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domingo, 3 de abril de 2011

DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO

DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO

OS DESAFIOS PARA OS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO



Domingos de Gouveia Rodrigues


“A superioridade de um país sobre outro em um ramo da produção frequentemente se deve ao fato de ter começado primeiro.”


John Stuart Mill








1. Introdução

Pretendemos, neste trabalho, discutir os desafios da Revolução Tecnológica em curso para os países em desenvolvimento, com ênfase especial no Brasil. Apresentamos, inicialmente, alguns conceitos básicos relativos a desenvolvimento tecnológico. Analisamos, em seguida, o hiato tecnológico entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento, fazendo uma comparação internacional dos principais indicadores de desenvolvimento tecnológico. Em terceiro lugar, destacamos a heterogeneidade dos países em desenvolvimento em termos de indicadores de desenvolvimento tecnológico. Analisamos, posteriormente, políticas tecnológicas já implementadas ou que nós julgamos deveriam ser implementadas pelas economias em desenvolvimento, destacando os princípios básicos de uma adequada política tecnológica a ser perseguida por países que almejem alcançar elevada produtividade sem se descuidar da questão da geração de empregos. Discutimos, em especial, as estratégias industriais e tecnológicas adotadas pelo Brasil, China, Coreia do Sul, Índia e Formosa (Taiwan) e apresentamos os nossos comentários finais.






2. Conceitos Básicos

Desenvolvimento tecnológico é o processo de geração e aperfeiçoamento de conhecimentos técnico-científicos que permitem produzir mais e melhor, levando, em última instância, ao aumento da competitividade internacional de uma empresa particular ou de uma determinada economia como um todo.

Tecnologia é “o conjunto social (estoque) de conhecimento da arte industrial” (Schmookler, 1966, p.1).

Progresso Técnico é o efeito da mudança tecnológica, e que significa (Mansfield, 1968):

 Mais produto pode ser produzido dando-se a mesma quantidade de insumos ou, equivalentemente, o mesmo montante de produto pode ser gerado com menores quantidades de um ou mais insumos.

 O produto existente sofre uma melhoria qualitativa.

 Produtos totalmente novos são produzidos.

Progresso técnico incremental é aquele que produz pequenos melhoramentos no estado da tecnologia.

Progresso técnico descontínuo é aquele que produz grandes rupturas tecnológicas (Smith, Schumpeter).

Mudanças na tecnologia, tanto via inovação de processos quanto via inovação de produtos, constituem progresso tecnológico.

Taxa de progresso técnico é a taxa à qual o estoque de conhecimentos está crescendo.

Inovação é uma invenção colocada efetivamente em uso.

Inovação de processo é a invenção que leva a nova técnica para produzir um bem já existente.

Inovação de produto é a invenção que muda a forma dos bens existentes ou gera bens totalmente novos.

Pesquisa básica é a pesquisa realizada em laboratórios, sem vinculação direta com as necessidades de curto prazo do mercado. Não é orientada pelo lucro esperado do investimento.

Progresso técnico exógeno é aquele que “cai como maná dos céus”. É grátis e conflita com a realidade de fortes gastos em P&D por parte das empresas. É uma função do tempo, que pode ser produzido por qualquer combinação de fatores, sendo completamente independente da taxa de acumulação de capital e de qualquer outra variável do sistema econômico.

Progresso técnico endógeno é aquele que assume que o progresso técnico tem papel fundamental no processo de crescimento econômico, sendo incorporado a novos bens de capital e aumenta com a experiência. O progresso técnico não ocorre por acidente, mas através da orientação de recursos e atividades que geram progresso em busca de fama, lucro ou ambas as coisas (Kennedy e Thirlwall, 1972, p. 177).

Uma definição para Pesquisa e Desenvolvimento - P&D é encontrada em Unesco (1991, p. 5-1): “Em geral P&D é definido como qualquer atividade sistemática criativa implementada de modo a aumentar o estoque de conhecimento, incluindo o conhecimento do homem, cultura e sociedade, e o uso deste conhecimento para visualizar novas aplicações. P&D inclui pesquisa fundamental (trabalho experimental ou teórico implementado sem ter em mente propósitos práticos imediatos), pesquisa aplicada em campos tais como agricultura, medicina, química industrial, etc. (i.e. pesquisa dirigida primariamente a objetivos ou metas práticas especiais), e trabalho de desenvolvimento experimental levando a novos dispositivos, produtos ou processos”.

Ter liderança tecnológica significa que um determinado país consegue produzir determinado produto utilizando tecnologia de fronteira, contendo as últimas inovações, os conhecimentos mais avançados produzidos por seus centros de pesquisa e suas universidades.

Normalmente a intensidade tecnológica é medida pela relação entre os gastos com P&D e o valor do PIB ou PNB (caso de uma economia), da produção (caso de um setor) ou das vendas (caso de uma empresa).

Os retornos de escala estáticos são relacionados ao tamanho e à escala das unidades de produção onde, no processo de dobrar as dimensões lineares dos equipamentos, a superfície aumenta pelo quadrado e o volume pelo cubo. As economias de escala dinâmicas se referem aos retornos crescentes trazidos pelo progresso técnico incorporado na acumulação de capital, curva de aprendizado e economias externas na produção resultando da interação entre oferta e demanda, num processo expansionista cumulativo. Esta é a idéia dos retornos crescentes como um fenômeno macroeconômico, no qual, quanto mais a demanda é focalizada nas mercadorias com uma grande resposta de oferta, e quanto maior é a resposta da demanda (direta em indireta) induzida pelos aumentos na produção, maior a taxa de crescimento econômico e a taxa de crescimento da produtividade provavelmente serão. Retornos de escala estáticos e dinâmicos representam os retornos crescentes de escala no sentido mais amplo.

3. Desenvolvimento Tecnológico: Uma Comparação Internacional

Os resultados mais importantes, em termos de uma comparação internacional de indicadores relacionados com o desenvolvimento tecnológico, e de acordo com o Quadro acima e os demais Quadros apresentados ao final, são:

Os países que apresentam o maior esforço de “catch-up” tecnológico [1] ao longo das últimas décadas são Cingapura (800%), Coreia do Sul (491,23%), Portugal (403,33%), Islândia (310,77%) e Espanha (218,18%). Estes cinco países realizaram importante aumento na relação investimentos em P&D/PIB, em que têm procurado reduzir os hiatos de capacitação tecnológica em relação aos países mais avançados do mundo. A China também apresenta um expressivo aumento nessa relação (129,85%), sendo atualmente um país que apresenta crescente competitividade tecnológica. Portugal incrementou substancialmente suas capacidades tecnológicas nos últimos anos. Por outro lado, os Países-Baixos (-12,83%) e o Reino Unido (-20,68%), dois importantes países na área da tecnologia, apresentam uma redução na relação P&D/PIB; ou seja, investem atualmente menor parcela do PIB em P&D em relação a períodos passados. A Grécia apresenta elevado crescimento, mas sua relação P&D/PIB ainda é muito baixa. O Brasil apresenta baixo crescimento do esforço de "catch-up" tecnológico (34,15%) e sua relação P&D/PIB (1,10) sugere que o país necessita acelerar seus investimentos nessa área se quiser tornar-se um ator relevante na área da alta tecnologia.

 Os países desenvolvidos responderam, em 2007, por 76,2 por cento (US$ 873,2 bilhões) de todo o investimento mundial em P&D tecnológico, contra apenas 23,7 por cento (US$ 271,0 bilhões) dos países em desenvolvimento e 0,1 por cento (US$ 1,5 milhão) dos países menos desenvolvidos. Ainda assim, há um aumento substancial na participação dos países em desenvolvimento, que passa de 17,2 por cento em 2002 para 23,7 por cento em 2007. Esse dado é explicado, principalmente, pelo desempenho da China, cuja participação aumenta de 5 por cento em 2002, para 8,9 por cento em 2007 (US$ 102,4 bilhões).

 Os países que mais investem em P&D, em valores absolutos (dados de 2007), são Estados Unidos (US$ 373,1 bilhões e 2,7 por cento do PIB), Japão (US$ 147,9 bilhões e 3,4 por cento do PIB), China (US$ 102,4 bilhões e 1,4 por cento do PIB), Alemanha (US$ 72,2 bilhões e 2,5 por cento do PIB), França (US$ 42,3 bilhões e 2 por cento do PIB), Coreia do Sul (US$ 41,3 bilhões e 3,2 por cento do PIB), Reino Unido (US$ 38,7 bilhões e 1,8 por cento do PIB), Índia (US$ 24,8 bilhões e 0,8 por cento do PIB), Canadá (US$ 24,1 bilhões e 1,9 por cento do PIB), Rússia (US$ 23,5 bilhões e 1,1 por cento do PIB) e Brasil (US$ 20,2 bilhões e 1,1 por cento do PIB).

 Os países que investem as maiores parcelas de seus PIBs em P&D (investimento relativo) são Israel (4,86 por cento), Suécia (3,75), Finlândia (3,46) Japão (3,44 por cento), Coreia do Sul (3,2 por cento), Suíça (2,9), Dinamarca (2,72), Estados Unidos (2,7 por cento), Islândia (2,67), Áustria (2,66), Cingapura (2,52), Alemanha (2,5 por cento), Austrália (2,06), França (2 por cento), Reino Unido (1,88) e Canadá (1,84 por cento).

 Os maiores investimentos per capita em P&D são feitos em Israel (US$ 1.321,3), Estados Unidos (US$ 1.208,7), Japão (US$ 1.161,3), Alemanha (US$ 877,3), Coreia do Sul (US$ 861,9), Canadá (US$ 732,3), França (US$ 685,5) e Reino Unido (US$ 636,1).

