o equilíbrio walrasiano.

Os desequilíbrios da teoria keynesiana transformam-se em desequilíbrios “dinâmicos” do modelo walrasiano de curto prazo, compatíveis com pleno emprego walrasiano de longo prazo. A Teoria Geral mantém-se como um caso especial da teoria clássica, agora, com rigidez dos salários  nominais.

Como corolário de sua abordagem teórica, a Síntese Neoclássica transforma a instabilidade de curto prazo do sistema econômico keynesiano, num processo expansionista de equilíbrio de longo prazo, obtido graças ao funcionamento das livres forças de mercado onde a “mão invisível” de Adam Smith tem papel fundamental.

Críticas à Síntese Neoclássica

R. Clowe (1965), A. Leijonhufvud (1968), J. Benassy (1975) e E. Malinvaud (1977) apresentaram importantes trabalhos criticando a Síntese Neoclássica, a partir da constatação de que os modelos de equilíbrio geral não conseguiam prever o comportamento de preços e quantidades na ocorrência de choques de oferta. Estes autores argumentaram que, a partir do funcionamento desses modelos, poderia haver desemprego.


·         “Economia Intitucional”, Institucionalismo e Institucionalismo Americano

O Institucionalismo americano reside nas ideias desenvolvidas por Thorstein Bunde Veblen (1857-1929), John Rogers Commons (1862-1945), Clarence Ayres (1891-1972) e Wesley C. Mitchel (1874-1948). Mais recentemente, Geoffrey Hodgson (1946- ), Warren Samuels (1933-2011) e William M. Dugger resgataram o pensamento institucionalista a partir do pensamento de Veblen. Ronald Coase (1910-  ), Oliver E. Willianson (1932-  ) e Douglas C. North (1920-  ) são institucionalistas que introduziram conceitos novos no Institucionalismo americano, particularmente a menor importância da incerteza na definição das estratégias e decisões das firmas.

·         Análise do Equilíbrio Geral

A teoria do equilíbrio geral é um ramo da Microeconomia que procura explicar o comportamento de produção, consumo e preços numa economia competitiva, supondo a existência de um ou mais mercados.

Léon Walras (1834-1910), Gerard Debreu (1921-2004) e Kenneth Arrow (1921-  ) são importantes economistas da análise do equilíbrio geral.

O economista neoclássico Léon Walras (1834-1910) foi um dos pioneiros da análise do equilíbrio geral, notadamente em seu livro clássico “Elementos de Economia Pura”, publicado em 1874. Sua noção de equilíbrio geral supõe a existência de igualdade entre oferta agregada, tanto no mercado de bens, quanto no mercado de fatores, obtido a partir do uso de um vetor de preços.

O conceito de leilão walrasiano é um instrumento teórico que permite analisar o processo de geração de equilíbrio em mercados competitivos, em que os agentes econômicos, através de múltiplas ofertas (vendas) e demandas (compras) levam a preços de equilíbrio.

A existência de equilíbrio com incerteza, ou seja, quando os agentes econômicos não conhecem perfeitamente o futuro e procuram a maximização de lucros, toda a renda é consumida ou trocada por outros bens e a quantidade total consumida iguala a produção total mais a dotação inicial, é conhecida como equilíbrio Arrow/Debreu, sendo um caso particular do equilíbrio walrasiano.


  • A Teoria das Expectativas Racionais e a Nova Economia Clássica (Lucas (1937- ), Sargent (1943-  );

O que se denomina como Novos Clássicos ou Nova Economia Clássica é o conjunto de trabalhos desenvolvidos por J. Muth (1961), R. Lucas Jr. (1972) e T. Sargent (1986).

Nos anos de 1970 e 1980, período caracterizado por fortes flutuações cíclicas nos países capitalistas avançados, com a ascensão monetarista ou neoclássica acentuou-se a reação aos princípios keynesianos com o que ficou conhecido como a escola da Nova Macroeconomia Clássica, liderada por Robert Lucas (1937 -  ) da Universidade de Chicago (Prêmio Nobel de Economia em 1995) e Robert Barro (1944 -   ) da Universidade de Harvard, dentre outros.

Esses economistas desenvolveram modelos de maximização das funções utilidade e lucro, criaram a teoria das expectativas racionais, estudaram mecanismos de equilíbrios automáticos em mercados competitivos e o conceito de oferta agregada e analisaram os efeitos dos choques de oferta sobre o comportamento da economia.

Os novos clássicos tinham dois grandes objetivos de análise econômica:

§  Criticar a visão de Milton Friedman da Curva de Phillips, no sentido de que, para Friedman, as expectativas eram formadas de modo adaptativo, ao passo que para eles, de modo racional, fazendo com que a Curva de Phillips se tornasse instável, tanto a curto quanto a longo prazos, uma vez resolvidos os erros de previsão; e
§  Construir uma alternativa à teoria keynesiana no que tange aos modelos dos ciclos econômicos.

