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sábado, 2 de junho de 2012

O ERRO DO BRASIL COM A TAXA DE CÂMBIO




O ERRO DO BRASIL COM A TAXA DE CÂMBIO



Domingos de Gouveia Rodrigues




No período recente, temos assistido, no Brasil, a dois posicionamentos distintos: do Ministro da Fazenda e do Banco Central do Brasil. O primeiro, defendendo a todo preço a desvalorização do Real frente ao Dólar, para estimular as exportações, ignorando – dentre outros - os possíveis impactos inflacionários da medida. O segundo, procurando defender uma certa estabilidade de preços, onde a estabilidade do Real é fundamental.

O comportamento errático da taxa de câmbio só serve para criar instabilidade, incerteza e fuga de capitais. Como se vê no gráfico abaixo, a taxa de câmbio no Brasil tem apresentado um comportamento totalmente errático entre 2002 e 2012. 



Fonte: Banco Central do Brasil.


A taxa de câmbio é – para nós - a coluna mestra da estabilidade econômica a partir da qual deve ser construído o desenvolvimento econômico. A taxa de câmbio estável é importante fonte de crescimento do poder aquisitivo das camadas mais pobres da população e, portanto, fator de redistribuição de renda.

Um real valorizado funciona como uma proteção contra a  desnacionalização a baixo preço das empresas nacionais e favorece a internacionalização das empresas brasileiras com a aquisição de empresas no exterior que, no futuro, gerarão um fluxo positivo de divisas para o país.

A insistência das autoridades econômicas brasileiras na desvalorização da taxa de câmbio nos leva a fazer alguns questionamentos:

·       Qual país na História se desenvolveu com moeda fraca?
·       Uma Libra Esterlina forte foi a marca do poder imperial britânico e, ainda hoje, a Grã-Bretanha procura manter a Libra como uma moeda forte.
·       A União Europeia, apesar de todos os seus problemas, não abre mão de um Euro forte.
·       Os Estados Unidos procuram manter, a todo custo, o dólar como a principal moeda de conversibilidade universal.

Assim, defendemos que o Brasil deve assumir a importância, do ponto de vista estratégico, para o desenvolvimento nacional, de manter uma moeda forte e estável. É claro que o valor da moeda depende de um conjunto de variáveis que, no fundo, expressam a pujança econômica de um país e sua competitividade internacional: nível de desenvolvimento tecnológico, capacidade de sua força de trabalho, qualidade de sua infraestrutura, nível de empreendedorismo de sua elite empresarial, disponibilidade de recursos naturais.

A competitividade internacional do Brasil, portanto, não pode ficar tão dependente de uma taxa de câmbio desvalorizada. É importante ressaltar, assim, que a taxa de câmbio (preço das exportações) não é a única variável que afeta a competitividade das exportações. Talvez nem seja a mais importante. Existem os chamados fatores não-preço que podem ser ainda mais importantes para explicar a competitividade internacional. Conforme escrevemos em artigo neste blog (Competitividade Internacional):


“A taxa de câmbio efetiva real baseada nos custos da mão-de-obra unitários normalizados relativos é um indicador de competitividade em preço nos mercados mundiais e, como são medidos em uma moeda comum, eles também capturam os efeitos de mudanças na taxa de câmbio.



Indicadores de competição em preço:



a) taxa de crescimento da taxa de câmbio efetiva real;



b) taxa de crescimento dos custos da mão-de-obra unitários normalizados relativos.



c) rentabilidade relativa das exportações: definida como a taxa de crescimento da razão entre o índice de valor unitário de exportações relativo e o índice de preços por atacado relativo.



d) taxa de crescimento dos preços de produção: esta variável mede os preços dos produtos finais e também pode ser vista como um indicador de competitividade em preço.



Nós esperamos uma relação positiva entre a taxa de câmbio efetiva real e o superávit em conta corrente. Sob a estrutura teórica da teoria do crescimento liderado pelas exportações pós-keynesiana, este é um resultado esperado, porque sugere que uma competição em preço expressa através da taxa de câmbio efetiva real não foi suficiente para levar a crescente superávit em conta corrente e assim a uma taxa de crescimento de equilíbrio de balanço de pagamentos mais alta. Ou seja, a taxa de câmbio efetiva real parece não exercer efeitos negativos sobre a competitividade internacional, o que pode ser visto como uma relação “perversa” entre custos relativos da mão-de-obra e exportação [veja Fagerberg, 1988]. A teoria pós-keynesiana de comércio internacional afirma que os chamados fatores não-preço são mais importantes do que os fatores preço para explicar o desempenho comercial. Estes resultados, na verdade, sugerem que elevadas taxas de câmbio reais são favoráveis a uma economia exportadora, porque elas reduzem os custos das matérias-primas, exercem um impacto positivo sobre os preços de exportação e favorecem maior eficiência no setor manufatureiro.



Os países apresentando as mais elevadas taxas de crescimento na taxa de câmbio real não reduziram a sua competitividade na economia mundial, o que sugere que a competitividade internacional é determinada fundamentalmente pelos fatores não-preço [e.g. Thirwall (1979) e Kaldor (1981) sugeriram que os produtores do Reino Unido tinham problemas para competir em fatores não-preço]. Este processo é conhecido como o “paradoxo de Kaldor” [veja Fetherston et al. (1977), Kaldor (1978) e Kellman (1983), que mostram que os efeitos dos preços ou custos relativos sobre as exportações apresentam um comportamento “perverso”].


Fatores não-preço, como o próprio nome sugere, são fatores ligados à qualidade do produto, embalagem, condições e rapidez de entrega, confiabilidade do produto, não sendo, portanto, relacionados com o preço do produto. Muitos estudos empíricos mostram uma forte relação entre o desempenho das exportações e a competição em fatores não-preço. Duas variáveis usualmente utilizadas como “proxies” para fatores não-preço na literatura são o progresso técnico e a parcela do PIB no PIB mundial.”

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