 Os países com o maior número de pesquisadores são os Estados Unidos (1.425,6 mil e 20 por cento do total mundial), China (1.423,4 mil e 19,7 por cento do total mundial), Japão (710 mil), Rússia (469,1 mil), Alemanha (290,9 mil), Reino Unido (254,6 mil), Coreia do Sul (221,9 mil), França (215,8 mil), Índia (154,8 mil) e Brasil (154,8 mil).

 Os países que mais investem em P&D por pesquisador são Alemanha (US$ 248,4 mil), Estados Unidos (US$ 243,9 mil), Japão (US$ 208,4 mil), França (US$ 196,1 mil), Coreia do Sul (US$ 186,3 mil), Canadá (US$ 170,7 mil), Brasil (US$ 162,1 mil), Reino Unido (US$ 152,2 mil) e México (US$ 147,6 mil).

 O Continente Africano responde por apenas 0,9 por cento do investimento mundial em P&D ou 0,4 por cento de seu PIB, mostrando o imenso fosso que separa este Continente do resto do mundo. Os países da África subsaariana, incluindo a África do Sul, representam apenas 0,6 por cento do investimento mundial em P&D.

 Os países latinoamericanos e do Caribe representam, juntos, apenas 3 por cento do investimento mundial em P&D ou 0,6 por cento de seu PIB, sendo esta participação fortemente influenciada pelo Brasil (1,8 por cento do total mundial).

 Os países árabes, em conjunto, representam apenas 0,4 por cento do investimento mundial em P&D, equivalente a apenas 0,2 por cento de seu PIB.

Israel investe em P&D o dobro do investimento de todos os países árabes somados (U$$ 9,2 bilhões, contra US$ 4,7 bilhões).

Entre 2002 e 2007 ocorreu uma alteração significativa na participação nas exportações de produtos de alta tecnologia no mundo, em resposta a uma profunda alteração tanto no poder econômico relativo mundial, quanto na competitividade internacional relativa [Ver a esse respeito nosso artigo “Competitividade Internacional”, neste blog]. Os países desenvolvidos, que foram responsáveis por 68,7 por cento em 2002, viram sua participação cair para 58 por cento em 2007. Por outro lado, os países em desenvolvimento, que tinham 31,3 por cento em 2002, aumentaram sua participação para 42 por cento em 2007. O país responsável por essa alteração substancial é a China, que aumentou sua participação de 6,8 por cento em 2002, para 18 por cento em 2007. A Coreia do Sul também aumentou sua participação nas exportações mundiais, passando de 4,6 por cento para 6 por cento.

Há uma queda importante na participação de alguns países nas exportações mundiais. Os Estados Unidos caem de 16,1 por cento para 13,2 por cento; O Reino Unido cai de 6,8 por cento para 3,6 por cento; e o Japão cai de 9,4 por cento para 7 por cento.

 A Coreia do Sul melhorou sua posição no ranking internacional de competitividade em ciências, passando da 14ª posição em 2001 para a 3ª posição em 2009; no ranking de competitividade em tecnologia passou da 20ª posição para a 14ª posição no mesmo período[Ver UNESCO (2010)].

A Coreia do Sul, em 2008, apresentou um volume significativo de publicações em diversas áreas das ciências, com parcela importante no total mundial: Ciências da Computação (5,37%); Engenharia (4,78%); Ciência dos Materiais (6,31%); Física (4,61%); Microbiologia (4,78%) e Farmacologia (4,6%) [Ver UNESCO (2010)].

Em termos de fontes de financiamento de P&D, podemos identificar dois grupos distintos de países: aqueles em que o Estado representa a maior parte do financiamento (Itália, Polônia, Rússia, México, Brasil e Argentina); e aqueles em que o setor privado é majoritário (Estados Unidos, Japão, Noruega, Turquia, Suécia, Finlândia, Áustria, França, Espanha, Irlanda, Alemanha, Dinamarca, Bélgica, Portugal, Canadá, Cingapura e Coreia do Sul). Os países em que o Estado contribui com o maior percentual do PIB no esforço de financiamento de P&D são Coreia do Sul (0,86%), França (0,8%), Cingapura (0,8%), Estados Unidos (0,75%), Austrália (0,74%), Alemanha (0,7%), Rússia (0,67%) e Brasil (0,59%) [Ver UNESCO (2010) e OCDE (2010)].

 Os países mais produtivos na obtenção de patentes de alta tecnologia (número de aplicações por milhão de habitantes) são Suíça (25,5), Japão (19,7), Alemanha (15,4), Bélgica (15,2), Suécia (11,9), França (11,2), Finlândia (8,8), Países-Baixos (8,2), Dinamarca (7,1), Áustria (6,7), Estados Unidos (5,2) e Reino Unido (4,8).

 Os países em que o setor de defesa (aplicações de cunho militar) é mais importante na dotação orçamentária governamental em P&D são Estados Unidos (51,4%), França (27,7%), Reino Unido (21,8%), Coreia do Sul (16%), Espanha (15,3%), Austrália (6,2%) e Alemanha (5,7%).

Considerando todos os países do mundo, apenas 31 países apresentam a relação P&D/PIB maior do que 1%. Destes, 23 estão entre os 30 países com maior competitividade internacional. Assim, podemos inferir que os investimentos em P&D são um importante fator discriminante entre os países que têm alta competitividade internacional e os que não têm [Ver a esse respeito nosso artigo “Competitividade Internacional”, neste blog].

Uma das características centrais da Revolução Tecnológica em curso, comandada pelos notáveis avanços da microeletrônica, tecnologia da informação, novos materiais, biotecnologia e robótica, é a intensificação do esforço de pesquisa tecnológica levado a cabo nos chamados países centrais e em alguns países em desenvolvimento, ao longo das três últimas décadas, fato que contribuiu para aumentar dramaticamente o hiato tecnológico entre estes países e o conjunto dos demais países em desenvolvimento, se considerados em bloco.

Os países desenvolvidos apresentam, na média, uma intensidade de P&D tecnológico muito superior aos chamados países em desenvolvimento. Apenas a Coreia do Sul, Cingapura e China , dentre todos os países em desenvolvimento listados, se aproximam dos primeiros. A OCDE, a partir dos anos 1980s, vem classificando a Coreia do Sul como um dos países líderes em tecnologia, junto com a Alemanha, Japão, Suécia, Suíça e Estados Unidos, fato de inegável importância para aquele país, que foi classificado à frente dos chamados países de alta tecnologia (Bélgica, Finlândia, França, Holanda, Noruega e Reino Unido).

4. Os Países Em Desenvolvimento São Muito Heterogêneos

O processo de desenvolvimento tecnológico no Norte e no Sul pode ser resumido nos seguintes estágios: (i) historicamente, a partir da Revolução Industrial, se analisados em bloco, o Norte tem sido industrializado, intensivo em capital físico e intensivo em capital humano, enquanto que o Sul tem sido menos desenvolvido e trabalho-intensivo; (ii) durante os anos 1950s-1970s alguns países do Sul passaram a controlar a produção de alguns produtos inovadores antes apenas desenvolvidos no Norte, o qual reorienta a sua produção para um novo conjunto de produtos tecnológicos; (iii) durante os anos 1980s-1990s o Sul entra na corrida tecnológica, uma vez que, principalmente através de um processo de imitação, muitas firmas de alguns países desenvolvem a capacidade de emular as tecnologias de última geração; (iv) este processo amplia os conflitos políticos tanto entre os países do Norte entre si, quanto entre países do Norte e países do Sul, relacionados com comércio internacional e tecnologia [veja Grossman e Helpman (1991)) que concluíram teoricamente que "quando as políticas servem para promover a inovação e o crescimento (através de um subsídio a P&D ou de uma política comercial que proteja os produtos intensivos em mão-de-obra de um país) no país que os introduz, eles freqüentemente alcançam aqueles objetivos a expensas de inovação e crescimento em países com os quais mantêm relações comerciais"].

Nesse sentido, dado que os países desenvolvidos estão engajados numa verdadeira "guerra tecnológica" entre si, especialmente entre o Japão, os Estados Unidos e a União Europeia, a qual também envolve alguns países recentemente industrializados como China, Coreia do Sul, Brasil e Índia, qual seria a melhor política tecnológica a ser implementada por um país em desenvolvimento, de modo que o mesmo pudesse dar um salto qualitativo significativo? Como os níveis de desenvolvimento sociais, econômicos, políticos e tecnológicos entre os países em desenvolvimento apresentam uma ampla dispersão, nós precisamos, primeiro, separar do conjunto dos países em desenvolvimento aqueles que podem ser considerados industrializados. Em segundo lugar, nós precisamos separar dos países industrializados aqueles que apresentam condições estruturais para desenvolverem uma política tecnológica "autônoma" (dados, por exemplo, o tamanho de seu mercado interno, o tamanho e a taxa de crescimento de sua indústria, o seu dinamismo tecnológico, etc.) [2]. Em terceiro lugar, nós precisamos separar dos países não-industrializados aqueles que tem condições estruturais para se industrializarem a médio prazo.

Dessa forma, numa visão geral, levando em consideração não só o nível de desenvolvimento social, econômico e tecnológico atual, mas também as potencialidades dadas por fatores tais como recursos naturais, tamanho do território e da população, etc, nós temos pelo menos cinco tipos de países em desenvolvimento [3]:

(i) países industrializados com algum grau de política tecnológica "autônoma" (por exemplo, Coreia do Sul, Brasil, Formosa ou Taiwan (província da China, de acordo com a ONU), Índia, China, África do Sul e Cingapura.