A ideia fundamental da teoria das expectativas racionais é a de que os agentes econômicos nem ignoram, nem desprezam as informações e previsões acerca dos acontecimentos futuros da economia e antecipam, de modo racional, as implicações decorrentes da política econômica reagindo, no presente, com base nas expectativas que vão se formando em relação aos acontecimentos futuros.

Assim, de acordo com a teoria das expectativas racionais, qualquer choque econômico perfeitamente antecipado pelos agentes econômicos, seja decorrente da política monetária, seja decorrente da política fiscal, não teria qualquer efeito sobre o nível de produto real da economia. Desse modo, somente os choques econômicos não antecipados pelos agentes econômicos afetariam o nível de produto real, desviando-o de sua posição de equilíbrio.

A conclusão fundamental dos novos clássicos é que – inexistindo incertezas – o sistema econômico opera sempre na taxa natural de desemprego, não existindo escolha (“trade-off”) entre inflação e desemprego por parte dos formuladores da política econômica.

A teoria das expectativas racionais, influente no pensamento econômico na década de 1970, aumentou essa influência na década de 1980, com a visão da macroeconomia como jogo da informação incompleta, na medida em que a hipótese de expectativas racionais equivale à falta de previsão perfeita. Nos anos 1990, com a ascensão do neoliberalismo e do conceito de globalização, expande-se o liberalismo econômico e a ideologia do mercado global, uma espécie de darwinisianismo em que, de acordo com esses princípios, só sobreviverão os mais aptos, ou seja, os mais eficientes.


  • A Análise do Crescimento Ótimo


Maurice Allais (1911-2010), Tjalling C. Koopmans (1910-1985), David Cass (1937-2008) e Frank Plumpton Ramsey (1903-1930) estudaram profundamente a teoria dos mercados e a eficiente (ótima) aplicação dos recursos num mercado competitivo. O modelo de Ramsey (1928) [“Optimal one sector economic growth”] é reconhecido – inclusive por Keynes (1933) – como o começo da teoria da acumulação ótima, sendo um artigo de grande relevância acadêmica.


                               Frank Plumpton Ramsey (1903-1930)

  • Teoria dos Jogos (John Nash (1928- ), John Von Neumman (1903-1957), Oskar Morgersten (1902-1976))


Os princípios teóricos da Teoria dos Jogos foram formalmente enunciados, pela primeira vez, em 1838, na seminal obra de Antoine Augustin Cournot (1801-1877), “Reserches Sur les Principes Mathématiques de la Théorie des Richesses”.

A Teoria dos Jogos é um ramo da matemática aplicada, com muitas aplicações em Economia e em outras ciências, que permite estudar diversas estratégias quando os jogadores procuram alcançar os melhores resultados possíveis, dadas as ações ou estratégias de outros jogadores.

A importância da Teoria dos Jogos foi substancialmente aumentada com a publicação, em 1944, da obra “The Teory of Games and Economic Behaviour”, cujos autores são John von Neumann (1928 -  ) e Oskar Morgenstern (1903-1957).

A Teoria dos Jogos visa encontrar as melhores estratégias racionais possíveis, nos casos em que o resultado final depende tanto da estratégia do jogador, quanto das estratégias definidas por outros jogadores concorrentes, cujos interesses e metas podem ser iguais ou diferentes daqueles demonstrados pelo jogador em questão.

Em Economia, a Teoria dos Jogos é principalmente usada para estudar o comportamento de uma empresa vis-à-vis outras empresas que tanto pode ser concorrencial quanto cooperativo. Portanto, os oligopólios são mercados de grande interesse da Teoria dos Jogos. Além disso, o comportamento dos agentes econômicos em leilões é também alvo da Teoria dos Jogos.

A representação dos jogos pode ser feita na forma normal, em que é usada uma matriz para mostrar os jogadores, suas estratégias e os pagamentos realizados; ou na forma extensiva, em que a ordem é importante e os jogos são representados na forma de árvores de decisão.

Os jogos podem, ainda, ser classificados em simétricos, quando os pagamentos de uma determinada estratégia dependem apenas da estratégia utilizada e não do jogador (por exemplo, Jogo da Galinha e Dilema do Prisioneiro); ou assimétricos, em que cada jogador tem grupos de diferentes estratégias.

Os jogos podem ser de soma zero, se a soma do benefício total para todos os jogadores for zero (o que um jogador ganha o outro perde, como no Xadrez ou no Pôquer); ou de soma diferente de zero (o ganho de um jogador não implica na perda do outro, como no caso do Dilema do Prisioneiro).

Os jogos também podem ser simultâneos, quando os jogadores tomam suas ações ao mesmo tempo (forma normal); ou sequenciais, quando o jogador age ao conhecer a ação do outro jogador (forma extensiva).