(ii) países industrializados sem política tecnológica "autônoma" mas com potencial para alcançar algum grau de "autonomia" (por exemplo, Argentina, Chile, México, Tailândia e Malásia).

(iii) países não-industrializados com potencial para serem industrializados com política tecnológica "autônoma" num período de tempo previsível (por exemplo, Paquistão, Venezuela, Turquia, Egito, Síria, Indonésia, Nigéria, Irã, Coreia do Norte e Vietnã).

(iv) países não-industrializados com potencial para serem industrializados sem política tecnológica "autônoma" num período de tempo previsível (por exemplo, alguns países asiáticos (Láos, Camboja, Filipinas), africanos (Angola, Marrocos e Argélia) e latino-americanos (Uruguai, Paraguai e Colômbia)).

(v) países não-industrializados sem potencial para serem industrializados e para desenvolverem uma política tecnológica "autônoma" num período de tempo previsível (todos os demais países em desenvolvimento não considerados acima).

5. Políticas Tecnológicas Para Países em Desenvolvimento

A questão de qual poderia ser a melhor política tecnológica para países em desenvolvimento e sobre que pilares deveria ser construída não é, certamente, de fácil resposta, uma vez que países diferentes apresentam diferentes habilidades e capacidades para absorver, criar, difundir, melhorar e usar tecnologia, as quais levarão, ultimamente, a diferentes níveis de competitividade internacional. O desenvolvimento tecnológico requer tanto a coordenação de políticas específicas e incentivos, quanto a criação de instituições específicas para lidar com políticas tecnológicas, ligadas a três áreas principais: (i) investimento físico (investimento fixo); (ii) investimento em capital humano (gastos em educação e treinamento); e (iii) esforço tecnológico (gastos em P&D). Além disso, como um país nunca tem os recursos financeiros suficientes para financiar todas as necessidades de P&D demandadas pela comunidade científica, setor empresarial e governo, um conjunto de prioridades precisa ser elaborado cuidadosamente.

Os países em desenvolvimento apresentam grandes diferenças em termos de indicadores de Ciência e Tecnologia. Por um lado, os países asiáticos apresentam indicadores de P&D muito melhores do que os outros países em desenvolvimento, especialmente a Coreia do Sul, Formosa (Taiwan), Índia, Cingapura, Malásia e China. Por outro lado, é fácil de ver que os países desenvolvidos apresentam indicadores muito superiores aos apresentados pela maioria dos países em desenvolvimento, como seria de se esperar.

Julgamos que as economias em desenvolvimento que apresentam condições estruturais para desenvolverem tecnologia própria têm, basicamente, duas alternativas de política científica e tecnológica:

(i) tentar alcançar um nível mínimo de autonomia tecnológica, implementando uma política de desenvolvimento tecnológico concentrando seus recursos escassos nas grandes empresas industriais, escolhendo firmas específicas dentro de setores específicos, onde as vantagens comparativas sejam maiores (por exemplo, dadas as condições de oferta de matérias-primas, dado o tamanho do mercado interno, dado o nível corrente de atualização tecnológica, dada a experiência de comércio exterior, etc.). Nessa estratégia, o governo desistiria de tentar a competitividade tecnológica nos demais setores a partir de tecnologia própria, deixando as empresas privadas determinarem suas próprias estratégias nesses setores, as quais poderiam envolver alianças estratégicas entre empresas nacionais e empresas multinacionais líderes em tecnologia. Para implementar essa estratégia seria necessário transferir para as empresas escolhidas volumoso fluxo de recursos financeiros a serem aplicados em P&D, aquisição de máquinas e equipamentos de última geração e treinamento da mão-de-obra, de forma que essas empresas pudessem enfrentar os requerimentos dos elevados gastos mundiais em P&D nas referidas atividades. Esta política envolveria a especialização de firmas industriais específicas e maior interdependência com os mercados mundiais. Adicionalmente, ao concentrar os gastos em P&D em alguns setores e ao estimular as associações entre firmas, esta estratégia criaria duas áreas tecnológicas: uma na qual existe uma clara dependência à importação de tecnologia, e a outra na qual existe algum grau de autonomia tecnológica. Esta estratégia também estimularia um aumento na taxa de imitação através da melhoria na capacidade do país em copiar as últimas tecnologias, o que poderia levar à redução nos custos de "inventar" patentes tecnológicas existentes [para Grossman e Helpman, op cit, a produtividade de pesquisa nos países em desenvolvimento poderia aumentar ou porque o "derrame" de conhecimento aumenta ou porque os custos de copiar caem se a taxa de imitação cresce].

(ii) estimular associações (ou alianças estratégicas) entre firmas domésticas e firmas estrangeiras líderes em tecnologia, desistindo de vez de desenvolver internamente uma autonomia tecnológica em qualquer setor. Esta estratégia criaria uma clara dependência de tecnologia do exterior, mas permitiria concentrar os recursos escassos em expansão física e modernização administrativa, evitando uma má alocação de recursos no longo prazo, no caso de fracasso dos gastos em P&D a nível nacional. Entretanto, é preciso dizer que esta estratégia também requer um mínimo de esforço doméstico em P&D de forma a ser possível transformar a "caixa-preta" dos avanços científicos e tecnológicos feitos em outros países (ou acúmulo de tecnologia) em produtos rentáveis.

Ainda assim, é preciso dizer, a escala de gastos em P&D sendo atualmente implementada nos países desenvolvidos (incluindo China e Coreia do Sul) é tão elevada que a estratégia mista (alternativa (i)) pode fracassar. Mesmo alguns países com tradição de longo prazo em P&D estão enfrentando dificuldades para lidar com a velocidade das atuais rupturas tecnológicas (por exemplo, Grã-Bretanha, Suécia e Finlândia). Somente os Estados Unidos investiram, em 2007, em P&D, quase US$ 400 bilhões (2,8% de um PIB de US$ 15 trilhões), que representam 29% de todo o PIB brasileiro em 2007! As sete maiores economias capitalistas (G-7) representam mais de 90 por cento do total dos gastos com P&D na área da OCDE, o que leva à conclusão de que P&D é a variável econômica mais concentrada a nível mundial, superando, por exemplo, PIB, exportações ou investimento estrangeiro direto.

A escala da intensidade de P&D em indústrias de alta tecnologia é tão elevada que parece fora do alcance da maioria dos países em desenvolvimento, especialmente nas indústrias aeroespacial, robótica, máquinas de escritório, computadores, eletrônica e componentes, remédios, maquinaria elétrica e instrumentos científicos. Nestas indústrias, o investimento intangível (gastos em P&D) está superando o investimento fixo e os gastos em P&D como proporção da produção, na média, supera os 10 por cento, sendo superior a 20 por cento na indústria aeroespacial. Adicionalmente, o número relativamente muito maior de cientistas e engenheiros trabalhando com pesquisa permite às economias líderes estarem sempre na fronteira do avanço tecnológico.

5.1. Política Tecnológica e Criação de Empregos

Uma questão importante que se levanta nessa discussão é qual política tecnológica criaria mais empregos no longo prazo, sabendo-se que este é um problema estrutural nos países em desenvolvimento. Se levarmos em consideração que a competitividade global parece depender do estabelecimento com sucesso de uma política tecnológica (ou industrial) e que o nível de emprego é diretamente dependente do nível do produto, o qual, por seu turno, também depende (ou é fortemente influenciado por) do nível das exportações numa economia aberta, a primeira política tecnológica antes referida alcançaria melhores resultados para criar e manter empregos.

De acordo com os resultados econométricos apresentados em apêndice ao final do artigo, no período 1960-1987, no que diz respeito aos países desenvolvidos, a taxa de desemprego foi diretamente (positivamente) relacionada com o superávit em conta corrente e com a parcela das exportações nas exportações mundiais [4]. Ou seja, na média, melhorias na situação do balanço de pagamentos foram alcançadas às custas do nível de emprego, o que sugere que economias menos competitivas nos mercados mundiais adotaram políticas macroeconômicas contracionistas para resolver os problemas de Balanço de Pagamentos.

Por outro lado, economias dependentes de tecnologia (ou economias menos competitivas) tendem, historicamente, a proteger os mercados internos através de barreiras tarifárias e proibições de importações, levando a problemas de alta inflação e baixa competitividade internacional. A outra alternativa, ou seja, a abertura completa de uma economia dependente de tecnologia à competição externa criaria um grande problema no que diz respeito a emprego e crescimento, se levar ultimamente à criação de grandes déficits em conta corrente e instabilidade macroeconômica, devido a crescentes importações e a uma provável onda de falências de firmas domésticas, o que parece ter sido, de certa forma, a experiência da Argentina e Chile durante os regimes militares dos anos 1970s, quando políticas econômicas liberais foram introduzidas (veja Frenkel (1989)).

Para enfrentar este problema - ou seja, a necessidade de gerar crescente competitividade internacional sem criar problemas econômicos e sociais insuperáveis - os países em desenvolvimento precisariam:

(i) expandir os seus benefícios de seguridade social (por exemplo, programas de renda mínima, seguro-desemprego, programas de treinamento da mão-de-obra, etc.), permitindo que a taxa de desemprego aumente no curto prazo, sem criar elevados conflitos sociais (como tem sido feito nos países desenvolvidos historicamente).

(ii) investir tanto quanto possível em P&D, em educação e em treinamento da força de trabalho, de forma a alcançar os níveis médios internacionais o mais rapidamente possível.

(iii) abrir mais as suas economias para a competição externa, de forma a empurrar as firmas domésticas para uma política tecnológica mais agressiva e evitar a presença de poder de mercado excessivo nos mercados domésticos, onde concentração do poder econômico nas mãos de alguns gigantes industriais, ainda que úteis em termos de eficiência devido às economias de escala estáticas, são altamente indesejáveis em termos de equidade distributiva [5]. Tais problemas têm levado a conflitos distributivos e a pressões inflacionárias, uma vez que firmas excessivamente protegidas tendem a adiar a sua atualização tecnológica (este é o caso do Brasil e da Índia, por exemplo, nos anos 1980s e 1990s).

Não obstante, todas as medidas de política econômica antes mencionadas irão esbarrar numa tendência a nível mundial que parece ter marcado os anos 1980s e 1990s. Como se vê na regressão 3, apresentada no apêndice ao final do artigo, encontramos uma relação positiva e estatisticamente significativa entre a taxa de desemprego e os gastos em P&D nos países desenvolvidos no período 1960-87, resultado que permite inferir que a chamada Revolução Tecnológica em curso tem criado problemas para a geração de empregos. Ou seja, a pressão provocada pela crescente competição internacional tem obrigando as economias, de um modo geral, a aumentar a produtividade da mão-de-obra através da intensificação do capital e da redução do emprego.

6. A Experiência de Brasil, Coreia do Sul, Índia, Formosa (Taiwan) e China

Iremos destacar agora algumas das principais características do processo de desenvolvimento tecnológico recente implementado por cinco das principais economias em desenvolvimento (Brasil, China, Coréia do Sul, Índia e Formosa (Taiwan)) como segue [veja Lall (1992), Kuznets (1988), Wade (1988), Enos e Park (1987), Amsden (1989), Westphal (1990), Dahlman e Frishtak (1990), Rostow (1990) e UNESCO (2010)]:


(i) COREIA DO SUL:

• Apesar de ainda ter sido um país em desenvolvimento muito pobre durante os anos 1960s, apresentando um setor manufatureiro insignificante e fortemente dependente da ajuda externa, a Coreia do Sul tem, atualmente, a mais avançada e competitiva base de capacidades tecnológicas do mundo em desenvolvimento, tendo alcançado o status de renda média alta de acordo com o Banco Mundial.

• Implementou políticas econômicas altamente intervencionistas.

• O governo protegeu e promoveu fortemente indústrias selecionadas (estratégicas) desde os anos 1960s, devido ao fato de que o setor privado não estava preparado (em termos de disponibilidade de poupanças, habilidades dos empreendedores e gerentes, conhecimento de mercados externos e marketing internacional) para lidar com uma estratégia orientada para as exportações, a qual demandava a adoção de tecnologias de retorno crescente e, conseqüentemente, produção em larga escala.

• Promoveu as exportações e alcançou grande sucesso. A Coreia apresenta uma das mais elevadas taxas de crescimento da parcela de exportações nas exportações mundiais ao longo das últimas décadas.

• Interveio, fortemente, em transferência de tecnologia e desenvolvimento tecnológico próprio.

• Reestruturou indústrias e reforçou o treinamento da força de trabalho.

• Implementou, com sucesso, políticas direcionadas à criacao e suporte de firmas gigantes, encorajando fusões e acordos interfirmas (a Coreia tem, atualmente, alguns dos maiores grupos empresariais do mundo). Dadas as imperfeições nos mercados de capitais, os lucros domésticos (capacidade de autofinanciamento) foram a principal fonte de financiamento de investimento e expansão, não obstante o sistema financeiro tenha sido usado para canalizar poupanças internas e externas para aquelas firmas gigantes.

• Contrariamente a muitos países fortemente endividados (como por exemplo, os países latino americanos) que transformaram déficits comerciais em supervávits, depois de 1982, através de restrições às importações e redução de investimentos, a Coreia seguiu uma "política de resposta em fases", a qual produziu ajustamentos aos choques interno e externo mantendo o crescimento econômico, por ter sido capaz de manter os influxos de capital externo.

• Utilizou estratégias comerciais altamente orientadas para a exportação (mudando o padrão anterior de substituição de importações).

• Utilizou barreiras comerciais como uma política consistente, subsidiando o crescimento das firmas.

• Protegeu indústrias nascentes.

• Investiu fortemente em capital humano (educação e treinamento) e, a partir do começo dos anos 1980s, em P&D e em capital fixo, apresentando uma das taxas de investimento mais elevadas do mundo.

• Implementou uma reforma agrária.

• É o primeiro país em desenvolvimento a emergir, nos anos 1980s, com o status de país de alta tecnologia e, nos anos 1990s, com o status de país líder em tecnologia, de acordo com o Banco Mundial e a OCDE.

• Preparou um plano de longo prazo de desenvolvimento tecnológico para o ano 2000, com a meta de elevar a tecnologia coreana ao nível dos países avançados no ano meta.

• Definiu cinco principais campos tecnológicos para alcançar esta meta (microeletrônica, engenharia genética, um grupo de tecnologias industriais, proteção ao meio-ambiente e cuidados de saúde).


Como se pode ver na tabela abaixo, a Coreia seguiu uma estratégia muito habilidosa de forma a alcançar um estágio sofisticado de desenvolvimento industrial, estratégia esta desvinculada de políticas puramente orientadas pelo mercado:





De acordo com UNESCO (2010), os resultados mais importantes alcançados pela política coreana para o desenvolvimento de recursos em Ciência e Tecnologia no período 2002-2008, foram:






• A Coreia do Sul tem apresentado um desempenho excepcional ao longo das últimas décadas em seu esforço para alcançar o padrão de desenvolvimento das nações mais desenvolvidas, estimulando ondas de atualização industrial para tornar-se um líder mundial em algumas das indústrias de alta tecnologia. O foco da Coreia é a tecnologia industrial.

• A Coreia do Sul apresenta uma força de trabalho altamente educada, forte infraestrutura em ICTs e o desenvolvimento de enormes capacidades tecnológicas em diversos setores de alta tecnologia.

• A Coreia do Sul está entrando numa fase crítica de seu processo de desenvolvimento, uma vez que está alcançando o limite de sua estratégia de aproximação tecnológica aos países desenvolvidos, devido a não conseguir criar um novo motor de crescimento, apresentando déficits no balanço de pagamentos tecnológico.

• A Coreia do Sul necessita mudar de seu modelo de “catch-up” para um modelo “pós-catch-up”, incorporando novas estratégias, como, por exemplo, tecnologias boas para o meioambiente.

(ii) BRASIL

• Tem uma das maiores economias e um dos maiores setores industriais entre todos os países em desenvolvimento e apresentou uma das mais elevada taxas de crescimento econômico do mundo entre 1930 e o final dos anos 1970s.

• Desenvolveu avançada tecnologia em muitas áreas da indústria pesada e em outras áreas da indústria (por exemplo, indústria de construção pesada e civil, indústria petroquímica, cimento, indústria aeronáutica e aeroespacial, informática, etc.).

• Tem um sistema financeiro bastante sofisticado, não apenas em termos dos serviços desenvolvidos, mas também em termos da tecnologia envolvida nas operações financeiras, ainda que as imperfeições do mercado de capitais tenham estimulado o auto-financiamento como a principal fonte de financiamento do investimento e expansão [veja Rodrigues (1988a)].

• Apresenta forte presença estrangeira na indústria moderna.

• Desenvolveu um grande setor público, o qual tem sido usado para desenvolver tecnologia doméstica (ou "autônoma") em muitos setores.

• Promoveu diversas grandes organizações públicas de pesquisa.

• Promoveu importações de tecnologia para apoiar algumas indústrias locais e algumas tecnologias específicas (por exemplo, microcomputadores, aviação, armamentos, aços especiais. Não obstante, como demonstrado por Rodrigues (op cit), as importações de tecnologia no Brasil caíram significativamente durante os anos 1980s em relação ao PIB, à formação de capital fixo e aos gastos totais do balanço de pagamentos (incluindo pagamento de juros sobre a dívida externa).

• Desenvolveu, até os anos 1990s, estruturas de comércio mais voltadas para dentro (isto é, substituidoras de importação) do que orientadas para a exportação. A sua parcela nas exportações mundiais permaneceu aproximadamente constante entre 1960 e 1990, ao redor de 1 por cento.

• Usou barreiras comerciais como uma política consistente, a qual contribuiu para a formação de grupos de pressão domésticos contrários a políticas mais liberais.

• Restringiu a entrada de empresas estrangeiras em alguns setores.

• Protegeu as indústrias nascentes.

• Investiu apenas moderadamente (se comparado com a Coreia e com Formosa (Taiwan)) em educação, treinamento e P&D tecnológico. Um dos fatores determinantes para o baixo investimento em P&D no Brasil parece ser a mentalidade dos empresários brasileiros, sistematicamente avessos a esse tipo de gasto. O Brasil precisa fazer um esforço significativo na área de P&D, caso almeje alcançar uma inequívoca competitividade internacional.

• Não tem escassez acentuada de matérias-primas, sendo exportador líquido em muitas áreas (por exemplo, maior exportador mundial de minério de ferro).

• A estratégia brasileira de desenvolvimento tecnológico tem sido, em grande medida, ineficaz para alcançar uma clara competitividade internacional para uma grande parte da indústria. Proteção excessiva decorrente de uma prolongada política de substituição de importações e uma profunda estagnação durante os anos 1980s e 1990s tiveram um grande papel neste processo. A partir da segunda metade dos anos 1990s, o Brasil iniciou um forte processo de abertura e internacionalização de sua economia que tem sido eficaz em tornar a economia brasileira mais competitiva internacionalmente em algumas áreas.

(iii) FORMOSA (TAIWAN)

• Alcançou uma das taxas mais elevadas de crescimento econômico do mundo a partir do começo dos anos 1950s.