Temos, ainda, os jogos com perfeita informação, quando todos os jogadores conhecem as ações tomadas previamente por todos os demais jogadores (jogos sequenciais); ou de imperfeita informação, quando não existe esse conhecimento das ações prévias dos outros jogadores.

Equilíbrio de Nash

Existe um Equilíbrio de Nash quando um conjunto de estratégias utilizado representa a melhor ação a ser tomada, dadas as demais estratégias; ou seja, havendo equilíbrio, nenhum jogador desejará afastar-se dele, uma vez que ele representa o melhor resultado possível, dado o comportamento dos demais jogadores. Em 1994, John Nash (1928 -  ), Reinhard Selten (1930 -  ) e John Harsanyi (1925-2000) ganharam o Prêmio Nobel de Economia por seus trabalhos na análise do equilíbrio na Teoria dos Jogos.

O Dilema do Prisioneiro

O Dilema do Prisioneiro é um problema de soma diferente de zero da Teoria dos Jogos, em que cada jogador age de modo independente, visando maximizar seus interesses, desconsiderando o que possa ocorrer com o outro jogador.

O jogo, aparentemente simples, esconde grande complexidade: A polícia prende dois suspeitos, mas não tem provas suficientes para os fazer condenar. Assim, os dois ficam presos separados e a polícia lhes oferece, separadamente, algumas condições: confessar o crime, testemunhando contra o outro e sair livre, desde que o outro não confesse. Mas, se os dois confessarem, ambos pegam cinco anos de cadeia. Porém, se nenhum deles confessar, acabarão soltos por falta de provas. Assim, qual é a melhor estratégia para eles?

O Quadro abaixo resume o problema:


Prisioneiro A Não Confessa
Prisioneiro B Confessa
Prisioneiro A Não Confessa
Os dois ficam 6 meses presos, aguardando decisão da Justiça.
O Prisioneiro A pega 10 anos de cadeia e o Prisioneiro B fica livre.
Prisioneiro B Confessa
O Prisioneiro B pega 10 anos de cadeia e o Prisioneiro A fica livre.
Os dois prisioneiros são condenados a 5 anos de prisão.

Confessar é uma estratégia dominante para os dois prisioneiros, porque independente da ação do outro, sua pena será menor confessando. Assim, o lógico é que ambos peguem cinco anos de cadeia, ao invés de seis meses, não confessando. Desse modo, este resultado não é um ótimo de Pareto, uma vez que cada jogador poderia melhorar sem piorar a situação do outro caso não confessasse.

  • Economia Experimental: Pensamento Estratégico.

Métodos experimentais vêm sendo crescentemente utilizados em Ciências Sociais, de um modo geral, e em Economia, de modo particular. Experimentos têm sido empregados em diversas áreas de pesquisa visando testar a validade de teorias econômicas e o modo de funcionamento do mercado e de diversos tipos de sistemas de trocas, com resultados importante. São muitas as áreas em que são utilizados métodos experimentais:

  • Coordenação de jogos
  • Barganha;
  • Experiências de aprendizado;
  • Experimentos em finanças;
  • Análise de mecanismos de controle de evasão fiscal;
  • Processos eleitorais;
  • Pesquisas de campo;
  • Processo de tomada de decisões;
  • Preferências sociais;
  • Investigação e meios de mitigação de exercício de poder de mercado;
  • Questões regulatórias;
  • Leilões de um único objeto (leilões de privatização ou concessões, leilões de patentes);
  • Leilões de objetos múltiplos (títulos públicos, espectro de rádio-frequência, energia elétrica);
  • Questões regulatórias.

Através do uso de laboratórios e de participantes, a economia experimental tem sido capaz de alcançar resultados satisfatórios em pesquisas experimentais, ao poder identificar comportamentos dos agentes econômicos não possíveis em pesquisas de campo, a partir do uso de incentivos financeiros reais aos agentes econômicos motivados pela possibilidade de ganhar dinheiro. Tanto podem ser testados grupos de indivíduos, quanto o comportamento individual.

São importantes economistas dessa área: Elvin E. Roth, Ido Ever, Roberto Weber, David Cooper, John Kagel, Greg Barron, Dale Stahl, Wilfred Amerdoss, Charles A. Holt, Amnon Rapoport, Jim Parco, Ryan Murphy, Vernon Smith, Charles Plott e Daniel Kahneman.

  • A Nova Teoria do Crescimento Econômico (Paul M. Romer (1955-));

O trabalho de Paul M. Romer (particularmente 1986, Increasing Returns and Long-Run Growth, The Journal of Political Economy) nessa área, ao longo dos últimos anos, tem sido construir formulações matemáticas em que o progresso tecnológico é visto como o resultado da ação deliberada dos agentes econômicos através da intensificação da pesquisa e do desenvolvimento tecnológicos, com a particular hipótese de que P&D geram retornos crescentes de escala, fator essencial na manutenção do crescimento econômico de longo prazo. Os retornos crescentes de escala de P&D tecnológico garantiriam que o sistema econômico não convergisse para a estagnação econômica.