• Adotou uma estratégia altamente intervencionista.

• Protegeu indústrias emergentes.

• Implementou uma política de desenvolvimento tecnológico muito ativa e está acelerando os seus investimentos em atividades capital-intensivas (por exemplo, indústria petroquímica, produção de veículos e máquinas-ferramentas de precisão), em tecnologia média e em avançada tecnologia (por exemplo, supercondutividade, computadores e indústria aeroespacial). Suas pequenas e médias empresas (base da economia de Formosa (Taiwan)) se especializaram tanto em produtos cuja demanda é relativamente pequena, quanto em atividades intensivas em tecnologia, às quais esse tipo de empresa é bem adaptado.

• Apoiou pequenas e médias empresas, as quais produzem e exportam uma grande proporção do total dos bens manufaturados. Esta estratégia parece ter razões políticas, uma vez que de acordo com Park, 1990, p. 119, "a liderança política também estava determinada a evitar a concentração de recursos em mãos privadas, dado que ela acreditava que um pequeno grupo de poderosos empresários que controlavam uma grande parcela dos recursos privados e o sistema financeiro haviam causado sua queda no continente".

• Implementou estratégias comerciais altamente orientadas para as exportações e o seu sucesso pode ser medido pelo fato de que Formosa apresenta as maiores reservas cambiais do mundo e uma das maiores taxas de crescimento das exportações. A sua participação nas exportações mundiais só foi superada pela Coreia do Sul.

• Investiu fortemente em educação e treinamento e, mais recentemente, em P&D.

• Implementou uma reforma agrária.

• Está bem posicionado em termos de capital, tecnologia, habilidades administrativas, marketing global e experiência de modernização para enfrentar os desafios da globalização.

(iv) ÍNDIA

• Apresenta um setor industrial muito diversificado, mas ineficiente e obsoleto tecnologicamente em muitas áreas.

• Tem alcançado baixas taxas de crescimento das exportações, tendo apresentado um dos maiores declínios na participação nas exportações mundiais ao longo do período 1960-1990. Sua elevada dívida externa, nesse período, constitui-se numa forte restrição às importações em geral e de tecnologia em particular, devido à escassez de divisas.

• É caracterizada por apresentar baixos investimentos externos e inexpressiva importação de tecnologia.

• Tem permanecido altamente intervencionista dentro de sua orientação substitutiva de importações e, dentro de seus amplos objetivos de crescimento econômico, autonomia e justiça social, tem dado importante papel às empresas públicas em muitas indústrias-chave (ferrovias, telecomunicações e geração de eletricidade).

• Tem suspeitado, por um longo tempo, da empresa privada em geral. A Índia, junto com a China, foi fortemente influenciada pelo sucesso da ex-União Soviética em industrializar rapidamente uma economia largamente rural num curto período de tempo de quatro décadas, sem ajuda significativa.

• Implantou uma larga rede de instituições de C&T, apresentando uma das maiores populações de cientistas de todo o mundo, porém separadas das empresas industriais e excessivamente burocráticas. Apesar disso - da mesma forma como alguns NICs - a Índia desenvolveu sua própria tecnologia e apresenta bons padrões tecnológicos tanto na indústria pesada básica (aço, engenharia leve, petroquímica, química e cimento), quanto em avançada tecnologia (eletrônica, bens de consumo duráveis, veículos a motor, etc.). Além disso, a Índia é capaz de colocar satélites em órbita e operar as instalações de centrais nucleares próprias. Por conseqüência, o termo "Belíndia", ao se referir pejorativamente à Índia face à sua pobreza, não pode ser considerado totalmente justo.

• Tem seguido sistematicamente a orientação de substituição de importações.

• Implementou políticas comerciais altamente voltadas para dentro e baseadas nos subsídios, mas falhou em tomar proveito das oportunidades criadas por um comércio mundial em contínua expansão.

• Usou barreiras comerciais como uma consistente política comercial, apresentando uma das mais elevadas tarifas aduaneiras do mundo, a qual, como no caso do Brasil, levou à formação de poderosos grupos de pressão domésticos protegidos da competição interna e externa e contrários a mudanças na política econômica.

• Investiu moderadamente em P&D e insuficientemente (se comparada com os NICs) em educação e treinamento, apresentando uma das mais altas taxas de analfabetismo do mundo, ainda que a meta de alcançar educação primária universal esteja escrita em sua Constituição.

• Protegeu indústrias nascentes.

• Tem uma distribuição de poder complexa e multipolar.

• Tem uma grande classe média e um mercado interno razoavelmente grande (300 milhões de pessoas apresentando um bom poder de compra), que são considerados fatores favoráveis à atração de investimento externo.

• Apresenta baixa taxação das empresas, uma sofisticada rede de comércio e mão-de-obra barata e bem preparada.

• Apresenta uma relativa escassez de matérias-primas e alimentos, a qual impõe limitações a seu crescimento no longo prazo.

De acordo com UNESCO (2010), a economia da Índia vem experimentando um desempenho impressionante desde a política de liberalização implementada a partir de 1991 – e, em especial, desde 2005 -, sendo, junto com a China, uma das economias com maior crescimento no mundo. Uma série de estudos identificou o desenvolvimento tecnológico como uma das forças-motoras do desempenho indiano. Alguns dos resultados mais importantes alcançados pela Índia são:

 Não obstante invista apenas 0,88 por cento do PIB em P&D, a Índia apresenta hoje inegáveis avanços nas áreas espacial, tecnologia da informação e indústria farmacêutica. O número de centros estrangeiros em P&D aumentou de 100 em 2003 para 750 em 2009.

 A indústria farmacêutica é uma das áreas onde a Índia tem avançado mais, com amplas capacidades na produção de remédios, especialmente na produção de genéricos.

 As companhias indianas têm investido no exterior adquirindo importantes empresas baseadas em tecnologia nos setores de média e alta tecnologia.

 O ranking da Índia no índice global de inovação tem melhorado.

 Existem muitos exemplos de inovação no setor de serviços, tais como nos cuidados de saúde.

 A participação da produção intensiva em tecnologia no PIB passou de 8,57% em 2005 para 11,55% em 2009.

 O investimento direto estrangeiro na Índia aumentou de US$ 2 milhões em 1993 para US$ 19 bilhões em 2009!

 A índia tornou-se mais competitiva nos setores de alta tecnologia, sendo o maior exportador mundial de serviços de tecnologia da informação desde 2005 e sua exportação de produtos aeroespaciais tem aumentado à taxa de 74% ao ano.

 A parcela de componentes de alta tecnologia nas exportações de manufaturados indianos aumentou de 7,32% em 1988 para 16,94% em 2008.

 Conforme anunciado em 2003 por seu Primeiro Ministro, a Índia pretende alcançar 2% do PIB de investimentos em P&D nos próximos anos.

O Décimo-Primeiro Plano Quinquenal da Índia (2007-2012) contém previsão de aumento de 220% em investimentos em C&T em relação ao plano precedente e fixa importantes objetivos:

 

 Um mecanismo nacional para desenvolver políticas e orientações para pesquisa básica.

 Introduzir instalações e centros de excelência de pesquisa em competitividade internacional.

 Encorajar um espírito inovador e camaradagem entre os cientistas no sentido de levar a tecnologias rentáveis economicamente.

 Introduzir parcerias público-privadas em alta educação e pesquisa científica.

 Encorajar parcerias com outros países desenvolvidos na área da tecnologia.

(v) CHINA

Conforme apontado em UNESCO (2010), em 1978 a China iniciou a primeira de uma séria de profundas reformas e começou a se abrir para o mundo. Na área da C&T permitiu-se ampliar o processo de tomada de decisões e reformou-se o sistema de financiamento de P&D. Seguiu-se a introdução gradual do mecanismo de mercado e legislação específica nessa área. Ultimamente foi introduzido um sistema de inovação nacional que tem favorecido o desenvolvimento sócioeconômico. Quatro principais estágios caracterizam o desenvolvimento do sistema científico na China:

 Reconstruindo o sistema científico de administração (1978-1985):

• É considerado o ponto de viragem na China, em que a Conferência Científica Nacional enfatizou que C&T é a força produtiva e, junto com Indústria, Agricultura e Defesa, um dos quatro fatores-chave da modernização.

 Reformando o Sistema de Ciência (1985-1992):

• Em março de 1985 o Comitê Central do PC Chinês propôs um guia estratégico em que o desenvolvimento econômico deve confiar em C&T. A reforma que se seguiu teve cinco principais orientações:

 Reforma do sistema de financiamento de C&T.

 Implementação de um sistema de contratação de tecnologia, desenvolvendo o mercado de tecnologia e promovendo a comercialização dos resultados de pesquisa.

 Introdução de um mecanismo de mercado e ajuste da estrutura organizacional de C&T, de modo a fortalecer a capacidade empresarial para desenvolvimento tecnológico.

 Permitir aos institutos de pesquisa o direito à autodeterminação e independência.

 Reforma do sistema de administração de pessoal de C&T e implementação do sistema de pagamento baseado no mérito.

 Tornando C&T uma parte integral da economia (1992-1998):

• Em 1992, a China propôs estabelecer uma economia socialista de mercado. De modo a tornar C&T parte da economia, o governo propôs ajustar o padrão de alocação de recursos destinado a C&T e definiu os objetivos e tarefas fundamentais das atividades de C&T. Foram promulgadas importantes leis relacionadas com a matéria.

 Construindo um sistema nacional de inovação (1998-2005):

• Em 1998, a China iniciou o Programa de Inovação do Conhecimento, de modo a criar um sistema nacional de inovação e economia do conhecimento. O objetivo era tornar a Academia Chinesa de Ciências numa instituição acadêmica líder e num centro de ciências naturais e de engenharia e de alta tecnologia que levasse a China ao mais elevado patamar das indústrias de alta tecnologia.