  • A Nova Economia do Desenvolvimento Econômico (Manmohan Singh (1932)); Subrata Ghatak (1953); Maitreesh Ghatak (1968- );


  • Os Novos Keynesianos (Informação Assimétrica, “Moral Hazard”);

Para os monetaristas ou neoclássicos a teoria keynesiana não tem fundamento microeconômico ao postular que os preços são rígidos a curto prazo, não tendo relação com a demanda agregada. Os neoclássicos perguntam: Por que os preços são rígidos e não se ajustam às alterações econômicas? Os novo-keynesianos desenvolveram algumas hipóteses para tentar explicar essa rigidez: custos de cardápio; salários de eficiência; relações com os clientes estáveis; e o papel dos contratos. Essas teorias explicariam a presença de desemprego involuntário nas economias capitalistas como uma função da rigidez de salários reais e preços, a qual não permitiria a geração de equilíbrio no mercado de trabalho ao nível de pleno emprego da força de trabalho.

         
§  Custos de cardápio: custos administrativos provocados por alterações  de preços (catálogo de preços). As firmas evitariam estes custos;
§  Relações com clientes: as firmas visariam manter uma relação estável com seus clientes, não criando sobressaltos nos preços;
§  Existência de contratos a longo prazo  entre consumidores e vendedores que reduziriam as oscilações de preços; e
§  Salários de eficiência: as firmas não reduziriam os salários reais de seus empregados para evitar a rotatividade da mão-de-obra e a perda de eficiência.

         

  • A “Nova Economia” ou Economia da Informação e do Conhecimento;

Dentre os principais economistas da chamada “Nova Economia” encontramos Hal R. Varian (1952 - ), Carl Shapiro (1959-   ), Fritz Machlup (1902-1983), Herbert Simon (1916-2001), George Akerlof (1940-  ), Michael Spence (1943-  ), Joseph Stiglitz (1943-  ), James Mirrlees (1936-  ) e William Vickrey (1914-1996).

São importantes trabalhos da Economia da Informação:

§  1962, Fritz Machlup, “The Production and Distribution of Knowledge in the United States”.
§  1986, Bruce Greenwald e Joseph Stiglitz, “Externalities in Economics with Imperfect Information ans Incomplet Markets”, QJE, nº 90.
§  1999, Carl Shapiro e Hall R. Varian, “Information Rules”.

A economia da informação e do conhecimento é uma área recente da pesquisa econômica, que enfatiza as características particulares da chamada Nova Economia.

A “Nova Economia” parte do princípio de que inteligência e capacidade humana sempre estiveram no centro de qualquer processo de desenvolvimento econômico. Nesse sentido, tanto a geração quanto a disseminação de conhecimentos possuem características que não são compatíveis com a abordagem e os modelos existentes na corrente principal do pensamento econômico; ou seja, na teoria neoclássica.

Machlup e Simon são considerados economistas heterodoxos, exatamente por partirem de princípios e pressupostos não aceitos pela corrente principal (“mainstream”).

Machlup é um dos pioneiros da análise do conhecimento como um importante recurso econômico e seu trabalho de 1962, citado acima, é considerado um marco do conceito de sociedade da informação. Herbert Simon, foi Prêmio Nobel de Economia de 1978, por sua “pesquisa precursora no processo de tomada de decisões dentro das organizações econômicas”.

James Mirrlees (1936-  ) e William Vickrey (1914-1996) apresentaram exemplos de grupos da sociedade que têm acesso a mais informações do que outros, podendo usá-las para seus próprios interesses e provocando distorções de mercado.

Por outro lado, há economistas neoclássicos que consideram como muito importante o papel da informação na economia, tais como Kenneth Arrow (1921-  ), Bruce Greenwald (1946-  ) e Joseph Stiglitz (1943-  ).

George Akerlof (1940-  ), Michael Spence (1943-  ) e Joseph Stiglitz (1943-  ) mostraram empiricamente que os mercados são imperfeitos porque os agentes econômicos não possuem as mesmas capacidades de processar, interpretar e utilizar informações, mesmo aquelas de domínio público.

As inovações têm importante papel, a nível mundial, na economia da informação e do conhecimento, sendo normalmente associadas à contribuição de Joseph Schumpeter (1883-1950).

São características importantes da “Nova Economia”:

§  Desenvolvimento e novos formatos e estratégias empresariais;
§  Valorização de novas instituições de P&D;
§  Crescente complexidade e rapidez de surgimento de conhecimentos e tecnologias;
§  Crescente complexidade exigida dos recursos humanos.

De acordo com D. Harvey (1996), a partir dos anos 1960s e 1970s, há uma incapacidade do fordismo e do keynesianismo de lidar com as contradições do sistema capitalista e seria necessário o surgimento de novas ideias para alavancar esse sistema.