• O governo resolveu transformar 242 institutos públicos de pesquisa em empresas públicas ligadas a Ministérios, em que o governo adotou políticas preferenciais quanto a tributação, empréstimos, subsídios e pessoal.

• Em 1999, o governo criou o Fundo para pequenas empresas de base tecnológica, visando promover a exportação de alta tecnologia.

• Em 2002, a China promulgou um Plano de Construção de Talentos Nacionais e propôs uma Estratégia pra Revigorar a China e enfatizou que a China deve incorporar o trabalho de pessoal com talento no planejamento nacional de desenvolvimento socioeconômico, desenvolver vigorosamente recursos humanos e revigorar a nação usando seus talentos.

A partir da lista de características desses importantes países em desenvolvimento, podemos concluir que eles têm em comum o uso de políticas industriais específicas tendo por objetivo a proteção de firmas e mercados domésticos e estimulando gastos em P&D. Nessas políticas, o governo assumiu um papel importante na modernização industrial, não apenas no estabelecimento de prioridades, mas também através da concessão de substancial volume de recursos financeiros (diretamente ou indiretamente) para as firmas engajadas naquelas políticas. O Brasil e a Índia mudaram dramaticamente as suas políticas, introduzindo políticas econômicas mais liberais, abrindo as suas economias para os investimentos externos e para a entrada de produtos importados de forma a tornarem as suas economias mais competitivas internacionalmente. No caso da Índia, esta mudança é realmente sem precedentes, uma vez que contempla permitir às firmas estrangeiras formar joint-ventures com firmas indianas e controlar 100 por cento do capital em setores antes somente reservados para firmas locais como, por exemplo, indústrias de alta tecnologia, exploração de petróleo, e setores especificamente destinados à exportação, mudanças que parecem pôr um ponto final no conceito de Nehru de auto-suficiência econômica. Ao mesmo tempo, diversos grupos empresariais brasileiros e indianos estão engajados numa agressiva política visando acelerar o processo de expansão internacional e acelerar a formação de joint-ventures com firmas multinacionais líderes. Por outro lado, a Coreia do Sul, Formosa, e outras economias asiáticas de sucesso, estão estimulando uma contínua liberalização da atividade econômica. Na América Latina, o Chile, Argentina e México também têm estado engajados em políticas econômicas liberais. Todavia, os insucessos apresentados por alguns indicadores sociais nesses países têm levado a fortes críticas ao modelo de desenvolvimento por eles adotado.

6.1. A Revolução das Novas Tecnologias da Informação

Uma nova e importante tendência está surgindo com implicações positivas e negativas tanto para economias menores (independentemente de seu nível de desenvolvimento) quanto para os países em desenvolvimento. A tendência favorável diz respeito ao fato de que, em geral, a idéia de que firmas cada vez maiores dominariam os mercados mundiais e, por consequência, a concentração cada vez maior do capital seria uma política desejável, não está se materializando. Assim, parece haver uma nova tendência internacional em favor de firmas menores, mais dinâmicas, especialmente nos setores de novas tecnologias, com menor número de empregados por firma, descentralização de atividades e alto investimento em tecnologia da informação. Tal tendência pode beneficiar economias menores. O setor de Tecnologia da Informação vem apresentando importância crescente nos países desenvolvidos, com participação expressiva tanto na geração de empregos, quanto no total dos investimentos no setor manufatureiro. A segunda tendência, é que a desaceleração no crescimento dos países desenvolvidos pode levar a uma nova estratégia a ser implementada pelas gigantes multinacionais em favor de lucros no curto prazo e menores gastos em P&D (se comparados com os dos anos 1980s), a qual pode abrir novas oportunidades para países (e firmas) mais escassos de capital.

De acordo com a OCDE (1992, p. 9), "uma economia pequena não parece estar em desvantagem na competição tecnológica atual, se ela for receptiva às descobertas e avanços em outros países e se for organizada para fazer bom uso deles", uma vez que duas tendências estão surgindo em termos de desempenho tecnológico-industrial. Uma, é a tendência à concentração do esforço científico na área da OCDE; a outra, e a tendência à dispersão do poder tecnológico, uma vez que as exportações de indústrias altamente intensivas em P&D (aeroespacial, computadores, eletrônica, farmacêutica, instrumentos científicos e elétrica) das sete maiores economias da OCDE diminuiu substancialmente no final dos anos 1980s, após alcançar mais de 80 por cento no começo dos anos 1980s. Uma das explicações é que as companhias multinacionais, movidas pela necessidades da competição global, estão investindo mais pesadamente nos países em desenvolvimento, especialmente nos países asiáticos relativamente desenvolvidos, nos quais elas encontram, entre outras vantagens, uma força de trabalho bem treinada e uma razoável infra-estrutura.

Por outro lado, principalmente para os países em desenvolvimento, menos empregados e maior capital por empregado pode levar a uma situação crítica no que diz respeito a emprego (mais problemático nesses países), modernização e competitividade internacional, dado que os mesmos são escassos em capital. Tal situação pode levar a uma dupla crise: desemprego crescente e menor competitividade. Dessa forma, dada a escala da atual "guerra tecnológica", é inevitável que o hiato tecnológico entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento aumente, porque os últimos não têm os recursos financeiros necessários para enfrentar esta escala de investimentos em P&D, como vimos anteriormente. Apenas aqueles países que forem capazes de desenvolver uma estratégia muito habilidosa, aproveitando ao máximo as suas capacidades nacionais (por exemplo, capacidades humanas, financeiras, econômicas, políticas, etc.) sairão deste processo histórico com a sua competitividade internacional ampliada ou pelo menos inalterada.

Duas "Leis" parecem governar a competitividade internacional. A primeira, é que nenhuma posição no ranking da competitividade internacional é inexpugnável, se nós levarmos em conta o longo prazo. A segunda, como demonstrado pela ascensão da Coreia do Sul, é que para uma economia em desenvolvimento o processo de alcançar maturidade tecnológica é extremamente difícil e requer uma estratégia nacional muito habilidosa para suceder, uma vez que os hiatos tecnológicos, econômicos, financeiros e sociais, vis-à-vis os países desenvolvidos, embora não impossíveis de reduzir, estão se tornando cada vez mais difíceis de encurtar. Este dilema foi muito bem definido por Perez e Soete (1988, p. 459) no que pode ser considerado como uma versão atualizada do chamado "círculo vicioso da pobreza": "O capital anterior é necessário para produzir novo capital, o conhecimento anterior é necessário para absorver nova tecnologia, habilidades precisam estar disponíveis para adquirir novas habilidades e um certo nível de desenvolvimento é requerido para criar os efeitos de escala que tornam o desenvolvimento possível. Em suma, está dentro da lógica da dinâmica da tecnologia e do crescimento que os mais avançados tecnologicamente ficam mais ricos e o hiato permanece e se amplia para aqueles deixados para trás".

Alguns países em desenvolvimento conseguiram aumentar a sua competitividade em alta tecnologia, particularmente China, Formosa, Coreia do Sul, Cingapura e México, os quais aumentaram a sua parcela na exportação de produtos altamente intensivos em P&D. O Brasil também aumentou a sua participação de 0,5 por cento para 0,6 por cento, mas a sua classificação ainda é inexpressiva. A China apresenta o avanço relativo mais significativo na exportação de produtos de alta tecnologia e os Estados Unidos a redução mais notável entre as grandes potências econômicas. Entretanto, precisa ser dito que alguns países em desenvolvimento exportam produtos de alta tecnologia que são produzidos por filiais de empresas multinacionais, as quais tentam aproveitar ao máximo a existência nesses países de mão-de-obra barata e qualificada. Dessa forma, algumas exportações não podem ser vistas como o resultado de desenvolvimento tecnológico doméstico.

Um outro aspecto que precisa ser ressaltado, é o fato de algumas empresas multinacionais líderes estarem envolvidas num processo de alianças estratégicas com outras multinacionais, que foram no passado concorrentes entre si. Este processo pode ter duas implicações negativas importantes para as firmas dos países em desenvolvimento. A primeira, é que alianças estratégicas globais podem minar estratégias nacionais de desenvolvimento tecnológico, uma vez que os empreendedores dos países em desenvolvimento podem sentir que juntando forças com concorrentes estrangeiros pode ser mais seguro, no longo prazo, em termos de estratégia empresarial. A segunda, é que alianças estratégicas globais entre firmas concorrentes de grande porte também pode ser interpretado como uma forma de manter novos concorrentes, tanto dos países em desenvolvimento, quanto dos países desenvolvidos pequenos, fora dos mercados de alta tecnologia (existentes e novos) através de um processo de colusão tecnológica. Por conseqüência, uma das conclusões que podem ser retiradas deste processo, e que tem implicações para a competitividade internacional é o fato de um país ter ou não ter empresas multinacionais de grande porte. Como notado por Grossman e Helpman (1991) a entrada de um imitador do Sul põe um fim à posição de monopólio usufruída por um inovador do Norte, fato que pode levar à desaceleração da inovação no Norte. Por outro lado, "os empreendedores do Sul podem investir menos em aprendizado quando eles percebem uma aceleração mais rápida na obsolescência tecnológica". Assim, inovação rápida no Norte pode retardar o processo de atualização tecnológica no Sul.