A economia da informação e do conhecimento – ao incorporar sistematicamente as inovações tecnológicas - é vista como uma verdadeira revolução a partir da geração e uso de conhecimentos, surgida de dentro do sistema capitalista que permite sua expansão, assim como fez a revolução industrial no passado, reduzindo extraordinariamente os custos de produção e distribuição e promovendo a expansão dos lucros e da acumulação capitalista em níveis nunca vistos. Nesse sentido, as áreas de computação, software, circuitos integrados e telecomunicações seriam aquelas mais fundamentais para o crescimento da economia da informação e do conhecimento.

Para Varian e Shapiro os produtos e serviços da chamada nova economia apresentam uma estrutura de custos muito especial, ainda que, segundo esses autores, não se possa abolir as leis tradicionais da Economia, não sendo correto imaginar que haja uma nova teoria econômica.

Para esses autores há um paradoxo dos custos na “nova economia”, no sentido de que os custos fixos são muito elevados, mas os custos variáveis são muito baixos; o investimento inicial é muito grande, gerando economias de escala tão elevadas que não encontram precedentes na chamada economia industrial.

A ideia central é que produzir a primeira cópia de um produto ou serviço é muito caro (alto custo de produção), exigindo grandes custos iniciais, irrecuperáveis (“sunk costs”). Porém, produzir, distribuir e promover as cópias seguintes é muito barato (custo marginal de reprodução desprezível). Assim, uma empresa para sobreviver tem que ter capacidade financeira que suporte esses custos fixos iniciais.

De acordo com Hal Varian, nesse novo mercado, a estratégia de preços tem que mudar, sendo necessária uma política de preços diversificados de acordo com o valor de uso de cada cliente ou grupo de clientes.

  • GLOBALIZAÇÃO

Chama-se Globalização ao amplo processo de intensificação das relações econômicas, financeiras, tecnológicas, políticas, diplomáticas, culturais, jurídicas e militares entre as diversas nações do planeta.

Dada essa definição, podemos dizer que a primeira globalização limitada da História ocorreu com a expansão do Império de Alexandre, O Grande na Ásia Menor. A segunda globalização limitada ocorreu com a expansão do Império Romano ao redor do Mar Mediterrâneo, norte da Europa e Ásia Menor. A primeira globalização real ocorreu com as Grandes Navegações realizadas pelos portugueses nos séculos XV e XVI, as quais permitiram um intercâmbio humano, econômico, político e tecnológico entre os cinco continentes, sem precedentes na história da humanidade até então. Esse processo de globalização se intensifica com a Revolução Industrial, a expansão do sistema capitalista e o desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte a partir do século XIX.

O segundo grande processo de globalização ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, com o fim dos regimes coloniais e a abertura de seus mercados às empresas multinacionais.

A partir dos anos 1990’s o processo de globalização se acentuou, atingindo uma escala nunca vista na história da economia mundial. Várias são as razões explicativas desse fenômeno:

  • O fim da Guerra Fria, a prevalência do Capitalismo  em escala global e o domínio econômico, político, militar e tecnológico dos Estados Unidos, que se tornaram a única superpotência do mundo com o colapso da União Soviética em 1989;
  • A busca da hegemonia econômica por parte das multinacionais no mundo, especialmente as norte-americanas, levando ao seu fortalecimento como poder global;
  • O enfraquecimento do poder dos estados nacionais, em decorrência do fenômeno anterior, incapazes de evitar ou controlar as forças globalizantes;
  • A formação de Blocos Econômicos Regionais, intensificando o comércio regional. A partir dos anos 1950’s vem se acelerando esse processo com a criação da União Européia (pioneiro), Mercosul, APEC e Nafta;
  • As revoluções tecnológica e organizacional, notadamente nas áreas da informação e do conhecimento, a expansão dos meios de transporte e o processo de liberalização e desregulamentação dos mercados nacionais;
  • Uma certa padronização cultural, de consumo e tecnológica.

Podem ser consideradas como vantagens decorrentes da integração econômica:

  • Ampliação da divisão de trabalho e da especialização produtiva, melhorando a alocação de recursos em cada país;
  • Possibilidade do aproveitamento de economias de escala, decorrentes da especialização em alguns segmentos produtivos, que agora passarão a dispor de um mercado maior que o nacional;
  • Ampliação da capacidade de exportação e importação de bens em condições privilegiadas (já que as alíquotas são zero entre os países membros do bloco comercial);
  • Aumento do poder de barganha de cada país nas negociações internacionais;
  • Possibilidade da utilização de uma política comum de defesa comercial, em função de interesses comunitários;
  • Adoção crescente de mecanismos de coordenação de políticas econômicas nacionais (cambiais, fiscais, monetárias e de comércio exterior);
  • Aumento dos vínculos de solidariedade política e econômica entre as nações integradas, com a crescente valorização de princípios democráticos de governo;
  • A globalização reduz o grau de autonomia de cada nação, mas não a anula;
  • Os Estados nacionais não precisam aceitar passivamente os efeitos da globalização, mas podem promover uma inserção ativa de suas economias, preservando sua autonomia relativa. Exemplos de políticas de inserção ativas: política científica e tecnológica, política de investimento, política educacional, política industrial, promoção de exportações;
  • Busca de alianças políticas e econômicas entre as nações, com vantagens para todas.

No entanto, também são apontadas desvantagens decorrentes da integração:

  • A integração implica uma relativa perda de soberania nacional, já que os governos de cada país membro terão de compartilhar com outras nações muitas decisões antes tomadas de forma independente e soberana (compartilhamento de parte da soberania). As nações perdem capacidade de formular suas próprias políticas econômicas (políticas monetárias, fiscais e cambiais) e de defender seus interesses nacionais;
  • Alguns segmentos de cada economia serão prejudicados pela concorrência dos produtos mais baratos dos parceiros do bloco comercial;
  • Possibilidade da existência de casos de desvio de comércio, ou seja, de substituição de fontes de suprimentos mais baratas de terceiros países por fontes mais caras dos países integrantes do bloco comercial.

Dois economistas e seus trabalhos na área da teoria econômica deram importante contribuição ao entendimento do processo de globalização econômica ora em curso: Joseph Schumpeter (1883-1950) e sua ideia do capitalismo visto como um processo de “destruição criativa” e Friedrisch Hayeck (1899-1992) e seus axiomas da ordem espontânea e da auto-organização dos mercados.

A globalização financeira recente e as crises ocorridas na Ásia (1999) e Rússia (1998) deram origem a um intenso debate sobre as possibilidades de eclosão de crises futuras. Dois economistas tem apresentado importante contribuição ao entendimento desse fenômeno econômico: Joseph Stiglitz (1943-) e Paul Krugman (1953-), que recomendam a introdução de uma regulamentação financeira internacional rígida e a adoção de controles sobre movimentos internacionais de capitais pelos países mais sujeitos a crises financeiras recorrentes.

10 – REFLEXÕES SOBRE O FUTURO


          O pensamento econômico vem evoluindo, ao longo do tempo, em paralelo ao desenvolvimento da própria sociedade. Não há verdades absolutas em economia. Princípios tidos como verdadeiras leis, perdem validade e são substituídos por outros. A existência de correntes de pensamento antagônicas são a prova mais cabal de que a Economia é uma ciência em constante mutação. A metodologia científica da economia não substitui o fato de que o elemento central é o Homem e a Sociedade, envolvendo comportamentos racionais, mas mutáveis no tempo.

          Como será a Economia do futuro? A experiência humana tem transitado entre dois limites: o capitalismo concorrencial e o planejamento centralizado. O keynesianismo pode ser visto como um meio termo que entrou em descrédito à primeira crise econômica. Penso que o atual sistema econômico mundial está em transição para um modelo cujos contornos não estão ainda definidos. O processo de globalização estabelece os termos dessa evolução, mas nada está definido.

Importantes questões terão que ser resolvidas:

          Que papel é reservado ao Estado?

          Qual é o papel das grandes corporações transnacionais?

          O Capitalismo sobreviverá sem sua essência concorrencial?

          A Humanidade tem a tecnologia para resolver boa parte dos problemas econômicos mundiais, mas não há a vontade política dos países que detêm o poder para o fazer.

 O controle da natalidade, num mundo de recursos escassos, parece, à primeira vista, uma solução inteligente para a melhoria da qualidade de vida a nível mundial, especialmente nos países pobres e que apresentam altas taxas de natalidade.

Ainda está por determinar mais precisamente o contorno psicológico do ser humano. É ele compatível com a solidariedade humana e com regimes mais preocupados com os aspectos sociais, com o compartilhamento das riquezas? Ou a prevalência do mercado, com todas as suas contradições e “injustiças” é mais compatível com a natureza humana acostumada a lutar pela sobrevivência num mundo sempre hostil ao Homem desde que o mesmo surgiu no planeta?




Apêndice 1: Cientistas


Pitágoras (580 a.C. – 500 a.C.): Matemático grego, fundou uma sociedade secreta cuja base era o estudo da matemática e da filosofia, a “Irmandade Pitagórica”. Tinha como lema “Tudo é número”. Teorema de Pitágoras.

Eudoxo, de Cnido (408 a.C. – 355 a.C.): O inventor das esferas celestes. Registrou, pela primeira vez, que a duração do ano não é de 365 dias, mas 365 dias e 6 horas. Foi o primeiro a explicar o movimento dos planetas e das estrelas, imaginando que os astros estavam presos a esferas celestes transparentes, todas girando em torno da Terra.

Euclides (330 a.C. – 275 aC.):  Descobriu a misteriosa razão áurea ou divina (f). Descreveu os fundamentos da geometria no livro “Elementos”, por volta do século III a.C., obra fundamental para o estudo da geometria.