Nós também podemos associar este dilema para os países em desenvolvimento com a chamada abordagem de safra do crescimento econômico, da seguinte forma: (i) a importação da última safra do investimento (i.e. equipamento de última geração) atua a favor da competitividade internacional dos países em desenvolvimento que têm capacidade de importar, através de dois efeitos: aumento no nível de progresso técnico incorporado e diminuição da idade média do estoque de capital; (ii) países como o Brasil aumentaram o seu hiato tecnológico e, por conseqüência, os seus problemas de competitividade internacional durante os anos 1980s e 1990s por causa de restrições às importações e de uma taxa de investimento declinante (a última safra de investimentos não é disponível em muitos setores); (iii) políticas de desenvolvimento tecnológico podem contribuir para gerar safras de investimento que permitam aos países em desenvolvimento aumentar a sua competitividade internacional "autônoma". Nós podemos dizer que enquanto os países desenvolvidos possuem sempre a última safra dos equipamentos de capital (a menos de pequenas diferenças), as economias em desenvolvimento não as possuem, fato que pode ser visto como uma importante fonte de desequilíbrio no grau de competitividade internacional.

É necessário destacar, ainda, dois aspectos do processo de desenvolvimento econômico nos países em desenvolvimento. Primeiramente, a idéia de que os países de industrialização recente de sucesso (Coreia do Sul, Cingapura e Formosa) alcançaram uma relativa competitividade internacional através de políticas econômicas orientadas pelo mercado é completamente enganadora. Na verdade, eles promoveram um intervenção orientada nas mais diversas áreas e submeterem os seus grupos empresariais à direção e proteção de políticas específicas (por exemplo, educação, treinamento, tecnologia e políticas comerciais), ainda que o tipo de intervenção governamental não tenha sido o mesmo em todos os países. Como notado por Park (op cit), não obstante a Coreia e Formosa compartilhem as mesmas características estruturais e uma industrialização voltada para as exportações, o papel do governo foi diferente. Enquanto o governo de Taiwan agiu mais no sentido de apoiar do que de intervir, o governo coreano foi "colaborador e mesmo coercitivo nas relações com o setor privado". É preciso destacar que o papel do governo na promoção do desenvolvimento tecnológico não é confinado apenas aos países em desenvolvimento, como visto anteriormente.

Em termos de fontes de financiamento de P&D, podemos identificar dois grupos distintos de países: aqueles em que o Estado representa a maior parte do financiamento (Itália, Polônia, Rússia, México, Brasil e Argentina); e aqueles em que o setor privado é majoritário (Estados Unidos, Japão, Noruega, Turquia, Suécia, Finlândia, Áustria, França, Espanha, Irlanda, Alemanha, Dinamarca, Bélgica, Portugal, Canadá, Cingapura e Coreia do Sul). Os países em que o Estado contribui com o maior percentual do PIB no esforço de financiamento de P&D são Coreia do Sul (0,86%), França (0,8%), Cingapura (0,8%), Estados Unidos (0,75%), Austrália (0,74%), Alemanha (0,7%), Rússia (0,67%) e Brasil (0,59%) [Ver UNESCO (2010) e OCDE (2010)].

Nesse sentido, pode-se argumentar que os países em desenvolvimento em geral e, especialmente, aqueles que apresentam boas condições estruturais, podem aprender com a experiência do Japão e de países que têm sido bem sucedidos mais recentemente, como China, Coreia e Formosa e traçar políticas que possam permitir-lhes competir tecnologicamente (pelo menos em algumas áreas) com os países desenvolvidos. Os países em desenvolvimento não necessariamente serão condenados à escuridão tecnológica, ainda que seja verdadeiro o fato de que nenhum país em desenvolvimento, talvez com exceção da Coreia do Sul, tenha se tornado um inequívoco ator de alcance global em termos tecnológicos. Nem a China, devido ao seu dinamismo tecnológico, nem o Brasil, devido ao tamanho de sua economia ou indústria, podem ser considerados maduros tecnologicamente. De acordo com a OCDE (1992), dadas as sérias diferenças no contexto nacional no qual as políticas científicas e tecnológicas são implementadas, "as habilidades dos países para competir provavelmente se tornarão mais divergentes, dessa forma, criando distúrbios para o funcionamento da economia mundial".

Como destacado por Rostow (1990), a geração de tecnologias (por exemplo, a relação entre ciência e inovação), a difusão da tecnologia, as ligações entre o processo de investimento e o desempenho macroeconômico (por exemplo, como alguns países em desenvolvimento conseguiram crescer mais rápido do que os países desenvolvidos) e os determinantes da taxa à qual alguns países retardatários absorvem de uma forma eficiente o acúmulo de tecnologias de última geração, são processos ainda não compreendidos adequadamente. Ou, seguindo as estágios de Chenery (1949), como alguns países em desenvolvimento "transicionais" conseguiram absorver os setores de indústria pesada básica (aço, engenharia leve, química) e os chamados países de industrialização recente conseguiram desenvolver avançada tecnologia nos setores de veículos a motor, bens de consumo duráveis, engenharia pesada e eletrônica, são processos que ainda precisam ser mais profundamente estudados.

Finalmente, nós podemos dizer que o processo de desenvolvimento econômico da China, Coreia, Brasil, Formosa e Índia mostra que o progresso tecnológico é endógeno, no sentido de que é fruto de uma política econômica deliberada e, em particular, de uma política de desenvolvimento tecnológico, junto com uma política educacional e de treinamento da força de trabalho. Assim, este processo não tem nada que ver com as hipóteses dos modelos neoclássicos de crescimento. Ou seja, o progresso tecnológico não é puramente um processo aleatório (como na teoria neoclássica), mas sim um processo guiado pelas forças de mercado (motivadas pelo comportamento de maximização de lucro) e pela intervenção governamental (através de políticas industriais e tecnológicas adequadas).

A OCDE (1991, p. 88) sugere que as políticas de intervenção governamental podem ajudar o crescimento econômico agregado: "Ampliando as aplicações das novas teorias do crescimento para o caso de uma economia aberta (Grossman e Helpman, 1989, 1990, 1991; Lucas, 1988) também leva a importantes conclusões com relação a políticas comerciais e tecnológicas. Em linha com a "nova" teoria do comércio internacional, a conclusão básica é que os argumentos a favor do livre comércio não têm de forma nenhuma validade ilimitada (em relação a tempo e lugar). Em alguns casos específicos, políticas comerciais, na forma de tarifas ou políticas tecnológicas, na forma de subsídios à pesquisa, podem influenciar o crescimento econômico agregado ou bem-estar ao mudar as proporções de fatores devotados a pesquisa e/ou indústria manufatureira".

7. Comentários Finais

O papel do Estado na nova etapa do desenvolvimento brasileiro, ainda que importante, deverá assumir características diferentes daquelas assumidas no passado. Em primeiro lugar, está claro que o processo de substituição de importações, ainda que possa ser visto como um processo incessante, uma vez que novos setores e atividades surgidos a nível mundial precisam ser introduzidos a nível nacional, chegou ao fim na sua forma original, dado que as estruturas produtivas decorrentes daquele modelo são, hoje, incapazes de lidar com a crescente complexidade de uma economia mundial que se globaliza.

O sistema produtivo nacional precisa se reorganizar e se expandir em paralelo a um processo de intensificação de globalização das empresas nacionais em relação ao resto do mundo, o qual exigirá grandes investimentos em modernização administrativa e tecnológica, de modo a gerar crescente eficiência e competitividade internacional. Na nova etapa do desenvolvimento nacional, caberá ao Estado exercer, de modo eficiente, aquelas funções que, historicamente, o setor privado não exerceu de forma adequada, tais como criar mecanismos eficazes de financiamento de longo prazo que estimulem os investimentos produtivos e reduzam o custo das empresas, estabelecer os princípios de uma política industrial e tecnológica voltada para a competitividade internacional, a conquista de mercados externos e a crescente inserção da economia brasileira, de forma vantajosa, na economia mundial, desenvolver uma política educacional e de formação de recursos humanos compatível com a política anterior e criar as condições básicas de infraestrutura que reduzam os custos empresariais no país e levem ao atendimento das necessidades da população.

O mais importante ensinamento a ser tirado das profundas alterações estruturais processadas na economia mundial, crescentemente interligada e globalizada nas últimas décadas, é o de que o nível de bem-estar de um país está diretamente relacionado com o nível de sua competitividade internacional. Uma baixa competitividade internacional leva, no longo prazo, a problemas no Balanço de Pagamentos cuja solução passa por políticas de estabilização rigorosas, queda no nível de atividade, aumento no nível de desemprego e redução no poder de compra da população, tanto em termos absolutos quanto em relação ao resto do mundo, gerando um círculo vicioso de estagnação e crise. Por outro lado, o aumento persistente da competitividade internacional gera efeitos contrários aos antes indicados, gerando o que pode ser definido como um círculo virtuoso de crescimento econômico, alta produtividade, exportações crescentes, equilíbrio no Balanço de Pagamentos e elevação do poder de compra da população.

Nesse sentido, para um país em desenvolvimento, a redução dos problemas sociais somente encontrará base eficaz e duradoura no contexto de uma elevada competitividade internacional, porque é esta, em última instância, que garante o crescimento sustentável do emprego e da renda a nível doméstico.
Como visto anteriormente, o Brasil apresenta baixo crescimento do esforço de "catch-up" tecnológico  e sua relação P&D/PIB sugere que o país necessita acelerar seus investimentos nessa área se quiser tornar-se um ator relevante na área da alta tecnologia mundial.

8. Notas

[1] Definimos esforço de “catch-up” tecnológico como o aumento percentual da relação Investimentos em P&D/PIB.

[2] Autônomo, aqui, não significa independência tecnológica completa, mas sim capacidade para desenvolver a sua própria tecnologia em alguns setores estratégicos e/ou de alta tecnologia.