Arquimedes (287 a.C. – 212/211 a.C.): Após uma descoberta, teria dito “Eureka” (achei, em grego). Foi o primeiro a deduzir as leis das alavancas e das roldanas e a descobrir porque os barcos e os navios flutuam. Ensinou a calcular o número p e a determinar a área de figuras, como elipses, parábolas e cilindros.

Cláudio Ptolomeu (90-168): Astrônomo grego. Desenvolveu um sistema de Universo, em que a Terra permanecia imóvel e os outros planetas giravam em torno da mesma. Nesse sentido, a Terra seria o centro do Universo. Propôs um modelo para explicar o movimento do dia. Procurou também elucidar o movimento dos planetas e das estrelas. Em seu modelo, a Terra era o centro do Universo. A Igreja Católica partiu dessa concepção para atribuir superioridade ao Homem no Universo.

Fibonacci (1175-1250): Matemático italiano. Em 1202, escreveu o livro “Líber Abbacci” (Livro dos Cálculos), em que divulgou suas regras de cálculo. Ajudou a utilizar os algarismos indo-arábicos e os algarismos romanos. Deduziu regras para somar, subtrair, multiplicar e dividir.

Johannes Gutenberg (1400-1468): Inventou a impressão mecânica.

Galileu Galilei (1564-1642): Cientista italiano que revolucionou o conhecimento da natureza ao utilizar instrumentos científicos (luneta) na observação do Universo. Descobriu fatos novos, como as crateras da Lua, as fases de Vênus e os satélites de Júpiter, ligando a experimentação à ciência.

Johannes Kepler (1571-1630): Astrônomo alemão.

Pierre de Fermat (1601-1665): Matemático francês, foi um dos criadores do cálculo de probabilidades e dos métodos para desenhar tangentes a qualquer curva. Por volta de 1651, criou um célebre teorema baseado na fórmula de Pitágoras do triângulo retângulo, que só seria demonstrado três séculos depois, em 1995, pelo inglês Andrew Wiles.

Torricelli (1608-1647): Realiza estudos sobre a pressão atmosférica.

Wilhelm Leibniz (1646-1716): Cientista alemão que procurou uma explicação matemática para o Universo. Criou o método do cálculo infinitesimal, simultaneamente a Isaac Newton.

Ticho Brahe (1546-1601): Astrônomo sueco, mestre de Kepler.

Blaise Pascal (1623-1662): Matemático francês. Descobriu, por conta própria, os fundamentos da matemática aos 12 anos de idade. Em parceria com Pierre de Fermat, desenvolveu o cálculo de probabilidades. Construiu a pascoline, a primeira calculadora digital mecânica, por volta de 1642. Elaborou uma lei geral da pressão de líquidos e gases. Teve grande interesse pela teologia. Para Pascal, a verdade é sempre a reunião dos contrários e “o coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Isaac Newton (1642-1727) físico, matemático e teórico moderno, é considerado sistematizador do método científico na Era Moderna. Escreveu “Philosophiae naturalis principia mathematica” (“Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”), em que estuda o movimento dos corpos celestes e terrestres, utilizando uma abordagem experimental científica e matemática. Neste livro, Newton apresenta a base da mecânica clássica. Newton cria um modelo matemático para o tempo e o espaço. O tempo é distinto de espaço, sendo visto como uma linha infinita. Copérnico (1473-1543) e Galileu (1564-1642) descobriram que os planetas orbitam o sol e não a Terra e Newton descobriu as leis que governam seus movimentos.

Olaf Roemer (1644-1710): Astrônomo dinamarquês que mediu pela primeira vez a velocidade da luz, utilizando apenas papel, lápis, uma luneta e um relógio. A velocidade da luz é absoluta e tem sempre o mesmo valor, tanto se medida em laboratório na Terra, quanto se medida por uma nave espacial viajando a grandes velocidades. Esse fato foi previsto pela Teoria da Relatividade Restrita de Einstein, e tem sido comprovado em experimentos. A luz caminha a 299.792.458 metros por segundo.

Carolus Linnaeus (1707-1778): Botânico sueco que, em 1858, criou o atual sistema de classificação dos seres vivos e deu à Humanidade o nome científico de Homo Sapiens, dividindo-a em 4 subespécies: os vermelhos americanos, “geniosos, despreocupados e livres”; os amarelos asiáticos, “severos e ambiciosos”; os negros africanos, “ardilosos e irrefletidos”; e os brancos europeus, “ativos, inteligentes e engenhosos”.

Leonhard Euller (1707-1783): Matemático suíço, é considerado o matemático mais produtivo da história. Desenvolveu conceitos originais da trigonometria, como seno, cosseno e tangente. Aperfeiçoou as técnicas de cálculo diferencial, inventado por Isaac Newton e Leibniz. Ajudou a criar a topologia.

Johan Heinrich Lambert (1728-1777): Matemático alemão.