[3] Os critérios utilizados para esta classificação incluem elementos estruturais, tais como disponibilidade de recursos naturais, capacidade empresarial, herança histórica, etc.

[4] A amostra utilizada nestas regressões corresponde às 13 maiores economias da OCDE, durante o período 1960-87. A técnica econométrica utilizada foi o "pooling" de séries temporais (1960-87) e cortes transversais (13 países). Veja a esse respeito Rodrigues (1993).

[5] Veja Rodrigues, op cit.

9. Apêndice 1: Esboço de Um Ciclo Virtuoso do Progresso Científico e Tecnológico

 De onde devemos começar: organização dos agentes produtivos da sociedade: governo, empresas e indivíduos.

 Formulação de políticas: política educacional, política tecnológica, política científica e política de formação e aperfeiçoamento da mão-de-obra.

 Criação de centros de pesquisa públicos e privados, universidades, formação de cientistas, engenheiros e técnicos de nível médio.

 Desenvolvimento de capital humano e desenvolvimento da ciência pura e aplicada.

 Desenvolvimento de tecnologia própria, importação de tecnologia de ponta e monitoramento dos avanços tecnológicos a nível mundial.

 Progresso técnico levando a novos produtos e processos.

 Criação destruidora de Schumpeter e mudança na mentalidade empresarial.

 Fortalecimento do sistema produtivo nacional estatal e privado. Aplicação do progresso técnico na linha de produção. Estabelecimento de estratégia de desenvolvimento baseada nas prioridades da estratégia de política industrial e tecnológica.

 Aumento na competitividade internacional e formação de um ciclo virtuoso de desenvolvimento.

10. Apêndice 2: Esboço de Um Modelo de Desenvolvimento Econômico Pós-Keynesiano

 Processo circular e cumulativo (Myrdal e Kaldor).

 Motores do crescimento econômico (Kaldor). [1]

 Rendimentos crescentes de escala (Smith, 1776; Young, 1928; Kaldor, 1978).

 Crescimento econômico liderado (estimulado) pelas exportações (Kaldor, Thirlwall).

 Elementos detonadores do processo (que o põem em movimento):

• Variáveis de escala (política industrial).

• Políticas educacionais e tecnológicas.

• Política de formação de mão-de-obra.

• Política de estímulo às exportações.

• Relação capital-trabalho (parte dos ganhos de produtividade vai para a redução de preços).

• Mecanismo multiplicador-acelerador.

 Caracterização do processo cumulativo do crescimento econômico (Círculo Virtuoso) ou Processo de Causação Reversa Cumulativa:

• Funcionamento do Círculo Virtuoso:

 Crescimento do produto (Lei (coeficiente) de Verdoorn, 1949).

 Economias de escala dinâmicas (“aprender fazendo” ou “curva de aprendizado”) e estáticas (volume).

 Rendimentos crescentes de escala ou segunda lei de Kaldor como motor do crescimento (divisão do trabalho (Smith, 1776) como fator macroeconômico (Young, 1928)) e economias externas.

 Crescimento da produtividade.

 Melhoria nos aspectos não-preço e redução de preços.

 Aumento da competitividade internacional.

 Crescimento das exportações (as exportações são o elemento dinâmico da demanda exógena (Harrod, 1939) e diminuição das restrições ao crescimento impostas pelo balanço de pagamentos (Kaldor, Thirlwall, 1992).

 Aumento da demanda.

 Incorporação do progresso técnico (especialmente via crescimento industrial (tese da desindustrialização) e aumento dos investimentos. Progresso técnico endógeno e exógeno (curva de aprendizado (Arrow, 1962)), P&D tecnológico (exógeno), educação e treinamento, acumulação de capital fixo de última geração. É uma função da capacidade da sociedade para inovar, emular capital, mudar e absorver mudanças técnicas (Kaldor).

 Crescimento do produto (compatível com equilíbrio no balanço de pagamentos).

 Acumulação de capital, produtividade e exportações resultam de um processo interligado e favorecem a competitividade internacional num sistema dinâmico. Existem retornos crescentes no investimento cumulativo, porque o estoque de conhecimentos científicos, em dado momento do tempo, é quase ilimitado, permitindo que novas invenções possam ser feitas a partir desse estoque de conhecimento a baixo custo.

[1] Motores do Crescimento Econômico de Kaldor: (i) progresso técnico; (ii) retornos crescentes de escala; (iii) indústria manufatureira; (iv) exportações.

[2] Leis Econômicas de Kaldor (Leis de crescimento econômico): (i) o setor manufatureiro é o motor do crescimento econômico. Crescimento rápido na indústria manufatureira gera um crescimento no PIB superior à importância da indústria no PIB. (ii) Lei de Verdoorn. Num artigo publicado em 1949, J. P. Verdoorn apresentou uma explicação para diferenças na taxa de crescimento da produtividade do trabalho na indústria entre países e períodos, especificamente que ele dependia da taxa de crescimento do produto. Para Kaldor, isso se devia a economias de escala. (iii) o crescimento mais rápido no setor manufatureiro gera um crescimento mais rápido na produtividade de setores não-manufatureiros (onde as taxas de crescimento são menores). O setor manufatureiro retira mão-de-obra de atividades não-manufatureiras (por exemplo, da agricultura) sem reduzir o crescimento do produto nessas atividades. (iv) crescimento mais rápido na indústria manufatureira depende do crescimento da demanda fora do setor manufatureiro (por exemplo, das exportações).

[3] Fatos Estilizados de Kaldor: (i) crescimento continuado no volume agregado da produção e na produtividade do trabalho. (ii) crescimento continuado no montante de capital por trabalhador. (iii) uma taxa de lucro sobre o capital constante. (iv) relação capital-produto constante em largos períodos. (v) uma alta correlação entre a participação dos lucros na renda e a participação do investimento no produto. (vi) diferenças substanciais na taxa de crescimento do produto e produtividade do trabalho entre países.

11. Apêndice 3: Processo de Desenvolvimento Econômico

 Revolução Industrial na Inglaterra: A Inglaterra é o centro principal:

• Tem a moeda de conversibilidade universal.

• Determina o padrão tecnológico.

• Detém o poder militar.

 Teoria dos preços comparativos de Ricardo (1817): Teoria das Vantagens Comparativas “estáticas”.

 Industrialização retardatária no século XIX.

 Formação do “Centro” e da “Periferia”.

 Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

 Grande Depressão (1929-1933).

 Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Os Estados Unidos tornam-se o centro principal, tomando o lugar da Inglaterra.

 Desenvolvimento industrial na periferia. Teoria da CEPAL: industrialização via substituição de importações. Estado com (único) mediador da integração das economias periféricas (“capitalismo retardatário”) na economia mundial. O Estado pode alterar o “status quo” das vantagens comparativas estáticas através de políticas (industrial, cambial, econômica).

 Crise de 1970-1971: fim do padrão-ouro. Posição dos Estados Unidos abalada como “centro principal”.

 Ascensão da Alemanha e do Japão. Declínio relativo dos Estados Unidos e Europa Ocidental.

 Desenvolvimento industrial da Coreia do Sul, Formosa, Brasil e China. Fortes investimentos em P&D e educação na Coreia do Sul e Formosa.

 Anos 1990s: colapso do Comunismo. Formação dos blocos econômicos. Não há centro principal, mas os Estados Unidos são a nação-líder e a única superpotência. Ascensão espetacular da China. Países buscam as vantagens comparativas dinâmicas. Globalização. Revolução tecnológica da economia da informação e do conhecimento.

 O futuro: (i) continuidade da política de substituição de importações? (ii) estratégia pragmática: a política de substituição de importações é um processo dinâmico e incessante. A cada inovação que surge no centro é necessário produzir uma substituição de importações na periferia, se as duas economias têm que correr lado a lado. (iii) o Brasil apresenta maior competitividade internacional agora, em diversos setores, vis-à-vis os anos 1940-1970, permitindo uma estratégia mais voltada para fora. Uma estratégia pragmática é combinar (i) e (ii) perseguindo as vantagens competitivas dinâmicas. (iv) abertura total às importações e à competitividade internacional? Essa parece ter sido a política seguida pelo Brasil recentemente.

 Dilemas da periferia:

• É preciso desesperadamente criar riqueza via crescimento econômico.

• É preciso desesperadamente reduzir a miséria.

• É preciso desesperadamente distribuir a renda nacional.

• É preciso desesperadamente aumentar a compatitividade internacional via progresso técnico, porque é preciso inserir as economias domésticas na economia mundial em bases melhoradas.

• É preciso desesperadamente criar novos e mais bem remunerados empregos.

 Como conciliar essas metas? São elas conciliáveis?

 Estratégia de desenvolvimento econômico para lidar com todas essas grandes questões.

12. Apêndice 4: Regressões Econométricas

Regressão 1:

Log da taxa de desemprego = 1,095 + 0,0086 CC

                                                  (19,56)* (4,65)*

D.W.= 1,639; R2= 0,452;

Regressão 2:

Taxa de desemprego = 4,516 + 0,0623 XiXw

                                      (12,43)* (2,60)*

D.W.= 1,557; R2= 0,252;

Regressão 3:

Log da taxa de desemprego = 1,012 + 0,0645 Log P&D

                                                  (14,40)* (2,30)*

D.W.= 1,660; R2= 0,309;

Onde:

CC= Superávit em conta corrente/PIB (%).

XiXw= Parcela das exportações do país "i" nas exportações mundiais (%).

P&D= Gastos em Pesquisa e Desenvolvimento tecnológico/PNB (%).

*= Estatística "t" significativa ao nível de 5%.

13. Bibliografia

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