Joseph-Louis Lagrange (1736-1813): Matemático e astrônomo italiano. Disse ele sobre Lavoisier, morto na guilhotina: “Necessitou-se apenas um instante para cortar sua cabeça, mas, talvez, um século não seja suficiente para produzir outro igual”.

Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794): Químico francês. Teria dito, “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Alessandro Giuseppe Antônio Anastásio Volta (1745-1827): Físico italiano. Inventou o electrophorus.

Jean-François Champollion (1770-1829): Pesquisador francês que decodificou os hieróglifos no início do século XIX. Os hieróglifos somavam cerca de 700 símbolos, a maioria significando palavras inteiras.

Carl-Friedrich Gauss (1777-1855): Matemático alemão, descobriu, aos 10 anos de idade, como calcular a soma de uma progressão aritmética.

Augustin-Louis Cauchy (1789-1857): Matemático francês, desenvolveu os números complexos.

Siméon-Denis Poisson (1781-1840): Matemático e físico francês.

Charles Babbage (1791-1871): Matemático inglês, desenvolveu o primeiro computador.

Evariste Galois (1811-1831): Matemático francês, desenvolveu a teoria dos grupos.

Gregor Mendel (1822- 1884): Monge austríaco, pai da Genética.

Louis Pasteur (1822-1895): Químico e biólogo francês. O “Pai dos micróbios”.

William Thompson – Lorde Kelvin (1824-1907): Matemático irlandês.

James Clerk Maxwell (1831-1879): Físico escocês.

Julius Richard Dedekind (1831-1916): Matemático alemão, desenvolveu o enigma dos números irracionais.

Gottlieb Daimler (1834-1900): Foi o inventor da primeira motocicleta movida por motor a gasolina, em 1885. mais tarde se juntou a Karl Benz (1844-1929) para fundar a fábrica de carros Mercedes.

Alexander Graham Bell (1847-1922): Inventor, educador escocês.

Thomas Alva Edison (1847-1931): Inventor americano.

Jacobus Henricus van’t Hoff (1852-1911): Químico holandês. Fundador da química física.

Nikola Tesla (1856-1943): Eletricista e inventor croata.

Alfred Binet (1857-1922): Psicólogo francês que criou, junto com seu assistente, Theodore Simon, o Quociente de Inteligência – QI, em 1904. Geralmente, as pontuações finais do teste variam de 55 a 145. O QI médio situa-se em torno dos 100 pontos. Abaixo de 55 encontram-se os portadores de deficiência mental; acima de 100 estão os superdotados.

Max Karl Ernest Ludwig Planck (1858-1947): Teórico alemão.

Pieter Zeeman (1865-1943): Físico holandês.

Ernest Rutherford (1871-1937): Físico neozelandês. Pioneiro da física subatômica.

Bertrand Russel (1872-1970): Inglês, mais conhecido como filósofo, ganhou a Nobel de Literatura, em 1950. Desenvolveu conceitos de lógica matemática.

Antonio Caetano de Abreu Freire Egas Moniz (1874-1955): Neurocirurgião português. Fundador da moderna psicocirurgia, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina de 1949, pelo desenvolvimento da lobotomia pré-frontal como um tratamento radical para algumas desordens mentais.

Srinaro Ramanujain (1887-1920): Matemático indiano, prodígio do cálculo de sequências infinitas.

Alfred Wegener (1880-1930): Geólogo alemão que criou o nome Pangea ("toda a terra", em latim), em 1915, referindo-se à existência de uma grande massa que teria dado origem a todos os continentes da Terra. Segundo Wegener, há cerca de 200 milhões de anos essa massa começou a se separar. Essa teoria é fortalecida pela perfeita sincronia entre o leste da América do Sul e o oeste da África. 

Linus Carl Pauling (1901-1994): Químico americano.

J. Robert. Oppenheimer (1904-1967): Físico, pai da Bomba Atômica.

Alan Turing (1912-1954): Matemático inglês, ajudou a decifrar mensagens secretas dos nazistas.

Paul Erdös (1913-1996): Matemático húngaro, provou o Teorema do Número Primo.

Laurent Schwartz (1915-2002): Matemático francês, desenvolveu a Teoria das Distribuições.

Benouit Mandelbrot (1924-  ): Desenvolveu a geometria dos fractais.

John Nash (1929-  ): Matemático americano, revolucionou a Teoria dos Jogos, criada pelo físico húngaro John von Neuman, ao introduzir os conceitos de cooperação e não-cooperação.

Roger Penrose (1931-  ): Matemático inglês, aperfeiçoou a topologia.

Robert May (1936-  ): Biomatemático australiano, desenvolveu a matemática do caos.

Pajitnov (1955-  ): Engenheiro russo, criou a game Tetris, em 1985, quebra-cabeça eletrônico.

Stephen Worfram (1959-  ): Matemático inglês, desenvolveu programas de computador para descrever o mundo e suas leis.

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